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ovelhas que já não me balem

caminhava eu meio desligado pelo campo quando
me apareceu pela frente um velho pastor que com voz de tenor
se meteu a cantar assim que me viu aproximar
de repente, com o ruído, a frequência, e o canto
todo o rebanho balou e som tornara-se tanto que eu me adensava de espanto
preso ainda à imagem do velho pastor sentado e resignado
à estatia do passar do dia, que cantava enquanto versava a sua poesia
perco-me em campos e campos, e verdes e verdes
e solidões e solidões, e multidões e multidões
de nada, de tudo, faço-me à estrada para ver se me acudo
e chego ao campo e denoto que o pastor está agora mudo
fico confuso, salta mais um parafuso e os pés andam cada vez mais tortos
sem saber se é campo, se é vida, se é hora de desviver no tempo dos mortos

Um Final Perfeito... Parte X

... e vivemos felizes para sempre

São Morte

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Ondulado Do lado que a menos favorecia Parecia uma pasta prensada contra a almofada Fadada de durões de esponja e algodão Algo de cordão que apertava como a angústia Tia da opressão e mãe da depressão Depressa São percebeu que ondulado marcava cada vinco Com afinco na orelha daquele lado envolvido Olvido de perguntas existenciais e de toques no ombro com suavidade Pois a sua idade era como um copo cheio de limonada Nada doce mas apetecível à morte Corte forte na sorte Suporte de coração pendurado à cabeceira Mas cabe na feira de almas escolher A colher que vai mexer o copo até transbordar O bordar de uma assistolia Assim lia São na iris enquanto soprava Só p’ra afastar o cabelo ondulado Do lado que primeiro se trasladava E dava um abraço no vinco, na dobra, na sobra Da obra com mão de bola de sabão.

~
(...) E a belíssima melancolia das estreitas ruas Lisboetas que atravesso nesta noite enchem-me outro copo de vinho que acompanho com um cigarro. E menos uns anos de vida que perdi por cinco minutos de saborear este mesmo cigarro que tanto ansiei. O vinho nunca me soube melhor. Eu, sinceramente, não sei o porquê. Pensando sobre isso... diria que é pela saudade. Não do vinho, porque essa nunca existe... e dos cigarros muito menos, pois fumo um a cada hora ou menos. Mas a saudade de deambular por Lisboa, a saudade de ver a noite cair sobre os prédios arruinados, a calçada que na turva bebedeira se torna o maior obstáculo a alcançar, as luzes que avistamos de cada miradouro, a poesia do vento que por aqui atravessa. A saudade disso tudo faz com que tudo pareça melhor, o vinho, os cigarros, as pessoas... até mesmo as ruínas históricas de cada rua parecem ter uma beleza impossível de traduzir. E mais uma vez... pergunto-me, como? Como é que num país onde se respira melancolia em cada esqu…

N is for Neon [The alphadeath Codex]

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descubro-te entre as gotículas de espuma que o mar inventa para me dizer de mansinho que as tuas cartas não mais terão carimbos dos correios das cidades que visitas anónimo e despido de mundanismos patéticos que alimentam falsas aparências de virilidades amputadas pela idade que são apenas dois algarismos.
lembro-te em labaredas de sorrisos e teorias catedráticas sempre que me olhavas na plateia onde me misturava com outros ouvintes atentos de  espanto bebendo-te as palavras como que tem sede de viver, amando-te em segredo nesta paixão proibida e trágica, nesta memória que não esquece, no fim do mundo que foi a tua morte prematura numa partida sem aviso, neste (a)mar que me é sal, vale de lágrimas em silêncio, na música que és e (me) sabes a violetas sempre que me murmuravas promessas. 

deveria estar zangada por não cumprires a mais importante, a de não te ausentares sem regresso, a de não partires sem chegares a uma cidade qualquer, eu que ainda guardo os sobrescritos c…
Revesti-me a pele, o suor do nosso amor, o calor arrepiante das minhas costas, socorre-me a carência, e esvaíra as minhas desilusões.
Agora, eu nem penso a amargura desvaneceu a minha fala são os meus gestos, e só consigo tocar-te. Só consigo querer tocar-te.
Afogo-me nos teus olhares, Os meus dedos tremem, O meu coração palpita… Os meus lábios perdem-se no teu corpo, A minhas mãos exploram toda a tua essência, Desisto colada a ti, Os nossos corpos juntam-se e somos dois
De tanto me perder em ti, Fiquei esquecida de mim E hoje sou algo ou alguém, Mas hoje,  desejo-te.