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ovelhas que já não me balem

caminhava eu meio desligado pelo campo quando
me apareceu pela frente um velho pastor que com voz de tenor
se meteu a cantar assim que me viu aproximar
de repente, com o ruído, a frequência, e o canto
todo o rebanho balou e som tornara-se tanto que eu me adensava de espanto
preso ainda à imagem do velho pastor sentado e resignado
à estatia do passar do dia, que cantava enquanto versava a sua poesia
perco-me em campos e campos, e verdes e verdes
e solidões e solidões, e multidões e multidões
de nada, de tudo, faço-me à estrada para ver se me acudo
e chego ao campo e denoto que o pastor está agora mudo
fico confuso, salta mais um parafuso e os pés andam cada vez mais tortos
sem saber se é campo, se é vida, se é hora de desviver no tempo dos mortos

Um Final Perfeito... Parte X

... e vivemos felizes para sempre

São Morte

Imagem
Ondulado Do lado que a menos favorecia Parecia uma pasta prensada contra a almofada Fadada de durões de esponja e algodão Algo de cordão que apertava como a angústia Tia da opressão e mãe da depressão Depressa São percebeu que ondulado marcava cada vinco Com afinco na orelha daquele lado envolvido Olvido de perguntas existenciais e de toques no ombro com suavidade Pois a sua idade era como um copo cheio de limonada Nada doce mas apetecível à morte Corte forte na sorte Suporte de coração pendurado à cabeceira Mas cabe na feira de almas escolher A colher que vai mexer o copo até transbordar O bordar de uma assistolia Assim lia São na iris enquanto soprava Só p’ra afastar o cabelo ondulado Do lado que primeiro se trasladava E dava um abraço no vinco, na dobra, na sobra Da obra com mão de bola de sabão.

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