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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Mãe d'água



É o frio do vento salgado
e a espuma das maçãs
que reencontra lentamente
a minha voz.

São
os morangos silvestres
e
a música italiana
que me põem o vermelho na boca.

É a terra de cor quente
que pertence às árvores,
à água
e às pedras cor de vidro.

São os silêncios
dos meus cabelos esvoaçantes
porque
o leite dos figos
faz feridas
no coração
e
subir às árvores
é
tentar ver-te
por entre os telhados de música viva.
1982; Julho; Diário Prateado

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