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A mostrar mensagens de Agosto, 2014

E porque há dias em que parece que o mundo vai acabar

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tempo? parte ínfima de reticências em que nada ouço. tudo se adivinha no pouco que dizes. recolho o teu olhar mais profundo por não se materializar nos ruídos das certezas. o silêncio nas palavras. o silêncio a escutar, no delírio da tua boca. palavras de sangue.
palavra de honra que continuo a beber pedras de gelo, a derretê-las devagar, língua encaracolada de beijos escondidos como a sombra que corre invisível escurecendo o momento…
espantas-te com o meu riso, sei que o teu tempo é de agenda, mesmo antes de mo fazeres sentir. sim, pensei em retomar o início do que nunca tinha começado. 
tento disfarçar a impaciência por te sentir apressado. imagino e anseio que tragas desejos nas pontas dos dedos com que faças correr o fecho do vestido justo. olho-te e sei a cor da saliva que te prende a fala.
por momentos as mãos tocam-se. movimentos excêntricos de descobertas e memórias. devaneios com que vou entretendo a solidão.
(tenho um vinil de uma banda punk que aposto, desconheces. não to vou of…

CORPOS

Encostei-te à parede e fui arrancando suavemente a tua roupa. Os nossos corpos fundiram-se sedentos um do outro. Por momentos os nossos olharesdigladiaram-se numa batalha silenciosa. O brilho do teu reflectia-se no espelho do meu. Sorvi dos teus lábios a paixão, tu puxaste-me para ti como se fosse possível fugir àquele abraço furioso. Fizemosdos lençóis uma praia silenciosa após uma tormenta. O suor misturava-se, percorri com os meus lábios cadacentímetrodo teu pescoço. Com as mãos viajei pelas curvas suaves dos teus seios. As tuas unhas arranharam-me levemente as costas e eu tremi de prazer. Um arrepio percorreu a minha espinha e explodiu na minha boca sob a forma de um suspiro. Os nossos gritos lutavam uma batalha desgarrada, cada um seguido do outro até à explosão conjunta. A nossa dança parecia interminável, o coração acelerou, a adrenalina disparou e num momento de puro êxtase perdemo-nos no limiar da razão. Uma sensação de liberdade tomou conta do meu corpo e abracei-te na tentati…

DOZE

Correm em mim sombras negras, correntes que escorrem pelos meus dedos moldando o mundo, por isso te digo, deves afastar-te de mim sob pena de seres consumida, depois nada mais restará e a noite será eterna.
Afagava sentado no banco do jardim as teclas do telemóvel silencioso, como se aquele pedaço de matéria inerte pudesse matar a sua solidão. O vento levantava o pó do caminho, levava com ele o seu olhar perdido, o olhar fixo num pontoinvisívelenquanto as pessoas esbarravam numa linha ténue entre ele e o fluído humano imparável. Espremiaà sorte as teclas, como se de facto o grande texto revelador da sua condição estivesse na sua mente e disparasse à velocidade da luz para a ponta dos seus dedos cada letra, fazendo o sentido ansiado. Levantou-se com o olhar ainda fixo em lugar algum, deu doze passos. Exactamente doze passos como cada hora do relógio e seguiu indiferente ao barulho, aos destroços, ao sangue derramado, enquanto o banco de jardim se desfazia sob lata amolgada e o telemóvel ab…

Dez parágrafos de Agosto

Sopro a areia entre os dedos da mão, assim como quem faz bolas de sabão. Não me lembro se estive a fazer castelos de areia ou a contar o tempo com a mão-ampulheta, só sei que adormecer é tão difícil como encher um buraco na areia com água.  As madrugadas são passadas a enrolar a maresia em forma de rifas de quermesse. "Esta tem prémio" e dá vontade de esticar o braço para chegar ao prémio que é quase sempre umas pegas de cozinha  bordadas (pelo menos falo por mim). Mas pegar no quer que seja faz-me aquela tontura que se tem à beira-mar quando as ondas recuam e deixam os pés com cócegas.  Decido ficar sentado nas dunas tisnadas pela noite e fazer de conta que o sol vai nascer no pôr.  
Reparei: os olhos ardem como se fossem chorar um ácido temperado com pimenta, as maçãs do rosto estão pálidas como se tivessem almoçado arroz em pó e os joelhos doem como se as rótulas estivessem enferrujadas pela humidade humilde do tempo que faz.

Não está mais ninguém na praia. E não estou c…

I is for Inertia [The Alphadeath Codex]

I want to go home

I need to smell the fragrance of rosemary one last time To step in the pebbled trail that leads to your door Drifting towards a rescue flag, back to safe embrace Floating like petrichor after a warm summer rain I wish I could be there again
Say Say my name Whisper gently so the whole world can hear it Muffled by sorrow Make it echo in every chamber of your heart Cry it so quietly until it pulls you apart And hold it forever in a void So it can never be destroyed
I’m now but a ripple in a dead calm sea In the offing of my destiny Lithe and delicate In languor afloat A dream I will become Asunder from you Strand ashore
Seraphic Idle The inertia takes me deep into the everlasting sleep
I will never go home For as I slowly sink into blackness And as the blood runs loose from my veins Drenching ripped leather, twisted metal and broken glass I myself become past
And through the shouting, the wailing sirens The screams of terror and burning flesh I recall the frag…