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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Private Emotion

Rebenta num pranto, depois da pesquisa dos resultados das análises, na internet.


Sempre o soube. Mesmo que a melhor amiga ( que é médica!) lhe diga que não é bem assim. Que se deixe de armar em médica.

Mas ela, sempre soube que iria ser assim.Quantas vezes irritou a família e os amigos, com a frase: "Sei que vou morrer aos 50 anos".


Depois da explosão de lágrimas em soluços que deixaram sulcos no peito e nas mãos, é abraçada com força, pelo homem que a ama e lhe diz que não está sozinha.


Mas ela foge, isola-se. Não quer ninguém. E faz prometer segredo.


Um segredo que não sabe onde a levará.

Pensa que recentemente, a vida lhe deu uma oportunidade. A qual quer retribuir, dando o melhor de si.

Depois, baixa os braços, o corpo amolece, a alma moribunda num desistir doloroso.

Com quantas Primaveras se inventa uma vida nova?

Quantos olhares são necessários para que o sorriso permaneça?

Adormece exausta. Sem saber se quer acordar.


Amanhece com a pressa de compromissos a cumprir.

Apressa-se. São 7.30h. Vai para as aulas. Os colegas estranharam-lhe a ausência. E mimam-na.


O amigo com que viaja percebe que ela não está bem, apesar da conversa normal . Mas o sorriso perdeu algum brilho. E as olheiras...Tenta não se isolar, como da ultima vez. Almoça em grupo. Conversa com uma amiga.

Diga o que disser, ninguém entende.

Assim, guarda o segredo.

Lamenta a explosão de lágrimas do dia anterior. Mas aliviou-a um pouco.

A voz da filha dá-lhe uma energia inexplicável. E aparentemente inesgotável.


Regressa a casa. Mantém os projectos. Não desistiu dos sonhos.

Senta-se em frente ao computador. Ouve música e liberta-se em palavras.

O maior receio é que sintam pena dela.

Assim, é a mulher alegre e optimista.Enérgica, curiosa, aventureira.

Age como se não houvesse medo.

Mas sabe.


E com o segredo nas mãos, atravessa a inevitabilidade do momento em que sabe quando partirá.

E sorri.

Sobre o óbvio

  Acordo, mas não desperto. As pálpebras pesam toneladas e o corpo está crucificado à cama. Levanto-me, mas não me ergo. Ergo-me, vou até à ...