Os vidros quebraram com a força do temporal, os pedaços de vidro dançavam pelo ar à melodia do vento. E o meu coração foi cortado. A minha alma foi perdida. E, naquele momento que para sempre será eterno, eu deixo-me guiar neste remoinho de sentimentos.
E, agora, resta um corpo. Que nada diz, que nada vê, que nada sente. Toda a existência agora é um conceito absurdo, vago. Nada me faz racionalizar como antes. 
Isolo-me. Assim, estou bem. Assim não me irei magoar, assim não me irão magoar. E as almas que tocaram a minha foram as que tiraram a sua maior parte, porque eu deixei. Permiti que me vissem por dentro. Eu sei. É feio. É horrível. Há sangue, e é cinzento. Nada mais. Apenas um pequeno vazio, isolado, quase que adormecido, mas grita e dói. Nunca doeu tanto. Tento procurar o asilo. Mas num estado de lipemania, a única coisa que encontro é um chão desgrenhado onde caio e me deito. A insónia adopta-me, e eu não renego. E, deixei à muito que este sentimento me alberga-se. Agora, já não sei o que resta, o que ficou, o que deixei. Mas, na verdade, já tinha deixado de me importar com as coisas que me dizem ser importantes. E as luzes apagaram, e eu escureci. 


A cabeça martela as paredes deste quarto. E ninguém parece notar. Eu continuo-o. Vou ao encontro da raiva que me ferve o sangue, que agora me escorre pelos olhos e me inunda os braços. Eu gosto de ver. Esboço um sorriso, mas sofro.
E, não faz mal. Aquilo que não disser, ninguém saberá. Quando eu desvanecer, certamente… ninguém me procurará. 

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