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A mostrar mensagens de Outubro, 2010

Felizes na Terra

Na natureza, nada se perde, verdade?
Tudo se transforma... Inclusive, as pessoas.
Então, essa é a esperança da Companhia do Amor.
Que torce para que os tolos se transformem em sábios.
E que as trevas de muitos se transformem em poemas luminosos.
E que a mão que hoje bate, passe a curar...
E que o Amor se faça em todos os corações.
Porque tem alguém que nos ama, muito mais do que imaginamos.
E Ele ri junto connosco... E sabe tudo o que somos e pensamos.
Sim, está, sempre presente...
E é por Ele que escrevemos sobre as coisas do coração.
E também sobre a imortalidade da consciência.
E vamos continuar... Bem do nosso jeito, com toques de primeira.
Porque ele pediu para nos descer mos a lenha na morte.
E, como tudo se transforma, vamos transformar o luto em luz.
E que assim seja! Pela Vida. Pelo Amor. Pela Alegria.
E por ele. Porque Ele é alguém que nos ama!
É... Tudo se transforma, inclusive nos.
Mestre?
E quem não é mestre de si mesmo, também não será dos outros.
Porque quem não faz o que fala, não está c…

Hoje és minha (um 'miminho de Halloween')

Hoje és minha



Podes aninhar-te no sofá e esperar
Podes beber um chá quente e suspirar
Mas nada te irá salvar
Nada me poderá parar
Porque hoje és minha

E se conseguires fechar os olhos
Suspender a respiração por um segundo
Tentar desaparecer dentro do teu mundo
Não vai resultar
Não poderás escapar
Porque hoje és minha

Então, concentra-te
Prepara-te
E deixa fluir
Não tens que fugir
Não tens porque resistir
Porque hoje és minha

E se um sorriso te escapar
E entre tremores te sentires
A desfazer como neve
E num momento tão breve
Aceitares
Redescobrires
Aquilo que sempre soubeste
Dentro de ti
Aceitarás o que temos
Saberás como só nós sabemos
Porque hoje és minha

Entre a dor e o prazer
Saberás escolher
Com autoridade
Dominar
A energia que entre nós flui
Quando no espelho me reconheceres
No brilho do teu olhar
Eu, o teu par
Dentro de ti, eternamente
Almas gémeas inseparáveis
Voltarás para o teu quarto
De novo juntos na tua cama
Amantes em dual possessão
Duas almas num só corpo de deleite
P…

Dia Mundial da Criança (que há em nós)

Levantou-se cedo apesar do cansaço.
Há que ignorar forças que nos tolhem os movimentos e pensar que é a preguiça.
Hoje , neste dia especial em que recebia mimos dos pais, independentemente da idade, resolveu partir numa viagem pela cidade, até à sua infância.

Trajecto longo. Mas a vontade de ficar no conforto dum espaço onde foi tão feliz, era mais forte que tudo.
Vestiu branco e preto, uma túnica marroquina e calças de linho. Sentiu-se bem a recuar no tempo.
Em que as maçãs eram o doce da ternura e as cerejas colhidas das árvores.
Em tons de rubor de pureza anunciada.

São Paulo. A Igreja onde fez a primeira comunhão. A porta do prédio onde cresceu.
O Elevador da Bica estava quase a partir, esperou por ela (sempre às voltas com a mala a abarrotar de inutilidades).
A emoção de tantas viagens. Os mesmos lugares sentados e em pé. A mesma velocidade .
O regresso ao passado.
A chegada do fim da viagem. Virar à esquerda de encontro ao Jardim do Alto de Santa Catarina. Agora com esplanada. Magnífica. Q…

Estrela...Estrelinha...

Estrela, Estrelinha...
Que desceu na terra
Para cantar a Luz.

Estrela, Estrelinha...
Que voltou para casa, lá em cima,
Porque não era do mundo, era luz.

E, hoje,acordei lembrei-me de uma canção.
Uma das tuas...
E senti uma saudade doce, como um rio dentro de mim.

Sim, uma saudade com sabor de estrela.
E a visão de alguém cantando e dançando no Céu.
Uma saudade, Estrelinha.

E não questiono o que senti, porque sempre escuto o meu coração.
Assim como tu fazias .
E, hoje, além do meu pai, eu também me encanto com o teu canto.

Estrela, Estrelinha...
Algum Poder Maior me despertou no meio da madrugada.
Para escrever algo sobre ti - e alegrar o meu pai.

Daqui a pouco irá amanhecer...
E eu fico aqui pensando nos desígnios celestes.
E no quanto todos nós somos guiados invisivelmente.
Como pode um pequeno coração aguentar um Grande Amor?
Talvez, cantando e dançando. Ou, escrevendo e deixando ir...
E, assim, partilhando linhas secretas e invisíveis.
Quanto mais eu vejo o infinito, menor eu me sinto.
E, diante de tal gra…

24, horas.

Por mais que tudo pareça igual,
Por mais que reconheça,
Apetecia-me voltar ao desconhecido.
Depois de ver o jardim,
De ver as horas a serem contadas nas folhas
Que movem-se em câmara lenta.
Depois de o chocolate derreter,
E ver uma colher a ir ao seu encontro,
“Queres um bocadinho?”
“Não, come tu.”
Apetecia-me mesmo voltar.
Irrita-me o facto de não conseguir voltar,
A chávena de café, o açúcar, o mexer…
As imagens dos grãos de café a serem triturados,
A serem colhidos,
A serem plantados,
A serem pó.
O livro na estante.
As folhas outra vez em câmara lenta,
E as letras a derreterem,
“Queres ler?”
“Não, lê tu.”
O som da madeira, o cheiro.
O risco do compasso.
O corte do formão.
O entalhar.
O relevo.
A mensagem.
A chuva que tem acidentes contra o vidro,
Que chora por isso, porque doeu, porque dói sempre.
O sol que teima em vir atrás e secar sem piedade a chuva.
Mas a marca da chuva é sempre mais teimosa,
“Já limpaste as janelas?”
“Não, limpa tu.”
O rodar perfeito da chave,
O conhecer de cor a fechadura,
Mas mesmo assim,
Sent…

O Regresso dos Heróis: Memórias de Batalhas Esquecidas, em 4 Actos

Quadro IV – Glória



Enquanto as maças adoçam ao sol do fim do Verão
Os sorrisos das crianças elevam-se por entre nuvens e brisas frescas
O cheiro a terra lavrada enche-nos de esperança e conforto
Algures, para além dos limites da nossa existência, existe algo maior


E lá, não haverá morte
Tu e eu poderemos deambular pelo parque da cidade
Longe do terror dos céus de metal
Para lá do alcance dos gritos de desespero
Para lá das balas, da lama das trincheiras, do meu sangue nas tuas mãos
Para lá do desespero de sobreviver, que nos corrói e mata em vida
Para além do olhar de quem assiste ao nosso último momento
Envolto no riso imortal das crianças que nos rodeiam, felizes
Longe dessa amargura que te irá matar,
Longe do campo de batalha, onde me sobreviveste
Perto do sonho
Eu e tu, meu irmão, todos nós
Seremos um só


Quando a chuva me escorrer pela face e cair a meus pés
Quando o som das minhas palavras for como a seda dos teus beijos
Quando o dia nascer, finalmente limpo e luminoso
Eu serei …

Lusco-fusco

Saiu atrasada. Como sempre. Quase descomposta, o vestido amarrotado (a tentar telefonar-lhe enquanto aguardava o elevador e deixava os dossiers no secretariado) nos seus saltos altos em equilíbrio precário.

Esperava-a não muito perto, onde, no meio da multidão que sai dos empregos na pressa de chegar a casa, seriam mais um casal. A passar despercebidos. Em pecado. Desfrutado. Revivido. Intenso.

Mas sempre como se fosse a primeira vez.

Ele está no "café deles", jornal e bica na mesa.
Observa-o sempre através do vidro, antes de que ele a veja. Ou pensa que assim é...

E entra encantada, numa paixão adolescente, a diferença de idades não se sente. Somente na sensatez dele e na impulsividade dela.Quase feroz, arrebatadora.

Ergue o olhar, surpreso por ela já estar junto de si, tão absorvido que estava pela leitura . Porque por vezes, levanta-se e vem buscá-la à porta.
E ela sente-se a mulher mais amada do mundo, por a proteger assim.

Ele sorri e o mundo dela centra-se nele, naquele sor…

O Regresso dos Heróis: Memórias de Batalhas Esquecidas, em 4 Actos

Quadro III – O Valor dos Homens




O dia ainda se espreguiçava no horizonte gelado, as ervas vergadas sob o peso da orvalhada serviam de testemunha à noite fria dos dias antes da lua nova. Estava na altura de partir em missão.

Os dois batedores avançavam por entre o matagal espinhoso, em busca dos ambicionados troféus, a prova de que são guerreiros de valor, os mais bravos entre seus pares. À medida que se embrenham entre a vegetação cada vez mais densa e o Sol aquece sob os seus ombros sabem que é hora de entrar na floresta escura, onde existem menos probabilidades de serem vistos pelo homem-branco. Esta vil e traiçoeira criatura, tão parecida com os seus irmãos de tribo e, no entanto, tão diferente. Ele não é como o Lobo que caça para a sua tribo quando precisa, ou como a cobra que se defende com presas venenosas quando acossada. Ele é mais como a chuva violenta do princípio da Primavera. Se a aldeia estiver no seu caminho quando esta surge a correr pelos desfiladeiros é engolida sem p…

À sombra do loendro

Caminha lado a lado do homem de sorriso aberto.
Aos poucos vai ficando para trás, a cadela exige atenção, o caminho é pedregoso, sinuoso, íngreme.
O mundo rural em toda a sua beleza numa força da natureza.

O rio cada vez com menos caudal, as macieiras com frutos caídos, oliveiras semi-abandonadas...
Sementeiras recentes em nuvens de pó. Vegetação viçosa, ainda verde, não ardida.

Os odores acompanham os passos. São perto das seis da tarde e o suor anuncia-se na testa, ensombrada pelo chapéu de palha. De fita azul.

Pernas firmes , morenas, macias , apesar das silvas que atravessam. Calções e t'shirt.

Na mão um pau que já foi ramo de árvore. Como apoio. Como apontador da direcção. Embora siga o homem.
E a cadela que pára até que ela se aproxime. E salta e brinca. Cachorra.

O homem conversa, ri, tenta recuperá-la dum mutismo inapropriado e irreconhecível.
Tenta recuperá-la, na força das palavras, no interesse dos assuntos, no humor e boa disposição que a caracteriza(va).
O homem tenta tudo: um b…

A Primária

Estou na primeira classe e tenho um grilo.
Mora numa caixa de fósforos com buraquinhos.
Mas porque os irmãos mais novos devem de sofrer de uma doença chamada “irmão-mais-velho”, e eles falam sempre demais, tive de devolver a caixa à cozinha da minha mãe.
Quem me dera ter nascido de uma macieira.
Hoje era uma maçã e teria como animal de estimação uma minhoca grande e gorda, dentro de uma caixa de folhas que teria ido buscar à cozinha da árvore.

Estou na segunda classe e tenho uma estrela-do-mar.
Mora numa caixa de morangos.
Mas porque os irmãos do meio devem de sofrer de uma doença chamada “irmã-mais-nova”, e elas estragam sempre demais, tive de devolver a estrela ao mar dos meus sonhos.
Quem me dera ter nascido de uma bicicleta.
Hoje era uns pedais e teria como animal de estimação uma estrada longa e magrinha, dentro de uma caixa de pedalar constante que teria ido buscar aos gémeos das minhas pernas.

Estou na terceira classe e tenho uma joaninha.
Mora numa caixa de bolachas.
Mas porque os irmãos …

O Regresso dos Heróis: Memórias de Batalhas Esquecidas, em 4 Actos

Quadro II: O Bom Soldado



- Doutor ajude-me, por favor. Não se vá embora, oiça-me, eu preciso de falar com alguém…


Está uma manhã magnífica de sol e frio, o ar gélido paralisa o olhar de quem procura o seu momento de paz, um instante no desenfrear violento do infinito devir das coisas, uma fatia de tempo para saborear, um minuto de silêncio em honra dos heróis do passado. Nas ruas não há almas, apenas pessoas atarefadas e absortas no seu dia-a-dia, nem um som para além do ruído infernal do caos tranquilo da vida nos subúrbios, tudo está em paz, à medida que o mundo desaba e a esperança de cada um colapsa como um castelo de areia fustigado pelas ondas violentas da maré da inquietude. Um dia como os outros que se passaram e tornarão a passar.


- Eu era apenas uma criança… sabe doutor, nestas coisas nunca sabemos como seria se fosse diferente. Eu queria que tivesse sido diferente, queria saber que eu poderia ter sido diferente. O doutor percebe-me, não percebe? Eu sei que percebe, eu sei qu…

Chove, Chove Sem Parar...

Chove lá fora...
E ai dentro também.

Mas a chuva dai...
É no coração.
É chuva de Amor...
E não tem igual.

Porque limpa o ego...
E transforma tudo.

Ah, tem uma chuva ai...
Mas não há nuvens pesadas no teu horizonte.

Porque é chuva de Amor...
E clareia o céu do teu coração.

Tu olhas a chuva lá fora...
E emociona te com a chuva de dentro.

Ah, chuva que limpa o mundo...
E corre para se entregar ao mar.

Ah, Amor que chove ai dentro...
E sempre corre para se entregar à Luz.

Chove chuva, chove sem parar...
Chuva de Amor, que não se explica; só se sente.

Chove chuva, chove no coração...
Chove Amor, sem parar...

Ah, tem uma chuva ai...



PS. (Às vezes,perguntam me se estou apaixonada.
E eu respondo afirmativamente.
Sim, estou apaixonada, desde que nasci.
Ou, melhor dizendo, até bem antes disso.
Fiquei apaixonada pela Vida, que é muito mais do que percebo.
E porque o Amor é um estado de consciência.
E eu não sei explicar nada disso, ainda bem.
Porque, se explicasse, seria algo só da mente.
Então, escrevo e deixo os outros espe…

Além Tejo

A manhã apressa-se ao som do rock-pop refrescante. O gorgolejar de água pincela de azul, o quadro de pastos adourados pelo calor do vento. Os sobreiros erguem-se imponentes, competindo com as oliveiras de sabor mediterrâneo. Sons de "espanta-pássaros" cortam o ar quente dum sol escaldante.
Uma aragem toca d-e-v-a-g-a-r o meu corpo deitado.
Sento-me entre um beijo calado e um poema inacabado.
Agarro as palavras com que amanheço (s)em sono.
As formigas são a distracção quase hipnótica do momento em silêncio.
Calo a voz, solto os cabelos e apago o sol para um exílio inacabado. Vai o dia a meio.
E sorrio.

O Regresso dos Heróis: Memórias de Batalhas Esquecidas, em 4 Actos

(Nosound - Fading Silently)


Acto I: Em ombros

O ranger do soalho acompanha o ranger das portas da memória, à medida que estas se entreabrem com o soar dos passos sob o alpendre. O aproximar do mensageiro acelera o pendular ritmado da cadeira de baloiço.

Nada lhe importa agora. Nada se sobrepõe à sua memória, que agora flui selvagem entre as portas escancaradas, varrendo qualquer esperança ou cor. O Mensageiro está à porta. Ela sabe o teor da missiva. Ela sabe o que a espera. E sabe, no íntimo recanto do seu peito onde antes o guardava que não mais o irá esperar. Ela sorri, ansiosa. Levanta-se, com a calma solene do olho da tempestade, apoia os seus braços cansados de preces incontáveis sobre os apoios gastos do berço áspero em que se aninhava noite após noite de espera e ilusão e, como Cleópatra aceitou o cesto de figos onde vinha a áspide, também ela irá aceitar a carta.

O texto não a surpreendeu, chocou ou sequer a comoveu. Dizia o que ela já sabia desde o dia em que ele partira. A…

(Im)Pura

Lava-te. Não te quero assim impura. Nem te reconheço, quase... não pareces tu. Quero que a água te dissolva a mágoa e o cansaço, as olheiras e o sal seco das lágrimas, as palavras e as marcas do mundo lá fora.

Quero que venhas lavada e nua até mim. Quero-te em jejum de sentimentos e nutrientes. Quero-te pele e osso, vazia por dentro, como um tambor onde as minhas mãos possam ressoar. Quero o teu silencio de neve a cair. Branca e imaculada. O teu silencio de sempre, vazia como sempre.

Nem pareces tu...

Gosto que não adormeças nos meus braços e fiques toda a noite de olhos abertos no escuro, os teus olhos rasgados sem nada dentro. Gosto de olhar para eles e não saber se mora lá alguém.

Estou cansado de gente que chega com bagagens e passado e invade todas as divisões da minha casa com escovas de dentes, livros, fotografias, roupa, recordações de infância, animais de estimação que me odeiam e que eu odeio, opiniões, jarras de flores, dedadas no vidro, migalhas no chão, promessas de amor ete…

Musical(idade)

Choro do colo perdidoabraços (de) passado(s).Corro de encontro ao espelhopelo caminhode reflexos tardiosbaços nos espaçosluzidíosebrancososolhares de navios que ondulam (n)os teus cabeloscresposos sorrisoslestosos passosque desviam os teus dedos de pianistadas minhas mãosde musica.

Miles away from

Distance in me
I wonder were the ability went
For the travelling light
Weight on the floor
Oh miles, oh miles…

Today I’m contemplating the inner me
The mathematical theory of knots.
The unknot!
Surviving in the loop?
Oh miles, oh miles…

Brain aches come over
The unknot.
Sleeping without resting.
Never resting.
Oh miles, oh miles…

The path was never clear
Still there were paths.
I’m standing here
Like a dot in the end of the final sentence.
Oh miles, oh miles…
Oh miles, oh miles, oh death.

Mãe

Por vezes a solidão invade-me apesar de tanto amor à minha volta.
Uma solidão castigante de incompreensão e abandono.

Flutuo sem pertencer a lugar algum, talvez fazendo parte dum meio etéreo e suave em que te encontro a sorrir.

Sinto-te em mim nas gargalhadas sadias, no olhar doce e nas palavras caladas vindas do teu coração de anjo.
O teu toque ampara-me (n)as quedas em que estremeço nos sonhos- pesadelos infantis.

O teu perfume inebria-me os afectos, tornando-me numa pessoa melhor.

Por vezes, ignoro os sinais e revelo o que de mais primitivo há em mim.

Instantes que se prolongam por momentos.

Então, concentro-me no teu afago mágico e parto com a música.

Nem luto, Nem dramas... Só estrelas!

(Quando o Amor faz a dor ir embora...)

Ninguém morre...
É só a vida que sorri em outro plano.

Os sentidos do corpo não registam quase nada.
Muito menos a totalidade do universo e seus desdobramentos.
Há coisas que não se vêem, só se sentem...

O Invisível é tão real quanto o visível.
Mas só o coração é que sabe disso.
Por isso, ele compreende o mistério...

Há canções que não se escutam com os ouvidos.
E toques que não são físicos.
Ah, quem é capaz de medir ou pesar um sentimento?

Muitos sentem saudades vão ver os seus mortos
Mas há outros que olham para cima...
Porque sentem que o lar espiritual é o mesmo das estrelas.

Alguns olham fotos e choram, por um passado que não volta.
No entanto, outros olham para frente, e seguem...
Porque eles sentem algo a mais...

Ah, isso não se explica...
Porque é toque do Invisível no coração.
E faz olhar para cima, com os olhos brilhando.

Saudade não tem idade; nem nenhum espírito.
Sete palmos de terra não seguram o que é subtil.
Ah, a vida canta em tantos lugares...

E quem po…

Bilhete de volta

Desdobro-me em pensamentos e, nenhum me cativa. No canto do céu da minha cabeça, vive Hipérbato e, que fazer não sei já. Naquela noite, rainha dos crepúsculos, todas as estrelas brilhavam ao som do sol e, a lua sentia-se vaidosa por conseguir destacar os seus continentes e mares lunares. Naquela manhã, todo o sol, gabava-se dos seus feitos nocturnos e, o céu azul claro espelhava o mar. Naquela tarde, à sombra da sétima árvore do terceiro jardim, da primeira rua da cidade, o meu canto ficou habitado repentinamente e, outra noite como a anterior, nunca mais viram, os meus dias.
Ainda não tenho noção da gravidade do meu alojamento, digamos que a cabeça já não faz tanto eco, mas os pensamentos estão trocados… quando o meu tempo se confunde, batem os ponteiros, os minutos querem seguir, os segundos preferem parar… e estou a olhar para o relógio… apesar de já serem horas de dormir, a noite nunca mais chega. Não há estrelas, a lua não brilha. Resolvi meter-me para dentro e falar com o novo in…