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A mostrar mensagens de 2014

K is for Kin [The Alphadeath Codex]

In all the fallen leafs and brittle branches
In the still puddles and murky water
Inside the bleak hollows beneath the old roots

You won’t find me there
For I am dust and dirt
A feather floating amidst the locust winds
Ravaged by the echoes of a nameless name

And the itch
The unstoppable itch
That grits the nerves and gnashes bones
The venomous anxiety that swallows you whole
It’s not me
Nor by me is brought

For I am now forgot

And all that you see in front of thee
The metallic taste of a kiss ~
The denied bliss of love unfulfilled
The marks you left in your mind field
The bodies now carrion
Wasting in uncanny quietness
All the madness

That’s not me
That could never be me
For I
I am the next of kin to nothingness
I am the emptiness
The void in your eyes as you take your last breath

I am become death
Raios serpentinando pelas frinchas desta porta, e a criança lá dentro, como estátua de sal pontua a penumbra que me cobre como um cobertor demasiado curto onde os pés sobressaem ligeiramente arroxeados do frio acumulado. Reverberam vozes agudas, longínquas, risinhos inocentes pela parede que divide do condicional, pleno de mofo e teias de aranha. Deste lado só vácuo, ranger de dentes uma boneca amputada e cega e o buraco negro que já me sugou, ruminou e cuspiu com nojo.

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(...)  Vejo-a ao longe. O vento bate sobre a sua face. Mas parece não se importar. Deixa ele levantar o seu cachecol à volta do pescoço. E sorri. Sorri como se tivesse a desfrutar de algo mínimo naquele momento. Observo-a de longe. Memorizo cada detalhe, cada gesto, cada ar... Decifro o seu olhar. Como se fosse um puzzle. Tento conhecer mais. Saber mais. Quero saber o que lhe fascina. Quero saber o que lhe assusta. Vejo-a como se fosse a primeira vez, e apaixono-me como se fosse a última.  Ela vem na minha direcção. Serena, calma... O tempo pára. Torna-se apenas um conceito vago e absurdo. Deixa simplesmente de existir. Sou apenas eu e ela. Quando chega perto de mim, o seu sorriso eleva-se, o seu rosto ilumina-se. Devagar e rápido ao mesmo tempo. Algo tímido. Há algo no seu olhar. Tem olhos grandes e castanhos. Que apesar de serem escuros, quando os nossos olhares se cruzam parecem claros, brilhantes. Não sei se será dos charros. Ou se sou eu que vejo algo que poderá não estar lá. Ma…

Cal.de.irada

A cal ferve no poial caiado a panos quentes Não se quer irritar os tornozelos zonzos Quer-se que a mão de lixa abra o postigo  que a voz mendigue sopa de letras em direcção à panela de barro e acabe de vez com o fastio (Talvez o maltês oiça sem assomar a cabeça) Mas já passaram uma data de dias em que os pés fundidos ao chão metálico não abalam senão para o coração de coronárias apertadas de aperto de batimentos que são contos, cantos, contas presos com pontos nas pontas de pranto na bainha do poial (cozido ou cosido a linha de alinhavar com cheiro a peixe) debaixo da porta que tem o postigo que tem gente que não abre.

J is for Jaded [The Alphadeath Codex]

Say the word
A gentle scream unleashed in the roaring silence of the night A gasping sound echoing into a blood drenched hollow oak Eyes open engulfing pictograms of crimson light consuming light An eerie blinding bursting light Draws the words left unspoken
Say that word
The one that burns in my cold lips And tears your heart into shatters Say it like it matters As if the stars would crumble into the land
Say it now Because no one else can
Scream that word Shout it aloud so no one can hear you Rip it from your lungs into the saturated air Say it  like you mean it Like you really care
Say it If you dare
Say it again and again And again That jaded feeling of forgiveness And sorrow
Softly breathe it Into my weary mouth Say that you love me Maybe if you mean it Somehow
Amidst the chaos And run-arounds I’ll live again But It really doesn’t matter anyhow
Say that word

Say goodbye Say it like you mean it For this time You will not be saying a lie





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Deito-me no chão a olhar pela janela e no tempo eu me perco. O céu está cinzento. E essa cor é tudo o que eu vejo... Se os sentimentos fossem cores eu seria cinzento. Perderia-me na neblina matinal de Inverno dentro de mim própria. E nela sou apenas um vulto que lá passeia permanentemente. Nisto, já eu me perdi inúmeras vezes. Acho que na verdade, cada vez que consigo sair, iludo-me. E mais uma vez estou aqui. Perdida. Confusa... E sinto fervilhar o sangue, sinto a frequência cardíaca acelerada, as minhas mãos tremem. Algo me tornou vulnerável. Já não consigo dormir de noite. Esta imensidade de emoções corroí-me por dentro. E contar só comigo para lidar com o que sinto exige demais de mim, mais do que posso. E isto, isto que sinto e não sei... é interminável. Sinto o desespero dos gritos da minha cabeça. Os tapetes do meu quarto disfarçam as poças secas que eu deixei criar. No entanto, nada faço. Deixo passar. Acolhi-me a esta rotina emocional. Em mim ficou um pedaço de nada, um vazio…

Voo TP 706

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Até mesmo os olhos fechados ao exterior, aceleravam o coração na corrida para o mundo a descobrir por dentro outras coisas, tão novas que lhe eram agora intimidade suprema de si.
Colecções de lembranças em caixas de cigarrilhas, douravam-lhe a pele, o cabelo, o olhar de uma luz ambarina.
De mãos dadas com o tempo, escreve, descreve, imagina… sucinta textos desfragmentados a tinta permanente, azul, cor da infância e dos laços nas tranças.  Crepuscular o vazio do estômago quando o avião levanta voo, num misto de grito incandescente de vida escorrida dos dedos que se conformam nas mãos esculpidas. Como se fossem mármore.
Viaja em velocidade uterina, o sabor do jantar a passado, como quando se deseja muito algo que acontece decorrido tempo demais, o sabor a guardado, quase naftalina bolor de prado estéril.
Aquela noite era diferente. Imperava o contraste de uma tarde de insónias misturadas entre o fabricado, o fumo de palavras implícitas, os cheiros dos restaurantes take-away. O jantar desconf…

Enseada

As pessoas dirão que eu procurava a morte. Puxo o barco para a água, entro nas névoas verticais e deixo-me levar para os alcantis. Dizem que são ossos de rocha, dorsos de animais que despedaçam homens. O casco rompe-se. Não luto. O tempo escorre.

A Cibele contou-me que existe uma cidadela nas profundezas e que o caminho para lá abre-se no nevoeiro. No início é duro, depois frio, depois escuro, depois calmo e, por fim azul. Ela prometeu encontrar-se comigo lá um dia. Eu não posso esperar mais.

Uma a uma revejo as escamas da minha vida. São como aqueles panos de espuma suja que ficam no areão da maré vaza depois das tempestades, misturadas com os despejos do mar. Dizem-me que a amargura do meu pai cheirava a álcool. No dia em que o seu homem não voltou, a minha mãe caiu de joelhos na praia e entregou-me às ondas. Nasci ali mesmo, com as suas águas e sangue a correr para o oceano. E todos os anos, no meu aniversário, ela voltava àquele lugar para espalhar uma mão cheia de sal. Não sei se par…

Reencontros (ou como as realidades paralelas são inúmeras e irremediáveis)

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… A mão desliza pelo ombro nu. É a alma que acaricia, não a pele branca de luz. Toca tão ao de leve que fico presa nesse gesto de uma cor para a qual ainda não existe pantone.
Ver-te é voltar a ganhar vida e o louro dos cabelos curtos recuperam o brilho antigo.
Imagino que me reconheces os passos, quase sempre apressados, por vezes pesados pelo cansaço tingido de ausência. Raramente espero pelo elevador, mais pela impaciência, que pela possibilidade do constrangimento de ser obrigada a falar com alguém, quando me apetece silêncio. Silêncio que me escorre pela memória se entranha no vento do ar condicionado e se rebela aos gestos autómatos, na cadência do respirar. 
Cheguei tarde porque queria ter sido a primeira, com a arrogante certeza de que então seria única.
Sorris-me nesse verbo musical com que inventas metáforas aluadas. Nos teus olhos um lampejo de surpresa que não consegues disfarçar, quando me olhas depressa, como se não visses.
A tua mão no meu ombro desce até á minha mão abandon…

E porque há dias em que parece que o mundo vai acabar

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tempo? parte ínfima de reticências em que nada ouço. tudo se adivinha no pouco que dizes. recolho o teu olhar mais profundo por não se materializar nos ruídos das certezas. o silêncio nas palavras. o silêncio a escutar, no delírio da tua boca. palavras de sangue.
palavra de honra que continuo a beber pedras de gelo, a derretê-las devagar, língua encaracolada de beijos escondidos como a sombra que corre invisível escurecendo o momento…
espantas-te com o meu riso, sei que o teu tempo é de agenda, mesmo antes de mo fazeres sentir. sim, pensei em retomar o início do que nunca tinha começado. 
tento disfarçar a impaciência por te sentir apressado. imagino e anseio que tragas desejos nas pontas dos dedos com que faças correr o fecho do vestido justo. olho-te e sei a cor da saliva que te prende a fala.
por momentos as mãos tocam-se. movimentos excêntricos de descobertas e memórias. devaneios com que vou entretendo a solidão.
(tenho um vinil de uma banda punk que aposto, desconheces. não to vou of…

CORPOS

Encostei-te à parede e fui arrancando suavemente a tua roupa. Os nossos corpos fundiram-se sedentos um do outro. Por momentos os nossos olharesdigladiaram-se numa batalha silenciosa. O brilho do teu reflectia-se no espelho do meu. Sorvi dos teus lábios a paixão, tu puxaste-me para ti como se fosse possível fugir àquele abraço furioso. Fizemosdos lençóis uma praia silenciosa após uma tormenta. O suor misturava-se, percorri com os meus lábios cadacentímetrodo teu pescoço. Com as mãos viajei pelas curvas suaves dos teus seios. As tuas unhas arranharam-me levemente as costas e eu tremi de prazer. Um arrepio percorreu a minha espinha e explodiu na minha boca sob a forma de um suspiro. Os nossos gritos lutavam uma batalha desgarrada, cada um seguido do outro até à explosão conjunta. A nossa dança parecia interminável, o coração acelerou, a adrenalina disparou e num momento de puro êxtase perdemo-nos no limiar da razão. Uma sensação de liberdade tomou conta do meu corpo e abracei-te na tentati…

DOZE

Correm em mim sombras negras, correntes que escorrem pelos meus dedos moldando o mundo, por isso te digo, deves afastar-te de mim sob pena de seres consumida, depois nada mais restará e a noite será eterna.
Afagava sentado no banco do jardim as teclas do telemóvel silencioso, como se aquele pedaço de matéria inerte pudesse matar a sua solidão. O vento levantava o pó do caminho, levava com ele o seu olhar perdido, o olhar fixo num pontoinvisívelenquanto as pessoas esbarravam numa linha ténue entre ele e o fluído humano imparável. Espremiaà sorte as teclas, como se de facto o grande texto revelador da sua condição estivesse na sua mente e disparasse à velocidade da luz para a ponta dos seus dedos cada letra, fazendo o sentido ansiado. Levantou-se com o olhar ainda fixo em lugar algum, deu doze passos. Exactamente doze passos como cada hora do relógio e seguiu indiferente ao barulho, aos destroços, ao sangue derramado, enquanto o banco de jardim se desfazia sob lata amolgada e o telemóvel ab…

Dez parágrafos de Agosto

Sopro a areia entre os dedos da mão, assim como quem faz bolas de sabão. Não me lembro se estive a fazer castelos de areia ou a contar o tempo com a mão-ampulheta, só sei que adormecer é tão difícil como encher um buraco na areia com água.  As madrugadas são passadas a enrolar a maresia em forma de rifas de quermesse. "Esta tem prémio" e dá vontade de esticar o braço para chegar ao prémio que é quase sempre umas pegas de cozinha  bordadas (pelo menos falo por mim). Mas pegar no quer que seja faz-me aquela tontura que se tem à beira-mar quando as ondas recuam e deixam os pés com cócegas.  Decido ficar sentado nas dunas tisnadas pela noite e fazer de conta que o sol vai nascer no pôr.  
Reparei: os olhos ardem como se fossem chorar um ácido temperado com pimenta, as maçãs do rosto estão pálidas como se tivessem almoçado arroz em pó e os joelhos doem como se as rótulas estivessem enferrujadas pela humidade humilde do tempo que faz.

Não está mais ninguém na praia. E não estou c…

I is for Inertia [The Alphadeath Codex]

I want to go home

I need to smell the fragrance of rosemary one last time To step in the pebbled trail that leads to your door Drifting towards a rescue flag, back to safe embrace Floating like petrichor after a warm summer rain I wish I could be there again
Say Say my name Whisper gently so the whole world can hear it Muffled by sorrow Make it echo in every chamber of your heart Cry it so quietly until it pulls you apart And hold it forever in a void So it can never be destroyed
I’m now but a ripple in a dead calm sea In the offing of my destiny Lithe and delicate In languor afloat A dream I will become Asunder from you Strand ashore
Seraphic Idle The inertia takes me deep into the everlasting sleep
I will never go home For as I slowly sink into blackness And as the blood runs loose from my veins Drenching ripped leather, twisted metal and broken glass I myself become past
And through the shouting, the wailing sirens The screams of terror and burning flesh I recall the frag…

H is for Hail [The Alphadeath Codex]

Sinister, you dare to say? The day grows late, the sun is grey My eyelids can no more carry the burden of Thy sight
Oh! Poor me, unable to uphold all this might, I shall hide, quick Startled by the footsteps pounding heavily on the metal spiral staircase, The one where the ivy looms and rats lurk, With their beady eyes glowing like dying ambers from yesterday’s fire May this thunderstorm soothe Thy anger and fade away And let the night roll deep, unaware of hell’s blaze
I dread all forms of warmth For warm feelings are too vague, mundane And a man in my position shan’t have his name allied with piety or other things humane Alas, this is the price to pay, for serving Thy name, my nameless shame
As I sat proudly, cloak and staff disguising the hoary and frail I glance at the crowd reunited here once more Hoping I’ll bring them hope for days to come Yet for myself hope I have none
Thy wrath, Thy virtue and untarnished love All this we expect from above, hands outstretched Claiming for rain to pour and…

G is for Grasp [The Alphadeath Codex]

Sometimes I believe
Sometimes I accept that one day, all will fall apart
Sometimes I just know I’ll break your heart
Sometimes I can see
Clearly
A dark river runs through it
Floods the gates
Thrashes the gentle willows unable to bend before such rage
And deep
Deep within myself
Sometimes I accept
That I have become hell

And no bird will sing or cloud show silver lining
Because, sometimes
The fear is blinding
And hate is the only thing gleaming in your eyes
When sometimes, everything else just dies

And as hope withers, it cries in a whirl of misfortune
And fades to black
Sometimes, there is no turning back

And then, by cruelty veiled
Seated in a throne of spite
I give up the fight
Close my eyes
And quietly embrace the gloom
Victorious in doom
I have vanquished my soul

As I lay silently unfathomed
Sometimes I wish that all would fade away
And a that a harsh blow should strike me dead
So I may dream of faraway places no more
So I can hide from all this maelstrom
So I no longer try to gr…

F is for Fractal [The Alphadeath Codex]