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A mostrar mensagens de Setembro, 2011
porque a poesia vale sempre a pena, aqui fica esta que tem direcção

A tua ausência priva-me de olhar-te
estás tão distante do meu olhar mas tão perto de mim
pressinto esse teu aroma juvenil, primaveril neste Outono quase verão.
Por onde andam os teus olhares Que não se cruzam com os meus.
O fogo da paixão dilacera-me Rebenta o peito Da pressão Da paixão Da tua ausência...
Onde pairam os teus olhos Que não se cruzam com os meus.


e porque a música é...
http://www.youtube.com/watch?v=xzrC72Xv6pE&feature=related

Lado esquerdo do peito

Quando eu me levantei acima das brumas da ilusão, vi uma Luz.
Sim, a Luz d'Ele, que me esperava com um sorriso nos lábios.
Então, Ele disse me: "Se bem-vindo à consciência real.
Que bom que voltaste ao caminho
Em muitas ocasiões, Eu tive que ser duro contigo
Porque a tua arrogância era grande e caprichosa.
E tua cabeça estava cheia de teorias e técnicas de como viver.
Mas, isso não é assim. Porque viver é muito mais do que se imagina.
E não há manual que ensine alguém a amar realmente.
E nem diploma que cure as feridas do coração.
Tu tens me dado muito trabalho, mas, finalmente, o teu ego capitulou.
E o resultado é essa Luz que tu agora vês claramente.
Agora tu sabes que conhecimento não é sabedoria!
E que o Amor real não é emoção doentia nem frieza afectiva.
E o teu coração está tão lindo, mais parece um sol.
Tu soubeste extrair lições das provas que eu te enviei.
Transformaste reclamações descabidas em lindas canções.
E aprendeste a valorizar as coisas simples da vida, como um sorriso.
Eu s…

Insectos (Parte II de IV)

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parte II de IV
Sempre me fascinaram, pareciam jóias mágicas aladas, pequenos puzzles de refulgente rendilhado e organza, delicados seres que emergiam das águas escuras e pungentes dos pântanos… lembro-me de ser pequeno, de ser maior do que elas, mas de elas serem igualmente pequenas e, ao longe, tanto maiores quanto eu me sentia, por as ver a voas, cortar rectas entre tabuas e caniçais, pairar, como se o ar para elas fosse a janela do universo onde assomavam curiosas, ansiosas pelo espectáculo único que todos os dias acontece quando Apolo passa ligeiro pelos campos de Ceres.
Mas é aqui que está o truque, a ilusão, o engano. A beleza élfica, o enigma orgânico do metal vivo, do vitral pulsante, da jóia alada, como tudo o que é belo, orgânico e pulsante, tem uma génese, um momento da criação, o volteio suave das mãos do mago quando maravilha a audiência e a todos surpreende: ei-la! Contemplem a beleza maior, o deleite do criador, o segredo da fragilidade, da sensual feminilidade e de toda …

Insectos (parte I de IV)

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Insectos 

Parte I de IV



Sem que ninguém te veja, sem qualquer som ou movimento suspeito, ergues-te sorrateiro, matreiro, invisível, indivisível. Passas pelo foco do projector sem que a sombra te denuncie. Rastejas junto à parede, sentes no teu ventre a textura áspera da tinta envelhecida. No ar, paira um aroma a bafio e madeira apodrecida e junto à cama de ferro está um monte de roupa velha que outrora fora de uma criança, talvez um menino, 6, 7 anos, ele esteve ali, mas não estava mais. Passas pelos farrapos e esgueiras-te rapidamente para um canto escuro, enrolas-te numa bola de sebo e cotão e murmuras baixinho algo que só tu saberás o que é. Murmuras, cantas para ti e adormeces, embalado num pranto de estalidos e assobios. O dia não tarda a nascer e a luz, toda aquela luz, irá invadir a casa através de frestas nos taipais e buracos no telhado. 
Noutra noite, outra de centenas de outras noites, madrugadas inteiras de solidão que te ampara, aperto que te afaga, afogas-te na miserável se…

Tília

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No fundo da tua chávena abre-se uma fissura.
Agora a água do chá já não se contenta com a meiguice da porcelana.
Gosta e espalha-se pela toalha embebida em humores de ontem
e do outro ontem, e do ontem antes do outro.
Queres passar uma cabeça de dedo sobre tudo?
Dizem que ajuda a desencrostar as células mortas
do tempo em que a janela rangia influenza sempre para o mesmo lado
e tu espirravas verbos numa proporcionalidade directa.
Agora a água já não se contenta e não te passa pela garganta
passa pela corda onde penduro a toalha
onde esta seca.
Fica rígida com as conversas peniscas da rua
fica enrugada pelas molas de pernas sem joelhos
que nem mesmo o calor da inflamação consegue esticar.
Pois bem, hoje antes do ensejo do chá recordei:
Tu não és dotado de pulsações.
Atiras os meus pensamentos contra o vidro da janela
e esperas que a luz do sol projecte os meus desassossegos no chão da sala.
Depois, como se fosse possível
dissipas tudo para debaixo do sorriso
e com os pés em cima dele dizes que me conheces…

Bom fim de semana

Que a tua voz atormentada de poeta esquecido chegue brevemente aos ouvidos moucos de quem mais nada quer saber...
Que alguém te encontre, para além de mim...
Que outro te reconheça...
Que as tuas palavras alucinadas, escritor velho, façam eco no espaço vazio que se ergue apenas entre nós, que encurtem a nossa distância esticada...
Que ninguém te oiça...
Que nenhum'outra te veja...
E que mais tarde, depois de mais um dos teus fins de semana de indolente promiscuidade, retornem a mim as palavras e sons do teu amor esfomeado!
Que os teus olhos surdos saibam ler o mapa, que os teus ouvidos embriagados vislumbrem o caminho...
Ficarei à espera, qual louca, desbravando um boulevard de sonhos de sábado à noite, qual santa, descansada numa chaise loungue dominical...
Que regresses a casa...
Numa qualquer segunda feira, cedinho de manhã!
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Postal de férias devolvido

Fui à caixa de correio e encontro, enrugado e amarelado, o meu postal, carimbado a vermelho com o texto "destinatário desconhecido".
O postal não tinha chegado a quem de direito, engoli em seco.

"E agora?"

Não conseguia pensar, parei, gelei, fechei...
Volto para dentro da minha casa preferida, directa ao meu quarto, quarto fechado por quatro paredes sem janelas, para nem ter a tentação de sair!

E naquele espaço onde era suposto ter vista previligiada sobre o jardim e a piscina, onde existem espreguiçadeiras e cocktails de várias cores, em copos grandes enfeitados por chapelinhos e palhinhas, estava agora uma prisão de alta segurança.

Tinha entrado de livre vontade mas... não me deixava sair!

"E agora?"

E quando parei no tempo e no espaço vazio, parte de mim experimentou sabores amargos, diferentes, e como numa adição, deixei-me ficar.

Estava fechada em mim, mas ao mesmo tempo estava enebriada pela escuridão, ou seria acomodada, …
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Mãe,Desculpa ter saído sem avisar mas tu conheces-me bem e sabes que não consigo conter-me. Tudo o que faço fere-te. Sou um filho maldito, um vírus que não pararia até ver-te morta.Eu preciso das minhas obsessões. Preciso das nódoas de ferrugem, cinza e alcatrão. Preciso do crude à volta dos tornozelos e debaixo das unhas. O chumbo e o mercúrio acalmam-me. As turbinas, os reactores, os postes de alta tensão são como membros que deveriam ser parte da minha carne. Contorço-me à noite, deitado a imaginar refinarias, altos fornos e explosões de dinamite. Acordo em abstinência e preciso do cheiro dos solventes e da benzina. Todo o meu corpo pede que saia para a rua e o ofereça às águas azotadas e às radiações que o queimam. Rebento a porta e vou à procura da combustão lenta. Quero as mutações genéticas, quero o smog a sufocar-me, quero árvores a cair, quero extingir e extinguir-me. Quero arrancar-te bocados a céu aberto, inspirar e senti-los enegrecer-me os pulm…