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A mostrar mensagens de Novembro, 2012

o quase-homem

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O quase-homem quando nasceu Não chorou, estremeceu e quase-soluçou Enrolou-se na luz branca da primeira manhã E quase-sentiu o beijo quente da sua mãe Envolto num quase-suspiro de felicidade
Quando cresceu quase-aprendeu Entre dores, esquecimento e ilusão perdido Sobre o centro do universo e o amor quase-correspondido Quase-ferido, totalmente despojado De sentir, querer e quase-desolado
Quase-certo de suas decisões avançava Por entre escolhas quase-pensadas pensava Escolhia entre murmúrios e o eco inconstante O quase-instante da satisfação, errante Num quase-fóssil de luz guardada Como um coração sem peito para bater, cuidada Pulsante, como a quase-memória de um sentimento
Fez de sua casa um quase-lar Onde quase-nada à mesa lhe poderia faltar Desde a quase-tristeza ao poema por escrever Tudo por fazer em tempo de vida, alheado Quase-sonhava por uma rosa ser quase-beijado Nunca colhida, quase-desejada e para sempre perdida
Num quase-momento de lucidez e quase-escolha Pegou em livros …