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segunda-feira, 7 de março de 2011

Instantes finais






III



Tento reconhecer-me num raio de sol


o vento agita a musica



dentro de mim,



confrontos sangrentos



a pele rasgada,



o corpo em febre



uma gota de água...





...a paisagem é agradável



pedaços de céu



um bando de aves



em torno da minha árvore



ensaio o voo



os telhados amontoam-se



continuo parada





ruas em prédios



multidão anónima



Lisboa



sem rio





já não há segredos



tudo foi dito



o mistério das flores



desvendado



o luar mágico



assim



o bosque secreto das palavras



sem nexo,



o tempo



devora o dia



i



n



d



i



f



e



r



e



n



ç



a ?!





Não sei o que sinto,



orgulho ferido



espelhos liquefeitos no olhar



pressa de viver



um breve gostar



sem saber de quem





a transparência do olhar



(verde)



provocou



a confissão



estranha,



confusa,



as palavras jorraram



numa tempestade



de Sol



o vermelho das faces



e dos morangos.





Silêncio.



O não entender.





Continuo perdida





Uma pedrada



no charco.





Amanhã



quero um olhar





mesmo que de outra cor.



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Instantes seguintes




II

Ou não se foge, ou se esquece.

Esquecer?

(continuo a fuga)

de repente
os espelhos desabaram
apressados
intactos
e sem ruído

a musica desfolha as pétalas
o sol inunda o meu quarto
a claridade evidencia a dor

navego num lago
sem fundo

a montanha reclama-me
o sal no olhar
verde
azul
castanho-terra
as lágrimas
deslizam dentro do peito.

Uma árvore despida de medo
em dias cinzentos
as flores misturam-se
numa desordem
de aromas
pueris
os gestos
a(c)tos de uma
representação
ímpar
a apologia da loucura?

Ou o abandono
nos prados
percorrendo os sentidos
portas fechadas
tranco-me por dentro
até mim
a dor chega
insinua-se
no respirar

o orvalho
refresca
o tentar esquecer

quem fica comigo?

calor impuro
d
e
s
c
o
n
h
e
c
i
d
o
no Verão
as cerejas
são o fruto
proibido
o medo nas ondas
o mar
nas carícias
de areia e sal

segredos do vento

não fujas
permanece
esquece.

Murmúrios
estranho pe(n)sar.

The end.


Regressa o arco-íris o ruído da cidade as imagens poeirentas o desejo sem nome o momento sem data música esquecer

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Instantes

(Re)começar...

O tempo insinua-se no murmúrio da noite

a musica envolve o sonho

ruas perdidas de sono nu

o mar o céu o sol nos desejos

as florestas virgens desvaneceram-se

as cores do mundo

os cavalos selvagens

e as madrugadas tardias

nas manhãs calmas

em dias de desespero

o pão na mesa

vazia a corrida

para o lugar

de imagens soltas

assim o vento selvagem

sangue estival morno de medo

uma papoila e um vestir de

negro

n

ã

o

luto

a vontade arrefece

a dor ímpia reclama

o suave e cálido

perfume

de um morango esquecido.

As maçãs

espumam de vermelho

enquanto os corações ardem nas fogueiras que não fizemos.

O gelo derrete-se

nos beijos pe(r)didos

nos acordes de guitarra do

tentar esquecer

então

um mar de laranjas geladas

um chão sem tecto

no olhar de vidro transparente

(e o nevoeiro esconde os barcos)

(o) rio

um riso sem nome

as gaivotas limitam o meu horizonte

nada se liga

onde está o querer?

O sol põe-se quando eu tiver partido.

O regresso

e o desencontro

num olhar

que não sei.

Os regatos exigem frescura.

Quem me abandonou?

Candeeiros vermelhos

um quarto perdido

mãos sem prisões

o apelo da vida

um grito rouco

NÃO RECUAR

SER

um pássaro livre

um sorriso diferente

o amanhecer

um rio sem tréguas

o princípio

a corrida

a noite tranquila

no momento

agora

os espelhos partidos

não reflectem as imagens cansadas.

O sol encheu a cidade de alegria

e as crianças partiram em busca dos jardins líquidos

há sons no ar

viajar

pelo sentir

ir de encontro ao muro

e continuar

(todos os muros são destruíveis)

quebra-se o (en)canto

as gargalhadas encontram

o eco no silêncio

calado

da escuridão tardia.

Os cabelos

esquecem-me

os amigos

castanho-dourados

esvoaçam

sem fronteiras

ultrapassam

limites

(que eu criei?)

A resposta está no Outono

nas folhas caídas

no amarelo

das flores.

A tempestade destrói os caminhos.

Um olhar de mel

olhos castanho-avelã

sangue nos telhados

luz nas espadas cintilantes

caiu uma estrela

rebentou uma nuvem

liberdadeliberdadeliberdade

um aspirar fundo

duma violeta em água

luar res-plan-des-cen-te

o inverno tem todas as estações do ano

a musica reabre a ferida

resfolga o cavalo alado

pela

mutilação das asas

borboletas

em

festa

os salgueiros dão-me paz

num viver exaustivo

de confusão e sal

a chuva não vem

o sol desertou

tremores febris...

Amanhã

o momento é importante

uno

principal

pensamentos translúcidos

agitam-se

num acenar de adeus

definitivo

a fuga parece a solução

(a guerra continua)

PER-MA-NE-CER

não se esqueçam do frio

dos vagabundos

e dos artistas.

Lentamente, o azul confunde-me:

misturo-me com a noite

e parto com a musica.

Sobre o óbvio

  Acordo, mas não desperto. As pálpebras pesam toneladas e o corpo está crucificado à cama. Levanto-me, mas não me ergo. Ergo-me, vou até à ...