quarta-feira, 25 de maio de 2011




Dizem que a idade nos traz sabedoria!
Quem inventou tamanho disparate?
Nada disso...
Traz desejo, maluqueira, vontade, a inconsequência mantém-se, o impulso existe, qual teenager de 16 anos.
Quem disse que a idade traz sabedoria? Mentira!
Ou então eu fujo à regra...serei eu diferente?
Passei a ter desejo de viver tudo intensamente, mandar-me sem pensar se vou cair ou me magoar, sem pensar nas consequências, sem querer saber das aparências…farta, farta de me conter, farta de pensar e depois agir, farta de ser a menina perfeita!
Quero abraçar a vida, quero abraçar o abismo, quero aprender, quero perceber…por agora ter o que não tinha.
Ensinaram-me que estamos cá, nesta vida, para aprendermos e nos aperfeiçoarmos como pessoas.
Aprendi que tenho uma coisa chamada alma, percebi que é uma alma com saudade, com muitas cicatrizes, mas que é uma alma bonita, chamaram-lhe alma de fadista.
E vi a luz, consegui!!!!! A luz que me trouxe paz mas também a vontade de fazer tudo!
Percebi da pior maneira possível, que as melhores coisas da vida, são as mais simples, e são mesmo, parece frase feita, mas nada é tão verdadeiro.
Viver, sentir e amar incondicionalmente, não mentir a mim mesma, aceitar-me como sou, enfim, fazer as pazes comigo.
Percebo agora que tudo o que defendia era demasiado fútil, não vou mais fugir e a viagem começou, a viagem em busca da verdadeira Sandra.
E nesta viagem, juntei na mochila, o desejo, a vontade, a inconsequência, o impulso, adrenalina…um cocktail de emoções explosivo.
E siga a viagem…que eu quero viver!
Quem disse que a idade traz sabedoria?
Mentira!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Menina da escrita





Disse o coração à Senhora desperta...
"Querida, por que reclamas tanto?
Qual é o motivo de tanta gritaria?
Acaso achas que a menina da escrita do Universo é surda?
Pára os lamentos e vem mergulhar nas ternas águas das letras do amor.
Vem banhar-te nas águas da compaixão das palavras escritas que tudo curam.
Ela envolver te a num abraço largo de palavras sentidas.
Estará contigo na aventura de servirem na luz as personagens criadas dos seus contos e historias.
Viajaram juntas na letra de uma canção de amor.
A menina da escrita do Universo perguntou por ti ainda há pouco.
Não queres vir ter com ela?
Acalma teus pensamentos agitados.
Nada é teu, ou dela.
Que tal juntares te a ela nessas praias de escrita divina?
Não queres assistir ao despontar do sol das palavras escritas daquela que nos leva aos horizontes de nossas aspirações espirituais?
A vida não é um ringue! Não estás aqui para vencer ou perder.
Estás aqui na vida só para aprender...
Pára de guerrear pelas ilusões e vai com ela desperta na sua escrita. É uma oportunidade maravilhosa!

Desperta e relembra aos homens que sem amor ninguém segue...
Leve-os a nadar contigo pelas águas da compaixão e mostra-lhes a luz da sabedoria, que aprendeste com a menina da escrita do Universo.
Vá, Senhora desperta.
Sim, sem amor, ninguém segue...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Incubadora



Maria tem o olhar a atravessar a fechadura, porque foi à fechadura que reparou pela primeira vez que o nada se movia lá fora. Franziu a orelha. Como um ponto de carvão numa folha parada, o tempo não se movia, nem se chovia, nem se fazia em vento de cada vez que ela olhava para fora da casa sem porta.

Uma casa triangular, mesmo sem vestígios de porta mas com um minúsculo buraco da fechadura na parede que aponta a sul. Foi nessa mesma parede que Maria nasceu. Com os pés encostados à parede e o tronco no chão, ao fim da décima nona força saiu de uma mulher, Maria. Não foi fácil. Com as pernas de recém-menina a baloiçar e a cortar a meta em primeiro lugar, a cabeça explodiu em raiva por não ter sido ela a mais velha do corpo. Entre lágrimas e sorrisos da mãe anjo, Maria viu-a ir para o vértice norte da casa, lugar céu, número estrela para nunca mais de lá sair… recém-orfã, antes de conseguir ser menina.
Parada no seu corpo, hoje passados muitos anos, olhou pela fechadura e reparou pela primeira vez que o nada se movia lá fora.

Na parede noroeste, através da rachadura, ela esmaga os olhos e repara que lá fora, o tudo não se mexe. Franziu as pestanas. Ana nasceu aqui. Com as costas e a parede coladas e os pés a rachar o chão, ao fim da vigésima terceira força saiu de uma mãe, Ana. Pela ordem natural, a cabeça ganhou o orgulho e quando se preparava para gracejar com Maria reparou que ao sair as pernas tinham ficado lá dentro, e o lá dentro é quando a gestação come a carne e o osso e da gula resultam cotos redondinhos e brilhantes. Entre lágrimas e sorrisos de mãe-demónio, Ana viu-a ir para o vértice este da casa, lugar roda, número enjeitados para nunca mais de lá sair… recém-enojada antes de conseguir ser filha.
Agitada no seu corpo, hoje passados muitos anos, olhou pela rachadura e reparou pela primeira vez que o tudo não se mexe lá fora.

Pendurada na parede nordeste que se arrasta todos os dias num sul e num noroeste, está a fotografia emoldurada de Mariana e, através da mesma, ela vê uma paisagem morta no tudo do nada…Assim, sem razão ou emoção, franziu a ponta do nariz e não se lembra de como nasceu. Na casa triângulo sabe que o único vértice livre, o oeste, está vazio, sem mãe, sem útero, placenta, cordão umbilical, parto, sangue… Apática no seu corpo, olha para as outras duas paredes e ri de tristeza. Talvez tenha nascido da geração espontânea entre o pó atrás da moldura e a cal da parede, num namoro que acabou em veias e pele agarradas a estacas. Olhou para a paisagem pela última vez com as órbitas oculares e reparou que em alguns dias a cabeça chora a idade. Nos outros dias, arrasta-se pelo chão com as mãos a palpar caminho para o tronco que nos sonhos vê umas pernas a tracejado, como se fosse possível fazê-las existir com o carvão do lápis.

Lá fora o nada e o tudo sonham com os habitantes da casa em bico. Esperam parados, na ansiedade de sentir saudades de quem não conhecem.

sexta-feira, 20 de maio de 2011



"Nunca estive naquele páteo. Só sei que olhando a bola a saltitar de lá para acolá, resvalando nas paredes porosas; escutando os gritinhos mecanicos e treinados das raparigas e relembrando os meus próprios pés diagonais e disformes, o sistema solar parece acabar na curva ao fundo da rua. Parece que consigo ver-me encolhido contra aquela parede ao fundo, a tentar manter-me como uma mínima camada concava da mesma. E a ser atingido em cheio pelos estilhaços de uma explosão de leite com chocolate, logo a seguir. Os olhos no chão asfaltado e o caminho triste até ao escuro e longo tunel que ladeia o ginásio da escola, mordendo o lábio quase carnívoramente.

Que longo, longo túnel, em que vejo a luz ao fundo, mas que não mais parece acabar...

Mas não, nunca estive ali."

sobre mim e para mim




Porque gosto de sorrir e de fazer sorrir, porque gosto de ser assim, porque sou mesmo assim...eu sou eu.
Menina num corpo de mulher, forte como o titanio que tenho dentro de mim, frágil como a porcelana que que tb faz parte de mim...
Menina Mulher com cicatrizes visíveis outras nem por isso, mas com vontade de ser apenas e só, feliz!
As cicatrizes ficam, apesar dos cremes utilizados, e lembram-me aquilo que já fui, aquilo que sou e aquilo que quero ser...mas sempre fiel a mim e aos meus princípios, sempre!
Eu sou assim...
Há quem diga que sou lamechas, abencoadas lágrimas pois não quero voltar à frieza de outros tempos.
Passei a chorar, por tristeza ou por alegria, mas as lágrimas já saiem e acreditem, faz tão bem lavar a alma.
Sim choro a ver o mar, choro quando alcanço mais um objectivo, chorei porque consegui dançar (as saudades que tinha de dançar) e choro sempre que algo "me toca" no coração...mas volto a repetir, abençoadas lágrimas.
Lágrimas quentes, sentidas e com um sabor agridoce, mas que me dizem que estou viva!!!!
Eu sou assim, demasiado doce talvez...mas se me sinto bem assim, assim continuarei!
É bom estar vivo!!!!!!!!!!!!!!!!
...apesar de tudo, é bom ser eu!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Poder de Acreditar - Acto II



Acredito em mim
(mentiras sem fim)

Uma bela manhã de Sol banha-me a face
(odeio a luz, doem-me os olhos)

os pássaros chilreiam ao chapinhar no fontanário
(criaturas malditas, racham-me os tímpanos com tanto alarido)


as flores desabrocham e presenteiam toda a gente com mil aromas e um festival de cor
(venha a seca, a geada, o ardiloso inverno, e leve estes abortos da natureza para longe de mim)


Sinto a relva com os meus pés descalços
(não sou gente, não sou ninguém, não sou nada)


e alegro-me com o toque molhado dos restos do orvalho
(não sou gente, não sou ninguém, não sou nada)


e deixo que a brisa me acaricie a face
(...nada...)


vejo as crianças que jogam à apanhada
(rio-me dos seus corpos frágeis, ...tão frágeis...)

os cães que deliciam os seus donos com joviais brincadeiras e corridinhas
(obedeceaodono obedeceaodono obedeceaodono obedeceaodono obedeceaodono obedeceaodono obedeceaodono obedec...)

os jovens casais, trocam beijos e carícias, envergonhados ou sorrindo maliciosamente
(fornicai como porcos que sois, procriai e enchei o palco com as vossas larvas)

vejo meninas que volteiam nas suas bicicletas, cheias de fitas que ondulam ao vento
(todas as mulheres são patéticas, ridículas, execráveis e umas grandes cabras)

enquanto os garotos se entretem a jogar à bola
(nunca me convidaram, nunca me deixaram jogar, nunca me deixaram sequer aproximar...)


conheci outros como eles, à tantos anos atrás, lá no antigo bairro
(um dia verei também os vossos cadáveres)

como eles, miudos e miudas, andavamos todos no primeiro ano de escola
(anormal, atrasado, monga, monstro, anormal, aborto, anormal, ...)

enquanto durante a hora de lição a professora nos ensinava a dança das palavras e o ritmo dos números
(D. Isaura, tenho medo do anormal! D. Isaura, ele cheira mal e é feio! D. Isaura, não quero ficar ao lado do monga...)

ficava para a mágica altura do recreio a troca de brinquedos, toques e afectos, coisas simples entre as crianças
(não mexas ai não fales comigo não me toques sai daqui isso não é teu apanhas nos cornos se não desapareces!!!)


agora me lembro, das horas felizes
(não sou gente, não sou ninguém, não sou nada)

agora me lembro de como era o grupo
(não sou gente, não sou ninguém, não sou nada)


e de tudo quanto vivi com eles
(...nada...)

e deixo as memórias vogarem como barcos ao vento
(leva a mão ao bolso, obedeceaodono)

enquanto o conforto das recordações me afaga a alma
(já, faz o que te digo anormal!!)

entrelaço a melancolia de viver com a esperança de um novo dia
(já a sentes, na tua mão?)

e deixo que o beijo quente do Sol me conforte
(ouviste o click? Está engatilhada...)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Desperta




Desperta não chegam às farpas da crítica e nem as seduções dos elogios. O dragão do ego não mora ali.
A consciência desperta sabe o que faz, pois caminha sob o comando do discernimento.
É serena é doce, e sua acção é constante.
Trabalha por amor, age sem temor, luta por mundos melhores e é dedicada ao serviço que lhe foi confiado.
É compaixão sem pieguices. É puro sentimento sem drama.

Suas acções não são afectadas pelas marés emocionais e nem pelas circunstâncias.
Sua luz não agride as trevas, apenas esclarece e transforma.
Comunga com todos os seres e convive bem com os homens da Terra.
Não há divisão em suas atitudes. É firme, mas, ao mesmo tempo, é generosa e suave.
Sua ternura encanta e inspira... E ela caminha com segurança.

A consciência desperta já passou por várias etapas por isso, sabe atravessar as camadas densas...
Sabe o rumo do seu serviço, e não vacila. Ensina, mas não cobra crescimento de ninguém! Sabe que o tempo fará tudo acontecer.
Exorta os homens a seguirem as trilhas da Luz, mas não força ninguém a segui-la.
É pura ética cósmica, pois não condena ser algum.

Os seus olhos brilham tanto... E suas mãos emanam calor de amor suave.
Ela é Luz que inspira as nobres virtudes!
Amar é intensificar a vida!

domingo, 1 de maio de 2011

The Scent of Love











Um piano.
O sol tenta aquecer
a minha solidão,
uma musica
diferente
toca-me.

Algo estala dentro de mim,
uma
suavidade terna
solta-se do céu
e
espalha-se pela manhã...

Água nos espelhos
lágrimas escondidas
o nó
na voz,
a garganta que dói...

A musica continua
doce adormecer de sorrisos
lilases orvalhados
um gostar submerso,
confusão,
esquecer.

O dia parece luminoso.

C



a




i





a transparência
do céu,





a




z




u




l





até doer.