A relva sentiu o peso de
um pé, tenta reagir com as plantas de ervas esmagadas pelo calcanhar, mas
sucumbiu à quietude do pé, que parece que tinha chegado para ficar.
Do outro lado, mais à
esquerda de quem segue em frente, uns queixumes semelhantes. Onde estariam os
insectos que a roíam quando os grilos se espantavam e os gafanhotos se
imobilizavam?
Dava jeito ter agora uma
formiga, um colitídeo qualquer ou mesmo uma melga que picasse um dos pés
(preferencialmente os dois).
Algumas folhas sufocavam e
tentavam sair debaixo daqueles pesos inamovíveis, pés gigantes, humanos
certamente.
Sufocavam e
silenciosamente ansiavam para que os pés andassem, corressem preferencialmente,
será que os humanos não sabiam que um dos maiores prazeres, era correrem
descalços pela relva?
(Falando com os botões desapertados) porque os fechos
magoam a
Há em ti
um aroma a sorrisos pueris sempre que o teu olhar me acaricia as mãos
pousadas nas memórias que nos levam para as manhãs em que te acordo com um
respirar mais acelerado porque há em ti um sabor a pétalas que me inebria o
sexo húmido pelo teu (en)canto e me grava na pele relevos primaveris, como os
rios que saltam as margens em tempestades de nós, como os cavalos selvagens em
desabridas corridas nas planícies que formam uma ponte entre as nossas almas
que t(r)ocamos cada vez que nos perdemos e achamos, um no outro, tu em sintonia
com os sussurros murmurados ao meu ouvido esquerdo quando o meu corpo se ergue
sempre que o teu se esvai em mim.
E
agora______________Apetece-me que me sorrias nesse encanto
com que me esqueces e te esqueces de nós nos dias em que os telefonemas escasseiam
e os olhares se dispersam em luzes fugazes de raios lunares, porque o sOl é
nuvem que não passa. apenas eu num passo-a-passo com o tempo que não me deixa
deixar-te. mesmo
quando as tuas mãos são as minhas mãos, tão pequenas, tão tuas, a
fechares-me o vestido de pele nua, a apertares-me o colar de pérolas
e o pescoço no sexo sem tabus, aroma a petúnias cultivadas no teu jardim de
Verão, onde ao poucos as cores são códigos para o amor que demora. são dedos, ágeis, longos e firmes que me
emprestas quando estou longe, dedos de espanto, escancarados de prazer, quando se
passeiam em mim, apertando-me os mamilos, despertando sensações de toques
de guitarra dedilhada pelos teus dedos entrelaçados nos meus, que
escrevem sms quando o
decalque do teu corpo descansa em mim. à distância de quantos dedos quiseres. dedo que me apontas pela verdade que
lembro. dedo que estico
quando te quero indicar o caminho de regresso, sabendo que partida pode ser
também meta, nos orgasmos que não teremos, imaginando que NÓS dededos cegos de paixão, me massajam as
costas tensas pela ausência de notícias. e é quando os teus dedos desenham beijos nos meus lábios que
escondem os perfumes que me deixaste nas coxas, quando os teus dedos e sempre os teus dedos excitam líquidos secretos que
alisam a minha pele que sabes tocar, que (te) sei quantos dedos fomos.
Respiro-TE em ausências de momentos em que a luz difusa me penetra como se a tua mão na minha fosse ainda o caminho. Lascivos os olhares com que nos bebíamos (S)em pressas que transbordavam de silêncios contidos. Procuras-ME em noites de Lua Cheia, quando me transformo em loba e te devoro em reticências. Sabes a pedras salgadas, a fumo de sobro e a flores silvestres, com que me debruas os seios de auréolas rosas em bicos de espinhos. Soltas perfumes de cristais no mercurio com que iluminas as manhãs que transportamos ao colo, sem que ninguém saiba, em segredo, ao mesmo tempo que me telefonas para dizeres: amo-te.
Finjo que te esqueço, quando o café arrefece o açucar e o chá de menta sabe a deserto na alma que tocas cada vez que me entoas canções e me esperas na esquina onde mais ninguém passa, para não saberem deste amor proibido, celebrado um dia por semana, todos os anos, mesmo hoje, quando o cabelo (a)dourado se desprende dos teus dedos e a barba embranquece as tardes de pecado que não fomos. Fazes amor comigo, como se fosse a ultima vez. E para mim, é sempre a primeira, nas descobertas de centímetro a centímetro de ti, de mim.
Eternizo-TE nos cãnticos que jamais escutarei. Fecho os olhos, as pernas, os braços. Fecho-ME contigo dentro de mim e saio em busca de nós, no passado que já não lembro.
Firme o rochedo que (me) suporta em puro (de)leite de ti quando descanso as bocas as pernas e a alma em olhares lânguidos de prazer gozado (o)usado derramado pelos movimentos em rotação translação de mim.
Chegas com a musica nas mãos no corpo as sinfonias que inventamos suores frios transpiração em notas soltas dum concerto inacabado solfejo explorado bailado de flores em aromas perfumados sexo e lágrimas pela distância que não queremos mas temos.
Então, a vingança do teu corpo no meu a saudade das almas que se fundiram e permanecerão una a violência e paixão num orgasmo sem perdão pecado bocado de ti que sempre em mim ficou. E germinou.
E o teu gesto (e)terno nas noites em que me afastavas o cabelo dos olhos para o beijo que perdura até hoje para além do tempo em que o meu corpo era a tua inspiração e a tua musica a minha mão. (Que ainda ampara lágrimas, quando me olhas...assim...)http://youtu.be/h8lVabAajMQ