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A mostrar mensagens de Julho, 2011
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Mão direita, estou de férias.

Aqui a possuída pelo diabo está de palma virada para o céu a cristalizar água salgada entre as pregas das linhas.
Escrevo-te porque na verdade preocupo-me contigo. Não te deixei nada no estômago para o jantar, nem os dentes lavados, muito menos a camisa abotoada. Tens ainda uma caneta em cima da mesa quadrada à esquerda para amestrares. Trouxe o relógio comigo pois duvidei que conseguisses dar corda antes das horas acontecerem e não quero-te desnorteada nos dias. Mas se reparares no canto superior esquerdo da estante tens uma ampulheta (fácil, não?).
Agora vou para o sol voltar-me de dorso. Só para te avisar que as unhas ficaram assustadoramente pintadas e tive de pedir a um pé esquerdo havaiano para as retocar.

Beijinhos soprados na mão… não os deixes cair quando chegarem aí. (Se caírem não fiques triste, afinal não tens culpa de estares do lado direito do corpo e estes beijos serem terrivelmente canhotos).

sem titulo

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Passaram 2 anos, 6 meses e 28 dias que um dia não me consegui levantar da cadeira. Estranho pensei, nada de especial, horas a mais à frente do pc, estava na hora de ir para casa. A dor não passou e consegui uma consulta de emergência para o dia seguinte, uma normal consulta de ortopedia. Não era novidade que tinha artrose na coluna, devia ser uma crisesita…E vamos lá tirar um rx, para ver o que se passa.
No dia de ir mostrar o rx, a dor ainda não tinha desaparecido, era incomodativa.
Na hora o médico olhou para mim, e com aquela frieza como quem pede um pastel de nata e meia de leite, “a menina tem coxartrose bilateral. O que é isso? As 2 cabeças de fémur já não têm cartilagem a proteger os ossos…O quê???? Sim tem de colocar próteses, 2 próteses!"

Lágrimas corriam, lágrimas correm!

Parece que foi hoje que ouvi ele dizer isso. Sabia o que era, a minha mãe também tinha…mas eu tinha 33 anos, 33!!!!!!!!
“E o que tenho de fazer? Nada, espera até um dia deixar de andar. Deixar de andar?!!…

Desafio "Postal das Férias"

Estamos em período de férias, de evasão, de outras paragens e de muita inspiração. Por isso queremos desafiá-los a enviar-nos postais das "vossas" férias.

Tirem uma fotografia e acompanhem-na com um texto de cerca de 100 palavras.
Este texto não terá de obedecer à habitual estrutura de "postal" e não terá de vir do tempo presente ou de um lugar real. Passado, presente, futuro, outra dimensão, realidade alternativa, centro da Terra, galáxia a um zilhão de anos luz, terra do nunca....... a vossa imaginação é o limite.

Envie-nos todos os postais que quiserem e quando quiserem até ao dia 31 de Agosto.
Boas férias.... e escrevam

Não se esqueçam de colocar a etiqueta "Desafio Postais das Férias"

Insensatez (How insensative)

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Regresso tantas vezes
quanto as que
parto
corações
aos pedaços
que distribuo
com o olhar
pelas bocas
famintas
ao luar
no deserto
sobre mim
o teu corpo inerte
após a explosão
n
u
c
l
e
a
r

fusão

a t ó m i c a

sem igual
o teu sorriso
de
(a)mar
na distância
que vai daqui-aí.

Confidências em epiderme de cordeiro

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Não imagino o que fazer nas noites em que as mouras encantadas cospem raios, serpenteiam por grutas ou diluem-se em água.
Igualmente não imagino o que fazer nas manhãs em que as fadas tocam nas cabeças dos bebés com varinhas e desejam que sejam bonitos e inteligentes para depois crescerem e passarem cem anos a dormir na torre mais alta do castelo.
Na verdade, nunca soube o que fazer nas tardes em que o João troca vacas por feijões e depois fica com um pé a bater nas nuvens.
O que tenho de certo é que hoje (tal como ontem) entre o final da manhã e início da tarde fui outra vez obrigado a andar com uma sutura de alto a baixo na barriga para depois, por causa do pêlo, os pontos infectarem sempre. A menina de vermelho irrita-me de cada vez que me confunde com a senhora das rugas. É muito triste quando um animal não consegue reconhecer outro da mesma espécie, ainda mais quando se diz racional. E desde quando é que o "é para te comer melhor" implica que o acto seja consumado? Como po…

Desgaste...

Desgaste na pele que me fere
Seca… profunda
Nas vozes que ouço
Rispidas… tristes
Nos sorrisos que vejo
Falsos…
Desgaste por tudo e desgaste por nada
Pelas voltas que a vida dá
E pela vida que as voltas dão
Por esperar e desesperar
Acreditando que um dia vou alcançar
Desgaste por mim… Desgaste pelos outros
Que não pagam o que devem
Ao coveiro cobrador
Cada dia que o sol nasce
Nasce menos democrático
Já nada é para todos.. já nada é de todos
Aliás – alguma coisa é de alguns?
É gritante o desespero que se vê
Que se canta, ouve e propaga
Como a peste… negra… de carvão
Folheio mais uma página do bloco
E por meio à letra que já mal se percebe, apenas uma palavra…
Desgaste

Duvida...

O meu sol nasce quando o dos outros se põe
Os ponteiros do meu relógio giram na direcção contrária
Penso aquilo que digo
Mas, infelizmente, nem sempre digo aquilo que penso
Sinto-me diferente num mundo igual
E cada vez mais sinto-me um “carneiro” a mais
Armado em drama social
As minhas horas não passam… param
Mas no entanto o meu tempo voa
Os meus lençóis picam e o colchão faz doer as costas
Mas adoro passar o dia na cama
O espelho vale por três – mostra o que sou, o que fui e o que queria ser
Talvez por isso não consiga desviar o meu olhar
Sei aquilo que quero
Mas não devo querer aquilo que sei que mais falta me faz
Afinal se não faço o suficiente para lá chegar
De que me posso queixar?
Deitar culpas à vida é fácil
Difícil é por a vida na culpa
Assumir, viver e lidar
Com dias amorfos e noites perdidas
Sentimentos confusos e mãos trémulas
Fraco para agir… forte para errar
E burro por continuar a teimar
Assim sou, assim me encontro
À espera de um caminho que devia procurar
“Quinianamente” subsisto de joelhos
Ape…

Lavração de testamento

Eu, Maria, encostada aos portões desta cidade, nomeio para meus testamenteiros aos senhores, que este virem, ouvirem ou dele notícia tiverem. Saibam que estando em perfeito juízo e sem qualquer induzimento, atesto por fé, sem testemunhas que o comprovem, ser esta a minha última vontade, a derradeira, no momento em que abdico do que fui. Deixo cada coisa que juntei neste mundo a quem ma deu. À minha mãe deixo a pedra do adro da igreja, a vergonha de que me vestiu, o corte de metal rombo que nos separou , o primeiro grito, o beijo que me negou. Aos que me criaram deixo as braçadas de lenha, as costas partidas, os ilíacos e as costelas a rasgar a pele, os prantos, os trapos, as vergastadas, os beijos que me negaram. Ao meu pai nada deixo porque nada me ofereceu.
Ao homem que me comprou deixo a cabra por moeda da transacção, a saliva obscena na minha boca, os cabelos arrancados, a cama sórdida, os beijos com que sugava todo o meu corpo apesar de eu negá-lo. Ao homem a quem me…

Afogada em mim...

Sinto-me a asfixiar, como se me estivesse a afogar em mim mesma.

Perguntas, tantas e sem respostas!

Porquê eu?
Mata!

O que tenho?
Corroí!

O que falta saber?
Desanima!

O não ver melhoras...
Dói!

Manter a serenidade...
Complicado!

Lutar...
Uma obrigação!

Os meus dias são diferentes, acordo com sorrisos ou acordo com lágrimas.
Estranho!

Ontem acordei com falta de ar, sem duvida, mais uma vez o psicológico a pregar-me partidas.
Sim falta-me o ar!

E olho para dentro de mim e sinto-me a afogar, pensamentos tristes de incertezas, disfarçados por sorrisos fingidos.
Socorro, não consigo respirar!

E se me deixar afogar, o barulho vira silêncio, as lágrimas sorrisos, os sonhos realidade?
Não quero morrer!

E volto para os meus pensamentos...

Castor e Polux (resposta ao Desafio 'Música')

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Quando a montanha te chamar,
E a chuva sussurrar o nome que antes fora teu,
Saberás que estou contigo

Se a terra debaixo de teus pés gretar de sede,
E o fogo pastar na escura floresta que te ensombra,
Saberás que estou contigo

Quando a palavra que nasce entre lábios de escárnio,
E a luz colapsar ao tocar nos teus olhos vazios de compaixão,
Saberei que estás comigo e contigo de novo ficarei

Pois eu sou a essência desse nada que és tu
E tu, nada és senão o sopro da minha existência
Irmão, dupla face de meu destino inquieto

Mas eles… oh,
Eles, nada sabem sobre a existência desta sombra que nos une
Nem da morte que colapsa sob a luz do nosso olhar

Escondem-se nas gretas de chão, no arvoredo da noite
Sussurram, mas a chuva não os cobre,
Nem a montanha os acolhe

Eles… sonham
Sonham
Embalados pelo canto da mãe
Enleados no uivo ancestral que nos une ao sagrado
E sonham com a loba morta sob o pesado cajado do Pastor

Mas sabes que mais?
Hoje sonham comigo
E contigo
E de madrugada
Tudo será …

dream boat

Dream boat

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Nocturno pastoso de águas poluídasnáufragos perdidos em resgates que tardamrasgam-se algas, tubarões a alguns sonares de golfinhos moribundosem ascenção aos céus de oxigénio artificialO ruído é um tumor cerebral que afugenta (n)a agonia da guerra que o homem inventapara se sentir senhor de siede todos os outros que ensurdecem com a cegueira sem ensaio.

Tesouro

Simplesmente deslizei pelo mar...
E comecei a escrever.
Embalada pela música das esferas,
Soltei-me nas ondas espirituais.

Então, vi os espíritos dançando na Luz.
E eles vieram ter comigo.
Sim, eles estavam mais vivos do que nunca!
E disseram me que saudade não tem idade.

Mergulhei com eles, algures...
A abóbada sideral pontilhava de vida.
Eles riam tanto - tão vivos.
A alegria deles era um tesouro.

E eles disseram:
"Escreve o que o teu coração pedir.
E que os escritos sejam um tesouro.
Deslizei de volta pelo mar.
Aqui estou eu, sem palavras.
Porque há algo mais... Uma Luz. Um Amor.
E isso é um tesouro.

Sim, um Grande Amor me arrebatou.
Fui, algures... Além da linha do horizonte.
Era no mar do meu coração, onde está o tesouro.
Então, escrevi... Enquanto os espíritos dançavam.
Porque o infinito está repleto de vida e riso...

Ah, os contos antigos estavam certos:
Há um tesouro no fim do mar.
Há algo mais, sim... Uma Luz. Um Amor.
Enquanto eu fico aqui embaixo, bem quietinha,
Os espíritos continuam dançando l…

Fechado...

Fechado... preso Envolto na escuridão Frio... Gélido Não sinto a palma da minha mão Olho em volta Vagos e vazios são os rostos Chaminés que cospem fumo Para um céu negro pelo coração dos Homens Asfixiante sensação de nada Lento, quente... chega o manto Negro que cobre tudo É o adeus... fechem a tampa Finalmente vou saber... Haverá vida para além da morte?

(De) Passagem

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Acordo a vida que há num respirar intenso
notas de melodias inventadas em cada olhar que me aquece
escrevo(-me) em palavras repetidas

sempre novas

leituras proibidas

d.i.v.i.d.i.d.a.s

sei de cor o caminho que me perde de mim

apr(e)endo

p a s s o a p a s s o

momentos

em

que o voar

é o regresso.

A dor é apenas (um) sinal de que o vómito espreita.

Saio de mim

e

ressuscito

(em) musica.

Como se o meu corpo fosse apenas alma.