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A mostrar mensagens de Junho, 2011

Cinzas

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Na fatia de tempo que sucede o último suspiro e a queda na noite,
As irmãs siamesas
Impulsionaram-se em música.
Com a ponta dos dedos, extensão do coração, e as cordas da viola, extensão das da voz
Porque não suportavam a maresia.

Na véspera do solstício,
O vinil
Tocava chorinho chorando
E abrindo os olhos do mundo com a sua nudez
Porque a voz assim o ordenava.

Na quarta-feira de cinzas,
O velho preto com uma pala no olho direito e guitarra nas mãos
Sibilou como um réptil ao ouvido da presa
Como quem cauteriza a sua própria ferida
Porque tinha necessidade de vestir-se em sonâncias.

No momento em que a lua atordoa os telhados,
A amante morta
Inventou um país sem rios
Com os seus dedos de aranha
Porque não podia ceder à perda de memória.
Porque o amor que encontrou ao virar da esquina perdura na memória, na voz, nos gestos.
Marcado na alma e preso na palma da mão.

Todos os dias,
O homem que desenha mapas
Come pétalas de rosas
No ponto continuo costurado entre ele e a agulha
Porque anseia estar só e desligar o ca…

Solta(S)

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trémula a folha

cai

em sangue o Outono

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visto-me de ti

em nuances de fogo

o olhar mareado de lágrimas estivais


.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-


dormes no meu corpo

o son(H)o

virgem guerreiro sem tempo

Asa(s)

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Exangue a tortura do plano inclinado
trocam-se palavras
letras empoleiradas nos beirais do poema

d

e

s

a

l

i

n

h

a

d

o


o tempo em que as romãs são diospiros
maçãs do rosto em fogo
a
alma
leve suave transparente
cálida
a noite
em que te vestes de mim.

O tempo do tempo

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Era noite, talvez madrugada, acordou com um barulho, tic tac, tic tac.

Mas ela não tinha relógios no quarto…de onde vem o barulho?

Olhou em redor não viu nada, nem uma réstia de luz naquele quarto, pois ela não consegue dormir sem ser na completa escuridão.
Não gosta da luz, da projecção de sombras na parede, fazem-lhe confusão, perde a noção entre real e o que é fruto da sua imaginação.

Acendeu a luz e procurou o relógio, mas não existia nenhum relógio…foi descalça até à sala, para sentir o frio do chão e ter a certeza que não estava a sonhar, abriu a janela olhou para a lua, acendeu um cigarro e o som tinha desaparecido.

Voltou para a cama e já de olhos fechados, o som, aquele som, tic, tac, tic, tac!!!!
Relógio, conjunto de peças soltas que juntas, medem intervalos de tempo.
Mas ela tinha deixado de usar relógios, pois não queria saber do tempo, odiava o tempo!

O tempo passou a ser demasiado longo para ela.
Passavam segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos, e ela não queria …

poesia

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agora é fruir o som dos Sean Riley and the Slowriders e ler
O olhar
Canto I
No princípio está o olhar. Ocasional e inconsequente olhar de ver, como se vê o dia, a noite, o automóvel e o pássaro, o cão da rua; como se vê o próprio umbigo. Sem emoção.
Mas quando se olha, corre-se o risco de ver, entre tanta coisa e tanta gente, alguém que estala, - às vezes rebenta – alguém que salta à nossa frente e se ilumina, ali aos nossos olhos, como um fogo de artifício, ponto de luz, inevitável foco para o não mais distraído olhar que nesse alguém se deixa, se planta e se vislumbra, como o olhar de uma criança que encontra o brinquedo perdido. Então não mais se olha. Apenas se vê. E quanto mais se vê, mais se olha porque olhar é o primeiro gesto de dizer que a vi. E que o meu olhar lhe diga que a percebo           - entre tanta coisa e tanta gente – e a percebendo gosto e gostando a quero. O olhar aí é a descoberta. O sinal de aviso. E quando ela se descobre olhada, também vê. E se quando vir percebe, e percebendo gosta, ol…

Queda

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Visto-me de chuva
tropical
quente o momento em que entras em mim
de___________vaga_r
onda sobressalto
salto alto____________________nave___g.a.r
profundo
o
olhar
translúcido
tríptico vitral.

Cais
de embarque
em mim
alma_________ sentidamente etérea
âncora férrea
casco
proa mastro banal
bandeira
virtual
mãos de riso
coração________preciso
bússola
batel.

Ensaio a________fuga
lume de cabelos ácidos
água mercurial
sa(n)grado o mergulho com que ascendo aos céus_________
____véus
de renda em nafta________

__________________o.f.e.r.e.c.e.s-me a tua boca de príncipe
________sorri(S)o orgulho magma
filme
nu
corpo
em
chaga.

Amanhecer

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Ensaio passos
nas memórias que me emprestaste.

Escrevo ao sabor do vento
os cabelosem desalinho
as letras
em palavras,
sem tradução.

Persigo o nascer do solno lago de um Deserto amado.
Aspiro o perfume das madugadas que transportas no respirar.

Regressas.

Masnão é minha a cordo teu olhar.

E chega a hora do sol partir
e dar lugar
ao luar.

Impacto...

No ar… 1 volta… 2 voltas
Impacto… 1 vez… 2 vezes… 3 vezes
Fumo, confusão, desnorte
Esperava a dor… A dor nunca chegou
Esperava o sangue… O sangue nunca jorrou
A consciência nunca se perdeu
Apenas me perguntei – afinal o que sou eu?
Um fantoche no meu próprio mundo
Marioneta da minha imaginação
Pensamentos negros e profundos
Para os quais não procuro explicação
Relembro o ruído
Mais ensurdecedor do que o silêncio absoluto
E o metal contorcido
Mais dobrado do que um coração partido

Germes

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Esfregou pela quinta vez o prato onde a cunhada comera o magro almoço que lhe apresentou nesse domingo, até ver nele o seu reflexo, as mãos vermelhas gretadas de higiene e raiva. Esfregou e nunca lhe parecia suficiente para remover todos os germes lá depositados pela brasileira feliz que o irmão escolhera para lhe infectar a vida de tropicalidades e sabe-se lá que espécies desconhecidas e fatais de micróbios comedores de carne.

- Você é muito fechada, Luísa. Se abre mais para a vida...

Abrir... Nunca gostou do verbo. Sobrevalorizado. A cunhada era uma deslumbrada com tudo, como se a vida fosse uma eterna festa de pátio com violeiros improvisados e churrasquinho a grelhar indefinidamente pela tarde fora. Mas Luísa sempre desprezou a futilidade imbecil da felicidade alheia, o deboche insultuoso do riso.

A luz de Inverno entrava pelas janelas da sala, tomando terreno timidamente pela casa fora, em câmara lenta, coada pelas cortinas de renda que mãe fizera há 30 anos, no tempo em que eram to…

Pedaço de Céu...

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Um pedaço de céu que nunca chega Um pedaço de céu só meu… só nosso… ou talvez de ninguém
Palavras sem dono perdidas no vento
Pensamentos soltos largados ao mar
Escrever e apagar
Lembrar e esquecer
Continuar a procurar
Pedaços de céu
Aqui mesmo onde estamos
Mundo real onde a lei é sonhar
Onde o sonho se canta
E a vida se dança
Chamas que nos aquecem e nunca queimam
Lágrimas que nos molham e nunca correm
Pelas nossas faces impolutas
… Impávidos assistimos a tudo o que passa
E sem mais nem menos deixamos que nos levem…
O nosso… Pedaço de Céu

Desafio: Música

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Depois de uma longa paragem nos desafios o Alone in The Dark - TXT tem um para te propor.


Ouve esta música e escreve para ela, sobre ela. O que o ambiente criado pelo som te proporcionar, inspirar.

[Os textos deverão ser publicados no dia 4 de Julho]

Boa escrita

AitD - TXT

Nota: Não existe qualquer limitação (no género ou dimensão do texto). Este desafio está aberto a todo o "universo" Alone In The Dark.

Perdidos e achados…

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Sendo esta a minha primeira contribuição no Espaço AitD - A Experiência Escrita, quero agradecer pelo convite que me foi feito para partilhar os meus devaneios e loucuras convosco. Já há algum tempo que desenvolvo o meu blog - The Things I Love To Hate ( thethingsilovetohate.wordpress.com) com parca regularidade mas sempre com a mesma intensidade. É assim que, com enorme prazer, me junto a este espaço onde se encontram outros bloguistas e se reúnem diferentes formas de escrita. Obrigado.



Perdidos e achados percorremos as ruas
As ruas de asfalto negro e gasto
Gasto e negro como os pensamentos
Que nos percorrem e arrepiam
Aquele frio na espinha teima em não desaparecer
Porquê? Pensamos…
Não paramos… mas por alguma razão também não estamos a andar
É um sonho? Um pesadelo?
Não… afinal estamos de olhos abertos e conscientes do que nos rodeia
Simplesmente estáticos… Um cérebro estático que teima em não parar de girar
Que complicados somos… Que opções tomamos…
Na generalidade não fazemos ideia porquê
Não…

poesia

Passeio


Deslizo
pelo teu corpo
sentado em gotas de espuma.

Procuro
em cada poro
a imensidão do teu
e do meu ser.

e a minha sugestão para acompanhar o passeio é
Steven Wilson - Well You're Wrong

O Mago

No mais profundo da meditação, ele surgiu à minha frente.
Sorriu e saudou-me simpaticamente. Os seus olhos faiscavam.
Era a primeira vez que eu o via nesta vida.
Depois de tanto estudar o seu trabalho, agora ele estava ali, a minha frente.
Houve vezes em que pensei que ele estivesse reencarnado actualmente.
Mas ali estava ele bem à minha frente,alguém que tanto admiro, pela sua firmeza de carácter e pela sua bondade.
O mago da primeira hora.
Perguntei-lhe algumas coisas sobre a magia da vida
Ele respondeu-me mentalmente o seguinte:

"A sabedoria verte a Luz. O trabalho é a grandeza.
O Amor é o elã que une essas duas maravilhas.
O sábio conhece e aceita isso.
E torna-se veículo dos mananciais curativos ocultos e projecta os seus benefícios secretamente para o bem de todos os homens, animais, plantas. Obra no mundo com modéstia e simpatia.
É vida de fé inabalável.
Jamais reclama, pois sabe que o espírito abraça o seu coração.
As luzes do mundo não o atraem, pois ele sabe que elas são transitórias.
Viajar

Infelizmente não me posso considerar um grande viajante no que concerne a viagens de turista sazonal. Aquelas viagens de cartão de crédito na carteira, máquina de filmar na mão, percorrendo quilómetros atrás de quilómetros, com estadia em casa de amigos, hotéis ou simplesmente em casa alugada. Essas viagens que misturam o afã diário com uma “pseudo-liberdade” embebida em filas de tráfego, areia na toalha, matas apinhadas de gente e de lixo, restaurantes a abarrotar e filinhas para visitar este ou aquele monumento. Aliás, não creio que isto seja viajar no sentido literal do termo. Isto é tão-só trocar de espaço físico ou muito simplesmente de horários. Não pretendo com isto dizer que não seja importante conhecer feições diferentes daquelas com que tropeçamos todos os dias no prédio, no emprego, no café, no restaurante ou, muito simplesmente na rua que palmilhamos. Para além desta vertente, este viajar permite constatar uma realidade que tantas vezes nos recusamos a aceitar. Mas sem qu…

Arquétipo

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No princípio Deus criou os céus e as trevas e as águas e o fogo e as plantas e os bichos. E viu Deus que era bom. E foi a manhã de um dia eterno. E disse Deus: façamos o homem e que domine sobre tudo o que se mova sobre o universo. E lavou o mundo, expurgando-o para receber o ser sublime.E porque Deus, sendo fêmea, só sabe gerar dentro de si, olhou o seu corpo gasto pelas gestações. E porque Deus, sendo imperfeito, não conhece a substância do divino, olhou as deformidades da matéria. E porque Deus, sendo finito, recebe a morte na taça da criação, olhou os elementos e rasgou uma vez mais o seu manto.E disse: bebamos as águas, que são fluido da vida, para que o eleito seja transparente e tenha o ímpeto das correntes. E, depois de beber, foi Deus às florestas e cheirou a terra.Mas o primeiro homem era informe e sujo. E ao tocar-lhe Deus sentiu os vértices do caos. E viu Deus que era mau. Tirou-lhe a vida e guardou-a entre os ramos dos seus cabelos. Beijou-o, deitou-o no regaço, enterrou-…

Pensamento fugaz

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Existe um momento em que a mente do espectador e a do artista se tocam.



Nesse momento, desvela-se a suposta separação (afinal ilusória)
e, numa continuidade de consciência(s), embalados na íntima magia
dos sons, das cores, das formas, das ideias ou das palavras,
partilham sentimentos, imagens, ideais e sonhos.
Ambos choram e riem, recebem e dão.
O coração acompanha o ritmo da vida, esfuziante.
E dá-se a Comunicação, que não tem espaço nem tempo.
Como se fossem Um, unidos pela Obra, agora comum!

Para a criança mais linda do mundo…

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Para não fugir ao inicio de qualquer historia de encantar, era uma vez uma menina, que um dia recebeu uma noticia que a deixou muito feliz, ia ter uma mano!

Mas o mano nuca mais nascia, o tempo demorava a passar, como seria o mano, como se chama o mano…a ansiedade crescia de dia para dia.
Dizem os pais, pois com 3 anos ela não se lembra, que foi ela quem escolheu o nome.
E, num belo dia de Agosto, o Pedro Miguel nasceu, o menino dos papás e a alegria da mana.

Mas um dia (e deste dia, ela tem vagas recordações) depois de irem com o Pedro a uma consulta, os pais desataram a chorar, e a tristeza invadiu aquela casa. E ela não percebeu, demorou algum tempo até que a tristeza desse lugar à alegria de outros tempos… mas a alegria voltou a inundar aquela casa.
Ela continuava sem perceber o que se passava, mas tinha um mano que adorava, uns pais que adorava, logo estava feliz e não queria saber de mais nada, coisa de adultos pensou!

O tempo foi passando, e os manos vão crescendo sempre junto…