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sábado, 21 de setembro de 2013

Sarabande







A relva sentiu o peso de um pé, tenta reagir com as plantas de ervas esmagadas pelo calcanhar, mas sucumbiu à quietude do pé, que parece que tinha chegado para ficar.
Do outro lado, mais à esquerda de quem segue em frente, uns queixumes semelhantes. Onde estariam os insectos que a roíam quando os grilos se espantavam e os gafanhotos se imobilizavam?

Dava jeito ter agora uma formiga, um colitídeo qualquer ou mesmo uma melga que picasse um dos pés (preferencialmente os dois).

Algumas folhas sufocavam e tentavam sair debaixo daqueles pesos inamovíveis, pés gigantes, humanos certamente.

Sufocavam e silenciosamente ansiavam para que os pés andassem, corressem preferencialmente, será que os humanos não sabiam que um dos maiores prazeres, era correrem descalços pela relva?



(Falando com os botões desapertados) porque os fechos magoam a 
imaginação mais surpreendente.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Dedos de perfume



Há em ti  um aroma a sorrisos pueris sempre que o teu olhar me acaricia as mãos pousadas nas memórias que nos levam para as manhãs em que te acordo com um respirar mais acelerado porque há em ti um sabor a pétalas que me inebria o sexo húmido pelo teu (en)canto e me grava na pele relevos primaveris, como os rios que saltam as margens em tempestades de nós, como os cavalos selvagens em desabridas corridas nas planícies que formam uma ponte entre as nossas almas que t(r)ocamos cada vez que nos perdemos e achamos, um no outro, tu em sintonia com os sussurros murmurados ao meu ouvido esquerdo quando o meu corpo se ergue sempre que o teu se esvai em mim.
E agora______________Apetece-me que me sorrias nesse encanto com que me esqueces e te esqueces de nós nos dias em que os telefonemas escasseiam e os olhares se dispersam em luzes fugazes de raios lunares, porque o sOl é nuvem que não passa. apenas eu num passo-a-passo com o tempo que não me deixa deixar-te. mesmo quando as tuas mãos são as minhas mãos, tão pequenas, tão tuas, a fechares-me o vestido de pele nua, a apertares-me o colar de  pérolas e o pescoço no sexo sem tabus, aroma a petúnias cultivadas no teu jardim de Verão, onde ao poucos as cores são códigos para o amor que demora. são dedos, ágeis, longos e firmes que me emprestas quando estou longe, dedos de espanto, escancarados de prazer, quando se passeiam em mim, apertando-me os mamilos, despertando sensações de toques de guitarra dedilhada pelos teus dedos entrelaçados nos meus, que escrevem sms quando o decalque do teu  corpo descansa em mim. à distância de quantos dedos quiseres. dedo que me apontas pela verdade que lembro. dedo que estico quando te quero indicar o caminho de regresso, sabendo que partida pode ser também meta, nos orgasmos que não teremos, imaginando que NÓS de dedos cegos de paixão, me massajam as costas tensas pela ausência de notícias. e é quando os teus dedos desenham beijos nos meus lábios que escondem os perfumes que me deixaste nas coxas, quando os teus dedos e sempre os teus dedos excitam líquidos secretos que alisam a minha pele que sabes tocar, que (te) sei quantos dedos fomos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

This Woman


Respiro-TE em ausências de momentos em que a luz difusa me penetra como se a tua mão na minha fosse ainda o caminho. Lascivos os olhares com que nos bebíamos (S)em pressas que transbordavam de silêncios contidos. Procuras-ME em noites de Lua Cheia, quando me transformo em loba e te devoro em reticências. Sabes a pedras salgadas, a fumo de sobro e a flores silvestres, com que me debruas os seios de auréolas rosas em bicos de espinhos. Soltas perfumes de cristais no mercurio com que iluminas as manhãs que transportamos ao colo, sem que ninguém saiba, em segredo, ao mesmo tempo que me telefonas para dizeres: amo-te.

Finjo que te esqueço, quando o café arrefece o açucar e o chá de menta sabe a deserto na alma que tocas cada vez que me entoas canções e me esperas na esquina onde mais ninguém passa, para não saberem deste amor proibido, celebrado um dia por semana, todos os anos, mesmo hoje, quando o cabelo (a)dourado se desprende dos teus dedos e a barba embranquece as tardes de pecado que não fomos. Fazes amor comigo, como se fosse a ultima vez. E para mim, é sempre a primeira, nas descobertas de centímetro a centímetro de ti, de mim.

Eternizo-TE nos cãnticos que jamais escutarei. Fecho os olhos, as pernas, os braços. Fecho-ME contigo dentro de mim e saio em busca de nós, no passado que já não lembro.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Clave de Sol



Firme o rochedo que (me) suporta
em puro (de)leite de ti
quando descanso
as bocas
as pernas
e a alma
em olhares lânguidos de prazer
gozado
(o)usado
derramado
pelos movimentos em rotação
translação
de mim.

Chegas com a musica
nas mãos
no corpo
as sinfonias que inventamos
suores frios
transpiração
em notas soltas
dum concerto inacabado
solfejo explorado
bailado de flores
em aromas perfumados
sexo e lágrimas
pela distância que não queremos
mas
temos.

Então,
a vingança do teu corpo no meu
a saudade das almas
que se fundiram
e permanecerão
una
a violência e paixão
num orgasmo sem perdão
pecado
bocado
de ti que sempre em mim ficou.
E germinou.

E o teu gesto
(e)terno
nas noites em que me afastavas o cabelo dos olhos
para o beijo que perdura até hoje
para além do tempo
em que
o meu corpo era a tua inspiração
e a tua musica
a minha mão.
(Que ainda ampara lágrimas, quando me olhas...assim...)http://youtu.be/h8lVabAajMQ

quarta-feira, 30 de março de 2011

Regresso





Pouco a pouco a calma regressa.


Cruzam-se olhares

t(ro)cam-se as mãos,

breve despertar numa dança irreverente.


Indiferente a cor do sol

apenas o azul permanece.


Em golfadas de luz nua

respirares apressados

passos em musica,

inventados os gestos

suspensos os dias,

em que as noites

são madrugadas tardias

as vontades num salgueiro

junto ao rio

num riso cristalino.


Acordo cedo.

E regresso a casa.

Sobre o óbvio

  Acordo, mas não desperto. As pálpebras pesam toneladas e o corpo está crucificado à cama. Levanto-me, mas não me ergo. Ergo-me, vou até à ...