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A mostrar mensagens de Março, 2012

estática formidilo

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O SALITRE DAS ARRIBAS

Nos reflexos na janela esborratada pelas mãos da criança perdidaRevelou-se o desenho da tua memória nunca antes invocadaQuem és? O regresso adiado das coisas imaginadas e feitas jamaisQuem foste? Os sonhos inatingidos e castrados à nascença pelos próprios paisQuando te deitas em que pensas? Na tua vida na que imaginas e na que tens.Nas promessas de um caminho pelo qual afinal não vens? Despido de todas as aberrações e capas.Ser simplesmente como se éUm chá. Numa terrina de sopa. Percebes a ironia? Estarei louca? Seria a mesma ao acordar? Preferias café? No teu olhar vejo o mar. A saudade das causas vencidas e das horas mal passadas.As tuas ondas são mais salgadas. Trazem a maresia e os ares da montanha.Que completa e encaixa na planície da erosãoEvocando um mundo maior onde o criador foi peremptórioEm separar as águas com avidez tamanhaQue a bebeu toda e no seu lugar deixou o céu.E o teu sorriso de menino perdido que esborrata desenhos no vidro partidoCorta-me em perfeitos cacos e dei…

Antes que o sol nasça

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Antes que o Sol nasça ama-me com pressa que o tempo não chega para este sentir (e)terno
antes que o Sol nasça acalma o meu medo de partir apesar da insistência evidência persistência por já não ser quem era toma-me nos braços e grita o meu nome às estrelas nesse amor que sei único verdadeiro e confiante como só pode ser o (teu) amor.
Antes que o Sol nasça e mesmo que eu não mereça imortaliza-me num poema canção dança estátua de sal fogo paixão imortal.

O mundo, teu

Sou um conjunto de ideias vomitadas,
Por uma boca nómada
Onde todas as filosofias estão radicadas.
Circundada pelo ócio,
Ensopada pela vontade,
Exsurge-se-me a vontade de tudo abecedar.

E fosse o mundo um quadrado não explanado
Desvanecendo-se na vontade de ser achado.
(Assim giraríamos em linhas rectas, tal eco, tal eternidade)
E fosse o mundo o vácuo, que eu me calava
Só para te ouvir com os olhos.
(Pascendo-me nos céus, tal beleza)
E fosse o mundo tu e eu, mais nada,
Onde nenhuma metafísica minha estivesse errada.
(Tal utopia, tal cegueira. Paixão, essa, por inteira)

Mas tudo o que escrevo estropia-se no espelho.

Como um tiro falhado,
Sou poeta errante,
Estatuado,
Com ar de navegante,
À espera que a minha bala penetre o peito
De quem me causa deleito.
Sentimento abinício revela-se um esquisso.
Exumo tudo o que penso
Escavacando ao paroxismo do desalento.
Ego abúlico revela-se ábio
E nidificando-se em ti
Quer vida.

Agora, pasmo,
Chora, escondido na sombra de te ter luarejado.
(Pena que seja lucífugo)

Fosse o mund…

Desafio: Anúncio para primórdio

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Desta vez o desafio tem um ponto de partida. Imaginem que abrem o jornal e enquanto passam os olhos casualmente pela página dos classificados deparam-se com este anúncio:


Soltem a imaginação e criem um conto ou um poema que comece aqui. Até onde irá e como acaba é convosco. Não se esqueçam de associar uma música aos vossos textos e de colocar a etiqueta "Desafio: Anúncio para primórdio".
O prazo para entrega é o dia 31 de Março (mas não esperem pelo fim).
Boa escrita.
A administração do AitD-txt

AINDA NÃO

Dá-me vontade de olhar para os rostos das pessoas. Mesmo sabendo que a sensação é de impessoalidade e que a maior parte dos olhares são vazios, fechados, introspectivos ou simplesmente ausentes. Causa-me tamanha curiosa impressão. O vai-e-vem. A desumanização das relações que se prolongam para além destes momentos de trânsito. Tudo misturado. Todas as cores e formas de vestir. Todas as raças. Gosto e não gosto de me sentir anónima nas pequenas multidões.

Nos bancos do metro, esperas em não-lugares que não são nada senão antecâmaras de uma outra coisa qualquer. Mas sinto falta de ar. Não é que não respire. Inspiro oxigénio e exalo dióxido de carbono como todos. Mas falta-me a dimensão da luz do dia. E fico feliz por o meu lugar não ser ali, e de não pertencer a coisa nenhuma feita pelos homens. Por os meus olhos serem livres de ver outras paisagens. O mar, o céu azul, os vegetais rasteiros e as plantas mais altas, os pássaros marítimos, os nós retorcidos dos chaparros. O cheiro doce do…

Estro Eufémico

O meu coração é um balão Que anseia por uma corrente de ar Desde que os meus olhos em ti foram chocar. Como crer não é ser, mantive-o ábdito e abscôndito até agora. Mas desde o momento em que uma abentesma me veio relatar que, Lá fora, Dançavam árvores acárpicas asfixiadas na sua tristeza de terem estropiado aquilo que as embeleza, Que ele tem vindo a inchar. Abaloaste-me o coração sem me explanar o seu porquê. Recorreste ao teu estro com palavras caladas pelo teu olhar eufémico de me querer causar excídio amoroso. Chegou o ar, O balão está amarrado por um fio. E o vento sopra, sopra tempestuoso.

Colectânea "Corda Bamba"

em nome da Pastelaria Studios Editora, tenho o prazer de vos convidar..





colectânea Significado de Colectânea subst. f. 1. colecção de textos de vários autores


Vamos iniciar uma nova colectânea ...desta vez só para AUTORES 


DESCONHECIDOS ----- 


Textos; Pequenas Histórias; Pequenos contos; Histórias pessoais , reais!!


Queremos publicá-los com histórias reais, de gente que sente e que vive !


Histórias da vida real .
Histórias sem idade...


Histórias sem preconceitos, sem tábus e sem "medos"...na "CORDA BAMBA"


1º Passo


- Enviar o manuscrito em formato word


para a apreciação e selecção


( recebemos o vosso manuscrito até dia 27 de Março de 2012 )


e-mail : pastelariaestudios@gmail.com


Cá vos esperamos com histórias e mais histórias !!


Transformamos as vossas obras em sonhos acordados”






---a participação nesta colectânea é gratuita----


obrigada 




Teresa Maria Queiroz
Duas vidas cruzam-se É um corpo que chama pelo outro A loucura e o prazer navegam no mar de desejo E quando os dois se encontram São ondas de prazer Num amor que se completa.
para ler ao som de  http://www.youtube.com/watch?v=3Wk-oiP0N-s&feature=related

FENÓMENO ATMOSFÉRICO

Chegaste. Tarde. Muito mais do que queria esperar por ti.
Sem certezas de que virias, apesar das promessas habituais.
Tudo seco em mim. Aqui e ali, as linhas em volta dos olhos E as lágrimas lá dentro.
As dúvidas surgiram em tropel, e instalaram-se aos molhos.
Como carraças na pele que não tocavas há tempo
Aninhadas nas paredes das memórias feitas do meu sangue
Sugando tudo aquilo que involuntariamente lhes dei como alimento:
A esperança, a dor, o prazer, as pequenas mortes, o chocolate e o licor.
Nos lábios, o pó secara há muito. Também ele vermelho-bolor.

Haverá alguém que agora saiba mais do que eu sobre o teu cheiro e cor?
Que te queira saborear a toda a hora,
Mesmo naquelas em que moras numa nuvem de sono profundo
Ou te escondes no silêncio reentrante de um devaneio marítimo
Em que eu sou teu objecto idealmente ausente
E me confundo na tua imaginação com outros nomes?
Não sou nada perante a grandeza do teu desprendimento.
Uma partícula. Um gemido. Incómoda como um vidro partido.

São tantas as av…