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A mostrar mensagens de Novembro, 2011

Rouco

São estes momentos que fazem a minha inutilidade. Quando fico sentado numa cadeira, a desenrolar os novelos do tempo. Igualmente agora sinto, essa fragilidade colossal crescer dentro de mim. E a ferida que volta á carga, e arde, e arde… por não te ter dentro de mim! Já lá vai o tempo… o tempo em que te encontrava no tecto do meu quarto, fechado na doce utopia de ganhares uma forma literal no papiro. E eu sorria, e sorria, quando sentia as tuas botas de couro pisarem o meu Jardim interno. Foi contigo, e foi nas tuas rugas que aprendi a disfarçar as cicatrizes de essência. Tu
eras os pregos que estavam nos cantos dos meus rasgados lábios... Tal qual se dizes a tua arte, fingida!

Hei hei hei

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Hei hei hei ....... não estamos muito activos por aqui...::)
Toca a escrever .....beijinhos
Vou promover o blogue nas páginas do Face
beijos
Teresa Queiroz

foto: Teresa Amaro

Queda

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Raiz
nascida
na pálpebra
rasgada
um arco
curvado
num olhar
sentado

Pestana
franzina
com pé
dançado
nas narinas
torvelinha
nos lábios
é fininha

Descido
o pescoço
ao ombro
encosta
segue umbigo
hoteleiro
com pensamento
coveiro

Finalmente
afadigada
nos pés
deitada
com pálpebra
distante
e bainha
rasante

Pestana
corcunda
que dobra
não parte
ginga
pela estrada
na noite
assombrada

abraça-me , só porque te conheço o afago ...

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estás aqui ?
segues ao meu lado ?
...não conheço quem me abraça , não conheço o seu som
estás aqui ? estás ao meu lado?
já não te oiço !

não te vejo ...
já não te sinto
nunca mais te senti ...
nem vejo a tua sombra
estás aqui ?
segues ao meu lado ...?
nunca mais te consegui tocar
assim como quem já se esqueceu do som..

abraça-me ..só porque te conheço
revira-me
dá-me voltas .... grita.me ou sussurra-me ...
não me morras
tal como prometes-te ...

não andas por aqui !
nunca mais te senti ao meu lado ....
já nem sombra me és
se calhar
eu nunca mais te quis
e asseio o teu abraço ?
só porque já não sei quem me abraça outra vez ...

embaciam-me os olhos
estás por aqui ? segues ao meu lado ?
não te cheiro

Vamos editar o Alone in the Dark ??????

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Depois de ver , ler e participar no vosso Blogue .... 

A Pastelaria sugere que se comece a pensar numa colectânea ! 

Vamos editar o Alone in the Dark ??????


espero o vosso parecer ....

pastelariaestudios@gmail.com


Teresa Maria Queiroz

Remoto

Outrora, quando os meus olhos ainda brilhavam por qualquer coisa que fosse luzeiro, os meus sonhos alcançavam uma distância tão curta que o tamanho actual dos meus braços seria capaz de lá chegar sem o mínimo esforço, sem um só gemido ou sufoco. Agora, os meus sonhos, aos meus olhos, são do tamanho do céu; do comprimento da terra. E as estrelas, que outrora eram… imaginem a incandescência mais pura que se pode ter. Hoje poderão imaginar uma névoa cinza que se aglutina com os corpos celeste. E, sabem uma coisa? Ontem descobri que os meus braços não são de tal tamanho.Frederico Vanesgard

This Woman

http://www.youtube.com/watch?v=V0STQJguxmg&feature=player_embedded
Respiro-TE em ausências de momentos em que a luz difusa me penetra como se a tua mão na minha fosse ainda o caminho. Lascivos os olhares com que nos bebíamos (S)em pressas que transbordavam de silêncios contidos. Procuras-ME em noites de Lua Cheia, quando me transformo em loba e te devoro em reticências. Sabes a pedras salgadas, a fumo de sobro e a flores silvestres, com que me debruas os seios de auréolas rosas em bicos de espinhos. Soltas perfumes de cristais no mercurio com que iluminas as manhãs que transportamos ao colo, sem que ninguém saiba, em segredo, ao mesmo tempo que me telefonas para dizeres: amo-te.
Finjo que te esqueço, quando o café arrefece o açucar e o chá de menta sabe a deserto na alma que tocas cada vez que me entoas canções e me esperas na esquina onde mais ninguém passa, para não saberem deste amor proibido, celebrado um dia por semana, todos os anos, mesmo hoje, quando o cabelo (a)dourado se d…

Clave de Sol

Firme o rochedo que (me) suporta
em puro (de)leite de ti
quando descanso
as bocas
as pernas
e a alma
em olhares lânguidos de prazer
gozado
(o)usado
derramado
pelos movimentos em rotação
translação
de mim.

Chegas com a musica
nas mãos
no corpo
as sinfonias que inventamos
suores frios
transpiração
em notas soltas
dum concerto inacabado
solfejo explorado
bailado de flores
em aromas perfumados
sexo e lágrimas
pela distância que não queremos
mas
temos.

Então,
a vingança do teu corpo no meu
a saudade das almas
que se fundiram
e permanecerão
una
a violência e paixão
num orgasmo sem perdão
pecado
bocado
de ti que sempre em mim ficou.
E germinou.

E o teu gesto
(e)terno
nas noites em que me afastavas o cabelo dos olhos
para o beijo que perdura até hoje
para além do tempo
em que
o meu corpo era a tua inspiração
e a tua musica
a minha mão.
(Que ainda ampara lágrimas, quando me olhas...assim...)http://youtu.be/h8lVabAajMQ

As Melodias Venenosas

O mal,o mal é eu viver no meu corpo,É a minh'alma ter a sua vontade,governar-se pelos seus meios.Enveredar pelas florestas de dor,e mergulhar nesses mares do mais profundo,do mais recôndito e esquecido estigma.Viver dentro de mim, mim mesmoe ver como régio o meu mártir medo.Quando se tenta voar acima do nosso solo,as cicatrizes rompem novamente, rompem ao nosso descuido.E o efeito das melodias venenosas,Desvaneça, para desespero do adicto.
Frederico Vanesgard

Cristal de Quartzo

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Jacarandás quase em flor
tílias (s)em chá
quartzo vítreo
perfumado
amado.

Serra ardente
fogo controlado
palavras por inventar
caio em mim
espanto-me
reconheço-te o olhar

quente
impaciente
envolvente
em semente
a germinar

estás onde sempre estiveste
não há longe
nem tempo
agora é o momento
de recomeçar.

Estou a caminho...

Palmas compassadas que não ritmavam com as minha

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_é hoje o concerto! Temos bilhetes para um camarote ! _quantas pessoas podem estar no camarote ? _ acho que cinco… _Tens mesmo o bilhete do camarote? Onde é que o arranjaste ..? _ não te digo !! tenho !! e é hoje ! …rias-te …
Esperávamos há meses pelo concerto do Gilberto Gil , ao vivo no Coliseu . Ouvíamos todas as músicas, vezes e vezes sem conta. O “Realce”, rolava no gira-discos, sempre para o mesmo lado e sem tonturas ! Ouvíamos e dançávamos, horas seguidas, tardes inteiras. Sabíamos as letras de cor.
“Realce …..Quanto mais porpurina …melhor …l ala la ….”
Pulávamos , e respirávamos tudo o que era positivo naquelas músicas que nos faziam crer que tudo, mesmo tudo e apesar de tudo …iria ficar sempre bem .
_ tens mesmo os bilhetes ??!! Eu nem acredito - È um bilhete só , parva ! É um camarote … _E quem é que vai ? _ Vamos nós todos … - Mas somos mais que cinco…. _Não faz mal, vais ver que cabemos lá todos .
Doía-me a barriga , a espera dava-me cólicas, ou formigueiro… as horas não passavam !
_ Põe …

Rosa Crucificada

O sacerdote que fornica a rosa não foi tentado,Essa foi a sua intenção.Ele, pervertido mor,Come a carne com gula,Demanda o que lhe é negado.Trapaças e teias de fantasia,a catarse prometida, mentira rosada
Quando o sino toca, e o silêncio volta,Caminhas com cautela, pões a batina no armário,sedento de boémia, entras no quarto dela,Começa o bordel no santuário
O véu cai, tocado pelos teus dedosMordes-lhe os seios,sem receios, sem medos.Ajoelhas-te, sereno, devoto à reza habitual,olhas a rosa enfeitiçada,e a tua língua desliza, ao encontro do prazer carnal
A contorção do seu corpo, a tua volúpia.Procuras desafogo, desejo desmedidoSacrifício de uma rosa sem espinhos,Obediência cega, um orgasmo concebido.
Carne contra carne, veneno que escorre,Suor febril, delírio algo vazio.Um arrepio arrojado,depois do acto consumado.Repara... só tu é que acabaste molhado!

Amanhã …provavelmente...morreríamos outra vez!

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Estava um calor que secava gargantas. Trabalhávamos num escritório mínimo cheio de cadeiras de madeira velha, secretárias de fórmica e antigos papéis mata-borrão em cima de tudo o que se parecia com uma mesa.
Naquele escritório, raramente apareciam os advogados que o arrendavam.  Ali nunca nada se passava, os dias eram cheios de silêncio, a luz morria em lâmpadas de vinte velas. Ali, não víamos nada nem ouvíamos nada, só porque aquilo, por ali ,era menos que quase nada.  Não tínhamos muito que fazer, só pequenos afazeres burocráticos e bafientos.  Morríamos dia a dia . E tão bafientos nos sentíamos, desarranjados de vontades e adormecidos de sensações que desmaiávamos todos os dias, caindo na  letargia instalada Aquele devia ser o Verão mais quente, que eu me lembrasse …
Chegávamos ao escritório com pouca roupa e com a pele luzidia e banhada em Sol matutino.
Eu imaginava-me uma executiva, num arranha-céus de uma qualquer cidade europeia, e mordendo a ponta da caneta, lá me sentava em cadeiras…

Cá estou !!

Antes de qualquer outra coisa que possa escrever por aqui .... o meu obrigada !!

Teresa Maria Queiroz
continuando assim...

Deformidade

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À nascença eram perfeitos. Vinte dedos, pulmões limpos, grito agudo contra a liberdade puxada com ventosas. Um forte rapagão. Uma doce menina.

Nessa mesma noite, uma lâmina de lua roçou o seu rosto e obrigou-o a abrir os olhos. Entre uma sístole e uma diástole, o seu coração cresceu um milímetro. Ninguém reparou no seu olhar branco.
Na manhã seguinte, estilhaços de sol cravaram-se nas suas pálpebras e forçaram-na a abrir os olhos. Entre uma diástole e uma sístole o seu coração encolheu um milímetro. Ninguém reparou.
Quando o tempo o fez homem, já não tinha espaço no peito. Uma enorme massa de músculo, sangue e veia insuflava-lhe a pele convexa e arqueava-lhe as costelas. Como podiam os doutores da ciência não ver a deformidade no seu corpo e na sua alma?
Quando o tempo a fez mulher, já só tinha espaço no peito. Um poço seco e sem compasso erodia-lhe a pele côncava e implodia-lhe as costelas. Como podiam a ciência e os seus doutores não ver?
Tentou perder o que sobejava em muitos lençóis, …