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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2013

Os velhos

De certeza que foi um velho que me pegou isto. É por isso que não gosto de sair de casa… sei que me vou cruzar com os velhos do 1º direito.

Há dois dias comecei a usar fralda, a não controlar essas vontades básicas. Se antes não era assim, de certeza que foram os velhos, só de respirar o mesmo ar, o mesmo espaço.
Depois reparei em como está diferente a minha mobilidade, a minha quase-praticamente independência de movimento. Agora sou uma alface, flácida, que só mexe os membros por pequenos impulsos. Fazem-me tudo, inválido, eu. Sim, eu.
E alguém percebe o que digo? Escapam-me sons estranhos aos dos mortais não doentes, letras soltas, sons ocos, guincharia… e tudo isto acompanhado de muita baba a escorrer pelo canto da boca.
(Acabou de sair-me um cocó agora)
Ainda hoje queria apanhar um bocadinho de sol, isso a que chamam passeio, e tive que ir numa cadeira de rodas. A empurrarem-me, a depender da misericórdia de alguém que faz um frete e assim conquista o seu lugar no céu.
Porquê a…

Pétalas de mármore

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são lírios do campo estas letras com que te espero sentada na penumbra do teu canto bordado a línguas de fogo com que me gravas claves de sol nas noites de lua cheia de ti e das saudades que desprezas mesmo quando a fruta se espalha sobre a mesa num quadro recorrente de incompreensões sem data.
são rosas meu amor, de espinhos cravados nos dedos quando te sei rei, dum condado inventado pela memória com que construímos o passado num amanhã debruado a ouro sobre o azul do teu olhar.
são cravos de paixão pela liberdade que  conquistamos cada vez que respiramos num assombro de dança, tango em ri(s)os virgens de flores decapitadas. são pétalas de mármore, cristalizadas pelo suor do teu corpo no meu, quando ainda não éramos nós...
Somos nós, para sempre.

Cieiro