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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

O vento que sopra.

O presente é uma rajada de vento Futura de um pretérito perfeito Cujo alento resume-se ao intento De destruir o que já foi feito

Chamaste-me como se eu fosse brisa e fui como se fosse vento

Depois de já ter engolido o meu lamento,
De repente quiseste-me outra vez a teu lado.
Chamaste-me como se eu fosse brisa e fui como se fosse
vento.
Novamente ter contigo, o sentimento agridoce.
Esperaste-me enquanto dormias. Eu acordei cedo e cheguei.
Fosse como fosse,
Do caminho entre o levantar e o aparecer à tua porta, nada viste enquanto dormiste.
Das dúvidas, pesadelos que tive durante a noite, nada soubeste.
Eu fui, como quem sai de sua casa ao encontro de um filho perdido na floresta.
Com o único intuito de salvar o nado-morto que nunca viveu,
Mas que é o único vestígio de nós dois que me resta.
Resgatar das cinzas do meu desespero uma certeza qualquer.
Como um cão que escava no chão em busca de um osso
Entreguei o que era teu e fiz do que era meu, nosso.
Agora que já sabes os meus segredos, e a parte que para ti não presta
Já descongelaste um bocadinho os teus medos?
Por ti caí. Mas mesmo cega lá consegui levantar-me.
E, ainda que nunca consigas amar-me
Sei que já tive o melhor de ti, Altiva seg…

a cinza caía-lhe em cima ...

Tentava segurar o cigarro entre dentes, inspirava o fumo e deixava que se soltasse Dilatando as narinas, escrevia num teclado apagado, assim como se apagam pedaços de vida , mal se vêem mas estão lá, adivinha-se o sítio. O fumo ardia-lhe nos olhos, lacrimejava e não tinha mão que lhe secasse a face . Ocupava os dedos dedilhando um teclado que se esbatia de uso, a cinza caí-lhe em cima do peito, agora não podia parar, nunca mais poderia parar. Os olhos ardiam, e não viam mais nada para além das sumidas letras de um teclado usado, tão usado quanto ela. Tinha-o usado na vida, gastava-lhe o tempo Usava-se, a si mesma, para tentar reescrever vida. Escrevia-a em pedacinhos, pequenas frases, letras escondidas em palavras demasiado rebuscadas. Era nessas alturas que pensava que a vida não se podia voltar a pintar, a tinta caía com o tempo, por si só. Remenda-se ali, pincelava-se acolá. Imperfeita Em paredes gastas, teclas usadas e pinturas maltratadas, a vida corria plana , sem círculos. O fumo amarelec…

Ian Curtis, o génio que pensa no que sente

Ian era um jovem que se interessava por desvendar os mistérios da Natureza, do Universo e, sobretudo, da própria humanidade. Ian perdia-se no querer contínuo de se encontrar a si mesmo e de descobrir o significado da sua ignóbil existência. Inconformado com a utilidade do conhecimento empírico e com conjecturas edificadas por outro alguém que não ele, Ian era o cantor, poeta e filósofo que via o mundo através de uma conjectura metafísica própria e vivia segundo uma doutrina sob a qual mais ninguém vivia. O seu génio voltava as suas atenções para os ensinamentos do ocultismo e suportava consigo a ânsia desmedida de se querer descobrir a cada passo que dava. (Muito) Precocemente apaixonado por letras e pela poesia do britânico William Wordsworth, Curtis revelava um dom aprimorado para a escrita. As suas músicas eram constituídas por letras banhadas a sentimento puro que, por sua vez seria, asfixiado na beleza com que o inglês escrevia. As suas composições líricas retratavam, na maioria,…

Frio....está frio...

Imagem
Sinto o gelo da dura realidade entranhar-se em mim até ao tutano...

Frio....está frio...

Sinto a réstia de crença a fugir entre o tique-taque do relógio,e este não pára...

E frio...está frio....

Corpo morto...mente descrente....

E frio....está frio....

Oh doce  inoçencia onde foste?.....

Tudo o que sinto é "nada", esse "nada" onde se... "encontra tudo".......

E frio...está frio.....

Tu!, sim, tu! também sentes frio?! Sentes....sentes!! tens de sentir! tens de sentir....frio....está frio

....está.... frio......

VULCÃO

Entrei, seguiste-me, sentámo-nos, tocaste-me numa perna, entrelacei a minha mão na tua.

Fumaste um cigarro, sentámo-nos perto, aqueci as nossas mãos entrelaçadas.

Nada estava previsto e tudo foi previsível. Excepto termos entrelaçado as nossas mãos.

Deitámo-nos com elas dadas, encostámo-nos, beijámo-nos, amámo-nos, dormiste, acordaste, repetimos.

Prendeste a minha mão na tua, abracei-te, beijei-te, balancei-te como a uma criança,

Agarraste-me com garras feéricas, entraste na minha cabeça, inundaste-me de esperança.

Abracei o teu estertor,amparei-te das alturas em que caíste tantas vezes no limbo do sono.

Aqueceste-me, abraçaste-me, embalaste-me em espertina contra os pesadelos do profundo.

Não dormi, ouvi-te respirar, gemer uma dor que vinha do fundo, acordaste, prazer, dormiste, acordaste e estávamos abraçados

Não dormi nem acordei, esperei e abracei-te.

Onde está a tua mão em mim pousada, no meu dentro? O teu beijo desajeitado, desesperado em carência tão grandiosamente incomensurável?

Acaso…

MAS MESMO ASSIM

Não foi bonito, nem fácil, nem alegre, nem curto, nem linear, o trajecto Não voou atraído por doces néctares ou promissores aromas, o polinizador Não cresceu verde, nem tenra, nem depressa, nem viçosa, a semente Sinuoso, extenso, triste, difícil, feio e trágico, cheio de mortos e desilusões Proscrito, andrajoso, tóxico, rastejante em rumo a pútridas essências Por fim raquítica, vagarosa, rija, amarelada, sem embrião nem água Esperada para decomposição em charco de mágoa… ... Mas mesmo assim, fez-se o caminho, a planta cresceu e o amor nasceu. MM' 25 Jan 2012