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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Deformidade



À nascença eram perfeitos. Vinte dedos, pulmões limpos, grito agudo contra a liberdade puxada com ventosas. Um forte rapagão. Uma doce menina.

Nessa mesma noite, uma lâmina de lua roçou o seu rosto e obrigou-o a abrir os olhos. Entre uma sístole e uma diástole, o seu coração cresceu um milímetro. Ninguém reparou no seu olhar branco.

Na manhã seguinte, estilhaços de sol cravaram-se nas suas pálpebras e forçaram-na a abrir os olhos. Entre uma diástole e uma sístole o seu coração encolheu um milímetro. Ninguém reparou.

Quando o tempo o fez homem, já não tinha espaço no peito. Uma enorme massa de músculo, sangue e veia insuflava-lhe a pele convexa e arqueava-lhe as costelas. Como podiam os doutores da ciência não ver a deformidade no seu corpo e na sua alma?

Quando o tempo a fez mulher, já só tinha espaço no peito. Um poço seco e sem compasso erodia-lhe a pele côncava e implodia-lhe as costelas. Como podiam a ciência e os seus doutores não ver?

Tentou perder o que sobejava em muitos lençóis, dividi-lo por vários corpos. Mas a resposta não estava nos dedos de mulheres mortas gadanhando as suas costas, no lábio mordido até ao sangue pelo prazer comprado, na submissão do seu sexo à torpitude sem rosto, no desejo a confundir-se com a agonia. O seu tormento não se expurgava com espasmos fáceis drenados numa qualquer viela escura.

Tentou encontrar o que faltava em vários lençóis, um corpo que estivesse disposto a dividir-se com ela. Mas a resposta não estava nas bocas de homens mortos nos seus seios, no sexo sem prazer oferecido até ao sangue, no abandono a línguas sem rosto, na agonia a confundir-se com o desejo. O seu vazio não se enchia com bocados de desconhecidos engolidos num qualquer beco escuro.

Às vezes irrompia pelos campos oferecendo-se ao enredo das silvas, deitava-se no chão e esperava que os bichos da terra viessem devorar aquele tumor feito de morte.

Às vezes oferecia-se aos campos deixando-se romper pelo enredo das silvas, deitava-se no chão e esperava que lhe crescessem raízes para devorar a vida.

Outras vezes fechava as luzes, segurava os joelhos e imaginava a incisão perfeita que lhe permitiria meter a mão, arrancar a besta e vê-la deixar de pulsar entre os dedos.

Outras vezes fechava as portas, tapava os ouvidos e imaginava o corte perfeito que lhe permitiria meter a mão no vácuo e deixar o seu resto de humanidade escorrer-lhe por entre os dedos.

Sufocavam.

Sobreveio o desespero, a única força que escala até ao eremitério mais alto da dor sabendo que não haverá descida. E foi nas cumeadas dessas serranias que os caminhos da sua mortificação se cruzaram. Os seus olhos encontraram-se, as mãos despiram o resto dos trapos e, sem uma palavra, os seus peitos deformados encaixaram suavemente.

domingo, 30 de outubro de 2011

Vitima



I.
Olha para ti, nem tens força para pegar em mim, quanto mais para me fazer feliz. Ontem ouvi dizer que me ias contar um segredo, algo funesto e absurdo acerca dos teus planos, como se eu não conhecesse todos os teus planos, cada minuto, cada regra de bom senso, cada sussurro metálico entre suspiros voláteis e descontextualizados. Dizes que precisas de mim mas nada fazes para me agradar. Dizes que sentes falta de mim e não me usas ou permites que te possa usar. Olha para mim e diz-me como te posso fazer feliz. Ao menos olha para mim. Toca-me e satisfaz-te, satisfaz-me e deixa-me que te toque, nem que seja ao de leve, que penetre suave e te faça tremer. Sente-me no teu corpo e deixa o fluido quente ser a panaceia de todos os males, de todos os ódios, raivas, desprezos, dores e desamores. Sabes que nunca falho e deixo-te sempre feliz. Olha para mim e diz-me que te sentes feliz, enquanto me limpas e me voltas a guardar na gaveta.

II.
A diferença deste dia em relação a outros dias é que este dia é exactamente igual a tantos outros dias, exceptuando no pequeno e quase imperceptível detalhe que o torna um dia diferente de todos os outros dias. Achas que sou confusa? Então segue o meu raciocínio, por favor, senta-te ao meu lado e permite-me que te mostre. Esta sou eu, vês, como somos parecidas? Nascemos no mesmo dia, vestimos as mesmas roupas no primeiro dia de escola, comungámos sob o tecto da mesma igreja, vigiámos os movimentos estranhos ao fundo da rua com os mesmos olhos, sentámo-nos na mesma mesa a desenhar maçãs e oferecemos o nosso desdém ao mesmo pretendente. Temos dias iguais, nomes iguais, corpos iguais. Mas há uma coisa que é diferente. Eu quero e tu tens, tu alcanças e eu desejo, eu preciso e tu desprezas, tu procuras a morte e eu sonho em viver. Hoje é um dia como todos os outros, só que ligeiramente diferente. É o dia em que me estilhaçaste, só para que fosses inteira. Mas nunca mais serás inteira, quando algo se rasga, quando sentes o sangue a escorrer, a vida muda para sempre.

III.
Se estiveres menos atento, é apenas uma rapariga. Parece bonita, sem ser deslumbrante, atraente mas não do tipo vistosa, sensual, não sexy. Ou talvez sexy, mas não dessa forma. Mas, se reparares bem, não verás apenas o que a superfície reflecte. Bem lá no fundo, é tão ordinária quanto a fantasias, tão vulgar como a desejas e tão puta como as outras putas vulgares e ordinárias com que fantasias quando realizas os teus desejos. Calma, estás a derrapar na tua própria insensatez. Sê razoável meu caro, com tantas raparigas no mundo, porque hás-de querer aquela? Ah, meu caro, pelo desafio, pelo desafio…

IV.
Pelos princípios imutáveis da Natureza, o fogo é o elemento destruidor e que abre as fronteiras da renovação.  O que há de mais sagrado neste solo é a luz que em nós se reflecte e refracta em infinitas parcelas de comprimento de onda, lançando a cor em direcção às trevas. Quem nega o seu corpo à luz, nega-nos a todos da cor destes dias infinitos de curta duração. E quem quer mudar a Natureza das coisas, brinca com o fogo. E quem brinca com o fogo…

V.
Senta-se ao seu lado e mete conversa. Ela ignora e finge repugnância. Ele sorri e tenta que ela lhe sorria de volta. Ela olha enquanto ele se vai embora, suspira baixinho com os olhos fixos no chão e esfrega delicadamente o braço esquerdo com a mão direita. O dia termina sem que nada aconteça. Uma e outra vez, até que ela sorria de volta, ele mete conversa e dança à volta dela com palavras macias e encantadoras. Elas riem-se dele quando vêem que ela não lhe sorri de volta. Os camaradas empurram-no e desafiam, consegues ou não consegues? Ela responde-lhe, pergunta-lhe o porquê do interesse e se ele não tem nada melhor para fazer. Ele diz, penetrando a sua libido profundamente no peito dela. Nada há melhor do que ter-te perto de mim. Convicto de si mesmo, sorri e clama vitória. Mas ela não sorri de volta. Mas convida-o a segui-la.

VI.
Sísifo pega-te na mão e chama-te companheiro
para que em magna corte de espantalhos a ele te juntes
e no glamour gélido do inferno dos deuses te afundes
para que em apneia descubras então
que o mergulho sem rumo não tem salvação
confia pois no doce e soberbo canto da sereia
e embala a vontade ao som da melopeia
porque não mais irás acordar
para sempre perdido em eterno e distante mar




VII.
Hoje vou ser feliz, porque sei que estás comigo e comigo atingirás o clímax. Hoje sei que quando estiveres em pleno acto, bem agarrada a mim, a gemer e a prender a respiração, a morder os lábios e revirar os olhos, vamos ser um do outro. E para isso precisamos dele, a palha que ateia o fogo ao altar onde juramos amor eterno e abandono a tudo o que for profano, pela sensual fusão a que estamos destinados. Convida-o, para onde não nos vejam, até onde nos possamos esquecer do mundo dos outros, onde eu e tu somos donos da eternidade… e ai nos realizaremos, no ardor da paixão e na confusão dos fluidos quentes.


VIII.
Ela leva-o, como uma noiva leva o seu esposo para o leito de núpcias. Ele sorri e anui. Escondem-se nas traseiras de um velho pavilhão de oficinas, atrás das árvores e ao pé de um monte de garrafas vazias e resíduos de amores fortuitos espalhados pelo chão de alcatrão grosseiro gretado pelo desgaste do tempo. Ela encosta-se à parede, vira a cara e fecha os olhos. Ele lança a mão sobre a sua cintura e aproxima-se para a beijar. Ela permite que ele se aproxime, cerra os olhos com força e tenta não se mexer. Ele passa-lhe a mão pelo rosto e, num arrepio incontrolável, ela abre a boca para respirar e vira-se para ele. Ele beija-a, como quem saboreia o néctar de uma pequena e frágil flor. Ela responde com uma mão sobre a sua coxa, a deslizar para cima, mais acima. Ele entusiasma-se e sorri e dá outro beijo, mais fundo, mais húmido e mais excitado. Ela sobe mais a mão e enfia-a por entre a t-shirt dele e coloca-a sob o seu coração, que dispara e quase salta do peito. O corpo dela fica mais quente, geme baixinho e lambe-lhe o pescoço com sofreguidão e morde-o com força. Ele assusta-se e retrai-se. Olha para ela, algo incomodado e pergunta. Queres à bruta? Ela vira a cara e finca-lhe as unhas no peito. Ele agarra-lhe o pescoço e encosta-lhe a cabeça à parede e empurra as ancas violentamente contra as dela e enfia a outra mão por baixo da saia e aperta a coxa com força. Ela geme ainda mais e esbofeteia-o e cospe-lhe na boca enquanto o olha fixamente nos olhos. Ele sorri e aperta-lhe mais o pescoço e sobe a mão até chegar às suas cuecas e puxa-as bruscamente para baixo. Ela esbofeteia-o novamente e enfia-lhe a língua na boca e começa à procura de algo na sua bolsa. Encontra-o. Ele arde e arrasta a mão pela sua coxa acima e sente-a a ferver, sente a sua mão a ficar impregnada de fluidos quentes e melosos. Ele sorri enquanto lhe pega num ombro e a vira, de costas para si, empurra a sua erecção contra as suas nádegas levantadas pelo gesto instintivo de excitação, à medida que a mão dele se aventura mais profundamente. Ela vira o braço para trás e segura-lhe o pescoço enquanto ele lhe mordisca o ombro e, sôfrega, procura o seu outro eu, o seu objecto de desejo. Mas quando ele abre os olhos e vê a manga descaída que revela o seu braço, assusta-se e larga-a de repente. Pele rasgada. Cortes. Muitos cortes, finos, grossos, uns curtos outros longos, alguns ainda vermelhos e outros já cicatrizes. Larga-a e dá dois passos atrás. Ela olha-o com desprezo e a arfar levanta o braço e mostra-lhe o seu inestimável companheiro, o seu único dono e senhor dos seus êxtases e orgasmos. Ele gela.

IX.
Olha para ti, como és forte a pegar em mim e a fazer-me feliz. Ontem ouvi o teu segredo, o teu plano para me agradar, para saciar a minha lâmina metálica com que te rasgas, com que te cortas para te libertar, enquanto apertas o punho rijo de borracha e gemes de prazer. Eu bebo do teu sangue e vivo pelo nosso prazer. Toco-te e satisfaço-te, penetro-te suavemente e deixo o sangue fluir, a panaceia de todos os males, de todos os ódios, raivas, desprezos, dores e desamores. Sei que nunca falhas e deixas-me sempre feliz. Olha para mim e diz que te sentes feliz por ver o sangue de quem se interpôs entre nós, de quem pensou que te podia fazer dele, quando tu és minha e só minha. Sei que te sentes feliz enquanto me limpas e me voltas a guardar na tua bolsa. É bom ver-te sorrir.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Imaginar pensamentos que não param de pensar




Imaginava a volta da minha cabeça um enxame de abelhas zumbindo, voando, fazendo um barulho constante, ensurdecedor.
Fazia de conta que tentava, com as mãos, espantar essas bailarinas do ar e sentia as mãos serem ferozmente picadas cada vez que abanava para longe esses voadores barulhentos. Por mais que tenta se elas venciam sempre!

Assim era aquele pensamento, tão real tão presente aparecia na minha cabeça e ia se encadeando em outros que já estavam presos noutros e não tinha como segura-los com as mãos e deita-los fora. Eles iam e vinham independentemente da vontade. era livre e penetrava em brechas minúsculas na minha cabeça,tão forte e dominador a ponto de tirar o sono... ele chegava sentia o seu cheiro amargo... ficava ali tomava conta de mim as vezes era cruel bruto mordia cá dentro ate fazer sangue como se o alimento dele fosse ver me gritar de dor e prazer ao mesmo tempo... eu, ficava ali a espera que fosse ser diferente algo mais doce menos amargo...não era bem aquilo que eu queria, mas não tinha mais nada e ele aquele pensamento ate que era giro e cuidava tomava conta de mim.
Se eu soubesse o que vinha a seguir... Saberia o que há dentro do coração,o Infinito, a única resposta para todas as questões deste pensamento.
Uma vez veio com um vestido rosa pálido era lindo...ficava me bem abotoava a frente...era fácil de despir...mas era ao gosto dele ate o vestido era a sua maneira não a minha...
Outro dia veio despido de odor sabor tão insípido como ele só sabia ser, mas não deixava de ser um belo pensamento que enchia o meu corpo de tremor só de pensar o que vinha a seguir...era tão intenso nesses dias tomava conta de cada recanto abria escancarava ate os recantos mais escondidos do meu corpo...eu só conseguia esconder aquele recanto o do coração esse que por mais que ele tentasse não conseguia abrir estava guardado para o príncipe dos pensamentos...
Agora não há tempo para pensar ou sentir,ele veio com a dinâmica das abelhas que tudo vêem,miram, planeiam o voo na eterna busca até o reencontro para novos voos
Bailarinas verdadeiras que planam em ouro sem véus,carregando em si o ouro de todas as eras o mel de todos os seres...

Depois um dia zanguei me e disse: não quero mais... tu não vais voltar a ter me não te vou imaginar vou cortar te em pedaços pensamento, como fiz com o vestido rosa pálido...

Neste momento imagino tesourinhas douradas voando ao meu redor cortando definitivamente qualquer parte do pensamento que ainda possa persistir...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011



A história de Júlia (parte 1)

Júlia sempre foi uma menina bem comportada, certinha, pacata, boa aluna, com uma forte educação a todos os níveis.

Já tinha 15 anos quando se deixou beijar pela primeira vez, cheia de expectativas mas as línguas não se entenderam, apesar de ter ficado excitada, achou que não tinha o mínimo jeito e não deixou ninguém aproximar-se dela.

Mas o impulso, o desejo, tomaram conta da cabeça dela, sentia vontade de fazer sexo, de sentir alguém dentro dela, sonhava com isso, noite após noite, mas sentia vergonha.
A luta interior durou algum tempo até se entregar aos prazeres da masturbação.
Passava os seus dedos delicados e suaves sobre o seu corpo inexplorado, os mamilos, os mamilos cresciam e pareciam botões de rosa prontos para desabrochar, o clítoris esse crescia com a intensidade do toque delicado de quem não sabe bem como o fazer, mas que precisa de sentir e sentia.. se sentia! Sentia tanto prazer que se soltavam gemidos tímidos!

Foi-lhe incutida a ideia de que a primeira vez tinha de ser especial, que era algo que marcava uma mulher para sempre, e esperou…

Um dia acordou apaixonada.

Tinha 19 anos, quase 20, quando deixou um homem vê-la nua, tocar-lhe, beijar-lhe os seios, e ela queria sentir tudo, absorver tudo…mas não sentiu nada…sentiu frio, sentiu desconforto, sentiu o corpo suado dele, sentiu ele vir-se dentro dela, mas não sentiu nada e pensou, para a próxima será melhor.
Ele olha para ela e diz, com um sorriso estúpido e de malvadez,“consegui, consegui, ganhei a aposta!” e saiu…

Sim ela tinha feito “amor” pela primeira vez com alguém que tinha feito uma aposta em como a conseguia levar para a cama.

Odiou-se, odiou aquele homem, odiou o mundo…

Mas a menina mulher continuava sem saber o que era ter prazer em ser possuída, devorada, amada, penetrada, sugada, beijada, mordida, gritar de prazer e ainda pedir mais. E assim começa a história de Júlia.

Júlia iniciou uma caça ao homem e virou uma predadora, eram escolhidos a dedo, tinham de lhe despertar desejo físico, já que psicologicamente ninguém lhe dizia nada (nesse campo ela era impenetrável).

E começou a levar homens para a sua cama.

Era desajeitada, mas tinha vontade de aprender e foi pedindo para a ensinarem, para lhe dizerem o que lhes dava mais prazer.

Mas,a busca pelo orgasmo continuava, aquele orgasmo que vem da alma e nos deixa sem respiração.

Uma noite de “caça” Júlia conhece Pedro, que lhe despertou um desejo enorme, era um homem bonito, musculado, com uns olhos verdes de perdição.
E nessa mesma noite Pedro “caiu” na cantiga da Júlia e foi com ela para casa.
O que ela não esperava era que Pedro fosse um homem diferente de todos os que tinham passado pela sua cama.
Pela primeira vez alguém a fez estremecer sem lhe tocar, a forma como lhe desabotoou a camisa, botão a botão, ao mesmo tempo que lhe sussurrava palavras doces ao ouvido, a maneira como a comia com os olhos, e ela, ela escorria de prazer, completamente molhada, apenas pensava em ser possuída, mas ele não era assim.
Ela tinha de esperar.
As línguas dançavam, as mãos corriam, os copos vibravam, o calor aumentou, a música subiu o tom. Ele não sossegou enquanto não lhe devorou os mamilos com a sua língua, quente, doce, suave, molhada, enquanto não a beijou dos pés à cabeça, enquanto não a mordeu, mordidelas, suaves e mazinhas, unhas que arranhavam sem magoar, que aumentavam a excitação, palavras ditas ao ouvido “que faziam corar” e a língua em movimentos circulares no seu clítoris, como tudo aquilo era bom!!!!!
E Júlia veio-se uma, duas, três vezes…e não percebia o que estava acontecer com ela e ele diz-lhe, com um sorriso malandro, “orgasmos múltiplos, que bom…”.
E ainda com ela a vir-se, ele entra dentro dela, ela sente-o, percebe que ele esta louco de desejo e fica deliciada e aperta-o dentro dela, suga-o e ouve os seus gemidos. E quando percebe que ele estava quase a vir-se, decide tomar as rédeas, queria dar-lhe mais ainda! Senta-se em cima dele, esquece tudo e deixa o seu corpo fluir, balançar, parar, voltar, depressa, devagar, brincava com os mamilos na boca dele, agarrava as mãos dele, apertava-o ainda mais…não queria que aquela sensação terminasse nunca.

E pela primeira vez soltou o “animal” que existia dentro dela, sai de cima dele, pede para ele se sentar na ponta da cama e a sua boca foi de encontro ao corpo dele.
O prazer era animalesco e doce, a cumplicidade daqueles dois corpos era inexplicável, e quando sentiu que ele estava novamente perto do orgasmo ele pede-lhe para ela parar.
Invertem-se os papéis e ela tem um novo orgasmo e pede-lhe para ele entrar nela, queria senti-lo e num acto de loucura comeram-se como animais em busca de um prazer mútuo! Ela gemia, ele gemia, ela gritou, gritou e voltou a gritar até que ele também gritou!
Já era dia e adormeceram nos braços um do outro… acordou-a uma horas depois com um beijo e sussurrou-lhe ao ouvido “Júlia és uma mulher fantástica na cama, estou esgotado e esfomeado, fazes-me companhia?”.
Foram tomar café e despediram-se com um beijo na cara e um sorriso.
Semanas depois ela descobre que Pedro era modelo, quando o viu numa revista e sorriu, sorriu porque o Pedro será sempre a sua primeira vez!

Júlia continuou a levar homens para a sua cama e tornou-se uma “expert” na arte da sedução e do sexo.
Ela encantava-os com o seu sorriso, o seu olhar, a sua voz e depois… na cama!

Mas pelo caminho Júlia magoou muitas pessoas, ela não se apaixonava por ninguém, não conseguia, entregava o corpo mas não o coração…

(a história de Júlia não termina aqui…)

sábado, 22 de outubro de 2011

NeoPornographia





Todos olhamos quando ela passa
Excitante, provocante, diabolicamente devassa
Apertamos as coxas para disfarçar a excitação
Mordemos os lábios, suspiramos em vão
Mas ela está longe de nós

Noutro dia olhamos pela janela
Miramos a doce e demente dança dela
Metemos ao bolso a mão, para disfarçar
A atenção inusitada que lhe estamos a dar
Enquanto serpenteia longe de nós

Por vezes ao passar numa qualquer estrada a vemos
E logo abrandamos, espreitamos e dizemos
Que é uma desgraça, vergonha, uma tristeza
E engolimos em seco a admirar a beleza
Dela que se enrola com um que não nós

À noite na segurança da nossa cama
Dizemos a mentira a quem mente que nos ama
Que ela é a única, aquela, a verdadeira tal
Mas longe o pensamento voa fatal
Para aquela que se abre se deita longe de nós

E quando dispara o corpo corrupto
Num esgar ou lamento profundo e poluto
Morremos um pouco no corpo do amante
Sentimo-nos perto mas com a alma distante
Enleada em quem está longe de nós

Mas o dia chega e nunca se atrasa
Ela vê-nos, sorri e nos deixa em brasa
Um acenar dela e ditada é a sorte
Embalados nos vamos nos braços da morte
Quando finalmente o escolhido é um de nós

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

o desafio foi lançado e assim sendo aqui fica com este acompanhamento



O dia tinha feito jus aos avisos da meteorologia. Um calor seco que fazia colar a roupa ao corpo. A manhã estava a chegar ao fim e eu precisava urgentemente de um chuveiro de água fria a cair-me no corpo.
Os clientes exteriores estavam todos visitados, somente faltava uma reunião que iria ocorrer no escritório ao fim das tarde. Teria mais que tempo de passar por casa, tomar um banho e dar um beijo na minha mulher.

Meia hora e estava em casa. Entrei. Ela, surpresa pela minha chegada, nem teve tempo de falar porque a arrastei para o quarto. Comecei a despir-me e ela continuava atónita a olhar para mim. Já nu puxei-a para mim e desfiz o laço que apertava roupão finíssimo que ela envergava.
O corpo dela resplandecia de beleza. Fomos tomar banho. Louco, respondeu ela de sorriso entreaberto.
A água fria caiu sobre os nossos corpos. Espalhei o gel no corpo dela e ela no meu corpo.
Terminado o banho decidi almoçar em casa. Tinha muito tempo. Vesti uns calções e ela somente uma camisolita e descemos para a cozinha.
Estávamos indecisos sobre o que comer. O calor era tanto que apetecia somente coisas frescas. Fruta. Sim fruta era uma excelente ideia. Uvas para mim, dióspiros para ela.
E aí começou a tarefa. Ela deleitava-se com o dióspiro, deixando que o suco lhe escorresse pelo rosto, tornando-se uma imagem curiosa. Entretanto eu parei com as uvas e avancei para ela de língua de fora e lambi-lhe o rosto uma, duas, três vezes. Fiquei com água na boca.
Agarrei-a, arranquei-lhe a camisolita, peguei nela ao colo e deitei-a na mesa da cozinha. Agarrei no cacho de uvas e fui arrancando uma por uma e espalhei pelo corpo, melhor dizendo, pelo escultural corpo da minha mulher, como se de um ritual japonês se tratasse.
Depois de já não existirem mais bagos, era altura de começar a refeição. Uma a uma fui-as deglutindo, e o início foi pelas que estavam junto e no rosto. Desci aos seios e numa breve fuga mordisquei  um e outro mamilo. Os gemidos acentuaram-se.  E a cada gemido um bago de uva e uma mordedela...
Desci até ao umbigo e aí com a língua consegui, num malabarismo, recolher o bago e rodopiar dentro daquele buraquinho tão perfeitamente talhado.
Agora era o final, aquele final de êxtase. Com dois dedos segurei o esgalho que tinha depositado entre os teus lábios vaginais e com outro procurei o teu clitóris. Toquei-lhe, vibraste, e eu com a boca roubei um bago. Novo toque, novo assalto aos bagos. Delicadamente ia rodando o esgalho de uva. Queria bagos que trouxessem o suco que de dentro de ti saía em catadupas de tesão, paixão, amor...
Um após outro recolhi todos esses bagos impregnados  do teu sabor, impregnados de ti...
Num repente levantaste-te e como que num passo de mágica arrancaste os meus calções e obrigaste-me a deitar no chão. Deitaste mão aos dióspiros e foste cortando em gomos e espalhando pelo meu corpo em pontos chaves que escolheste, como se quisesses assinalar um qualquer roteiro  num mapa. Um a um foste abocanhando, mordendo, tilintando num bailado rítmico da língua, dos lábios e dos dentes. O último teve por companhia uma glande que não se conteve e irrompeu em golfadas de um louco desejo.
Mas eu senti que não tinhas dado tudo. Que dentro de ti fervilhava  um sémen desejoso de se oferecer a mim num imolar de paixão e desejo.
Sentei-te na mesa e olhei-te como se fosse a primeira vez.
Abri o frigorífico e retirei dois cubos de gelo que coloquei na boca e aguentei o máximo que consegui. Com a boca gelada abocanhei o seio alvo de menina. Primeiro um, depois outro e o frio da minha boca fez enrijecer os seus mamilos que cresceram desmesuradamente na minha boca. Senti que esta minha loucura te agitou da cabeça aos pés e que algo estava para acontecer.
Coloquei de novo mais uns cubos de gelo na boca, agora mais, precisava ficar frio em menor tempo, tinha medo que não aguentasses.
Quando senti que estava o suficientemente frio a joelhei-me e abocanhei o teu clitóris, sugando-o, atacando-o com a minha língua gélida.
Após a segunda ou terceira investida, senti que estremeceste... retraíste-te, segurando a minha cabeça como que a prender-me, e nesse mesmo momento foste minha em golfadas de paixão.
Olhámo-nos e depois de um beijo longo e apaixonado eu fui-me vestir. O escritório esperava por mim.
Quando, já pronto, me preparava para sair segredei-te ao ouvido: quando sair logo vou aos morangos e ao chantily para continuarmos a refeição...





Sobre o óbvio

  Acordo, mas não desperto. As pálpebras pesam toneladas e o corpo está crucificado à cama. Levanto-me, mas não me ergo. Ergo-me, vou até à ...