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Memory

Memory...

All my Life I have been Nothing but a Memory...
An Opaque Illusion of what I really am...

All my Life I ran away from the Darkness in the Middle of the Night...
I Shouted Ideals without Raising my Voice...

All my Life I poured Tears without really Crying...
Went Mournful to my own Funeral...

All my Life I wrote Senseless Novels...
I’ve Injected the Poison of Words in my Veins...

And I Flew...

Flew without a Right Destination...
Flew away...

All my Life I have Felt Storm in my Eyes...
Eyes without a Face that could Save my Prayers...

I never Understood if it was Fear or Desire...
I never Understood the Threshold of a Lie...
I have Never Lived an Ordinary Life...

All my Life I have been Nothing but a Memory...
Not a Photographic Memory Though...

Perhaps a Faded Image of the Child I once Was...
Perhaps a Cruel Image of the Man I Became...

The Hurts and the Memories cannot be Erased...
The Silent Voids will forever Echo...

I Am Someone who watches Life by the Window just a Memory...
I Am Someone…Like a…

Manobra de Heimlich

A associação nacional de socorristas de inspiração Trotskista vem por este modo demonstrar o seu repúdio pela manobra de Heimlich. Esta manobra é violenta, não respeita o espaço pessoal do paciente, o seu nome alemão, para além de demonstrar conotações neo nazis, tem uma sonoridade agressiva típica das sociedades falocentricas cristãs.O mundo está a mudar e como tal certas técnicas obsoletas tem de ser erradicadas dos manuais de socorrismo. Já o "Manual de socorrismo" escrito por Sócrates defendia uma técnica de eliminação de detritos do esófago através de uma técnica hermêneutica. Mas foi durante o regime nazi que a manobra de Heimlich teve a sua verdadeira implementação, o "Socorristisch Almanak" escrito por Mengel defendia uma técnica aplicada com luvas de couro e soqueiras. Em Espanha e Itália esta manobra também foi adoptada, tendo em Itália ficado com o nome de "A gravata de Hercules"(em tom de curiosidade o cartaz que explicava esta técnica apresen…

O Amor... (1)

Nota: este texto já tem uns certos anos mas ainda não
foi publicado em livro... ou em qualquer outro local...
(até agora)
Ainda que seja algo «pueril» é uma forma de Vos desejar
algo de muito bom, num novo ano que, espero, seja o Melhor!
(a dedicatória original é demasiado óbvia, por isso alterei
o título original que IC imaginou e imortalizou :)
...

O Amor Aproximar-nos-á (1)


Quando nada parece estar bem
e a rotina preenche o dia
a ociosidade nos retém
numa mórbida vida fria.
Assim é tempo de reagir bem
e vencer a negra monotonia.
Então o amor,
o Amor aproximar-nos-á novamente.

O fascínio já não funciona
porque não passa de uma ilusão
a emotividade já não aprisiona
porque era apenas uma paixão.
O pulsar da nossa alma,
ecoa bem fundo no coração.
Assim o amor,
o Amor aproximar-nos-á novamente.

Sei que ainda choras no teu leito
ao pensares nos tempos volvidos
ergue a tua cabeça, abre os olhos
e rompe a direito!
Sou eu quem supera os erros cometidos.
O sofrimento ensina o nosso eu imperfeito.
A dor purifica os nossos …

Boca de Cena

(este texto tem personagens reais e outras fictícias. O espaço onde decorre a acção é mesmo o Teatro-Estudio Mário Viegas - traseiras do teatro S.Luis)

A noite estava escura. Seguia pelo Chiado à meia noite, hora estranha, em direcção ao teatro que me viu nascer. Vinte anos depois regressava ao meu berço de actor e reencontraria o "pai" que me viu nascer para o teatro. Aos quinze anos lembro-me eu, com a bela peça de Almada Negreiros, "Antes de Começar". Perdi-me de amores pela actriz que fazia de boneca mas perdi-lhe o rasto.
Ah, divagações, divagações! E nem sequer falo do meu berço! Nasci para o teatro na Companhia Teatral do Chiado, meu "pai" o brilhante actor Simão Rubim. Não sei como está agora, não o sei, não o vejo vai fazer quase dezasseis anos. A saudade é muita.Chego perto do teatro, saúdo a alegre foto do Mário Viegas. [O quão foste inspirador Mário, tu e o teu modo de vida. Pena não te ter conhecido antes de te teres apagado deste mundo,…

Suicidal Way

Suicidal Way (1)

A denial
On the verge of pain
An opportunity
To live again
A simple thought
On the turmoil of despair
A hidden way
To release the strain
Of dark emotions
Pushing us away…

2010-11-07

Suicidal Way (2)

You know
I just can't stay
It's my suicidal way
And that's why
I can't play anymore
Cause I know
As you also know
There are things to do
And there is a way to go
Before and after the flow
Forever and more
We have to stay
No more and no less
Than the time to find the way
And when we find it
It will be time to leave
And to touch another Way!
...
(And by the way
Where's the next way?
As a friend might say:
Which way from here?
Well, I know another way!
And life, if you may,
Is such a kind of suicidal way.
There's always a way
With no way out...)

2010-12-31

Gota a Gota no Fio da Navalha

(Edgar Allan Poe a mais, lol, este texto arrepia-me, custa-me a crer que o escrevi - ah, já agora, têm duas opções de banda sonora :P)

Sentia-me no fio da navalha, literalmente.Estava preso no chão e em cima de mim, uma navalha pendular sustida por uma tina de água com um pequeno furo. A minha condenação à morte: gota a gota. A minha acusação:ser revolucionário. Vim parar a esta prisão à uns três dias, a navalha estava agora a uns escassos trinta centímetros de mim. Fui preso pela minha imprudência, estava a uns escassos momentos da morte e continuava a rir. O meu trabalho estava feito, era indiferente a minha morte ou a minha vida.Sentia medo, é verdade, a navalha resplandescente sustia-se instàvel sobre mim. A qualquer momento algo ou alguém podia fazê-la desabar e era o fim. num rasgo de vento seria cortado ao meio como o mercador de carne corta galinhas, vacas e porcos. O sangue fervia-me nas veias mas ria, ria como um louco que acreditava na vida depois da morte. Como se obtesse a…

Espera...

(recuperado d'outros tempos, n'outros lugares)



O dia está cortante. Sopra um vento frio que arrepia o mais intrépido viajante, mas eu não me demovo. Sei que ela vai chegar...


Foi num distante Novembro que a vi pela primeira vez, qual anjo a descer dos céus, vi-a a descer do eléctrico no Terreiro do Paço, tinha eu acabado de desembarcar. Depois das atrocidades e paisagens inesquecíveis que vira durante a minha estada em Moçambique, deparo-me com uma visão de doçura imensa e perturbante inquietude.

Lembro-me de vislumbrar por instantes um branco e torneado tornozelo que espreitara por entre a alpergata e a saia negra rodada, que durante aquele efémero pedaço decidiu não a cobrir até aos pés. Ao subir os meus olhos fui devorando avidamente cada centímetro da bela criatura, com a gula de quem jamais vira tão bela donzela e a cobiça infantil pelo brinquedo proibido...



Ah, este cachecol de lã é tão aconchegante. Foi o meu neto Jorge que mo deu, num destes natais já idos. Ele sempre …

Cocaine

COCAINE

-OH YEAHHHH!!!!!- quase que grito enquanto sinto uma a coca a entrar pela narina esquerda à velocidade de um TGV.
Pois é pá, hoje em dia um gajo precisa de uma ajudinha extra e não há melhor forma de viver a night do que com um cochezinho de coca nas ventas. Tás a ver?
Devo dizer que a merda da coca está bué cara e eu nem sei porque uso palavras como bué e cochezinho porque na verdade eu tenho uma licenciatura em Direito e devia estar a usar expressões como ónus da prova etc e tal.
A pior cena da coca é o ranho, um gajo fica a produzir tanto ranho como um puto alérgico em plena Primavera, mas o preço também é um grande problema.
A noite tá bacana, eu tou todo acelerado e tou mesmo numa de divertir. O primeiro obstáculo é o porteiro da famosa discoteca que eu costumo frequentar, cujo nome não digo mas digo já que começa com uma letra pouco usada em português tipo o K. O cabrão do porteiro é uma espécie de cão pisteiro que sente o uso de substâncias alteradoras do humor, sejam e…

Instinto

A História dos Dias...
Escrita pelo Punho da Culpa...

O Instinto...
A Lógica do Receio num Quadro de Van Gogh...

É a Assinatura Ideológica do Tempo...
Numa Pintura de Dalí...

É a Arte do Medo...

Quando as Lágrimas são os Minutos...
Que Cobrem os Nossos Dias...

Quando as Dúvidas nos Sobressaltam á Noite...
Alimentando-se dos Nossos Fantasmas Shakesperianos...

O Instinto é Cego...
Por não Ver Dentro e Adentro...

É Surdo...
Por não Ouvir a Palestra do Bom Senso...

É Mudo...
Por não Falar a Linguagem do Sentimento...

Não Sente o que Não Deixa Sentir...
Não Ama por Não Saber Existir...

O Instinto são Sinais do Vazio...
Desse Vazio Imenso vindo do Frio...

Links Sensoriais de Raízes Analógicas...
Visões e Palpites ao Sabor do Erro e da Suposição...

É Dúbio e Fabrica Inimigos Imaginários...

É uma Cascata Inverosímil numa Caldeira de Fogo...
Um Funeral de Ideias na Licenciatura do Silencio...

A História dos Dias...
Escrita pelo Punho da Culpa...

Sinais de Pânico que Queimam a Razão...

Ser Transparente...
Não é Aprisionar a…

Private Emotion

Imagem
Rebenta num pranto, depois da pesquisa dos resultados das análises, na internet.

Sempre o soube. Mesmo que a melhor amiga ( que é médica!) lhe diga que não é bem assim. Que se deixe de armar em médica.
Mas ela, sempre soube que iria ser assim.Quantas vezes irritou a família e os amigos, com a frase: "Sei que vou morrer aos 50 anos".

Depois da explosão de lágrimas em soluços que deixaram sulcos no peito e nas mãos, é abraçada com força, pelo homem que a ama e lhe diz que não está sozinha.

Mas ela foge, isola-se. Não quer ninguém. E faz prometer segredo.

Um segredo que não sabe onde a levará.
Pensa que recentemente, a vida lhe deu uma oportunidade. A qual quer retribuir, dando o melhor de si.
Depois, baixa os braços, o corpo amolece, a alma moribunda num desistir doloroso.
Com quantas Primaveras se inventa uma vida nova?
Quantos olhares são necessários para que o sorriso permaneça?
Adormece exausta. Sem saber se quer acordar.

Amanhece com a pressa de compromissos a cumprir.
Apressa-se. Sã…

Clube de debate

Sentem-se, por favor. Hoje não vamos ter uma sessão nos moldes habituais. Não vamos procurar paradoxos, validar silogismos, chegar a consensos, ser críticos ou analíticos... Não vamos debater o que quer que seja. Para variar, em vez de nos ouvirmos a nós próprios vamos realmente ouvir os outros. A única pessoa que tem o direito de fazer perguntas sou eu e não há respostas certas, lógicas, inteligentes, interessantes, verdadeiras... Hoje limitamo-nos a aceitar as ideias que quiserem partilhar com o grupo sobre uma pergunta elementar. Estamos de acordo? Então aqui vai ... Viver não é simples. O que fazes para te manteres vivo?Que pergunta estúpida, professor...respiro, como, bebo....Não é só isso... como tu bem sabes. Quem vai começar? Tu?Pode ser. Eu protejo-me antes de embater contra a realidade.Como assim?Sou como a Blimunda do Saramago Todos os dias, antes de levantar as pálpebras, tacteio os livros na estante, retiro um, abro-o e e leio algumas passagens. Os meus olhos de ver ficam…

Dois Dedos de Conversa...

Imagem
(para todos os loonies porque toda a gente guarda no coração a terra onde nasceram)

Do alto de cada uma das tuas colinas,
Lisboa,
Caem sonhos, futuros incertos,
Passados que o tempo não apaga,
Vidas que a água não lava,
Manta por Clepsidra estragada és,
Lisboa...


Não te vejo passado, nem presente,
Nem futuro, amiga...
Vejo-te dentro de uma única estória
Tecida pelo mais puro fio de oiro
Pelas mais habilidosas mãos
Nos meandros do Mundo.


Foste tecida com as vitórias de Roma
Com os amores de Veneza
Com a arte de Florença, a ciência Francesa
E fiadas e fiadas de sonhos.


Teceram-te lendas
Mouras encantadas chorando nas ruínas
Da cidade muçulmana que foste
Campos de alfaces que
Te mataram a fome, Lisboa.


Cheiras a sangue heróico
(Mais, estás impregnada dele)
Até parece que, se fechar os olhos
e me deixar cair, cair, cair, cair
No âmago da tua história
Consigo ouvir nas pedras o roçar dos gumes
Afiados na carne fresca
Espadas batem e rebatem
Espadas que te conquistaram.


"Viva El-Rei D. Afonso Henriques!"
Ouço, ju…

Pó dos Livros

Tenho Arquivado na minha Memória Digital…
O Pó dos Livros Amadurecido em Casta de Papel Timbrado…
Projectado numa Alma que Não Sei se Existe…
Mas que Ouço em Surdina nas Entrelinhas das Palavras…

Tenho a Partitura dos Afectos na Minha Memória Digital…
O Pó dos Livros Amadurecido em Casta de Papel Timbrado…

Quando Inspiro a Fragrância do Imprevisto ao Deslizar de Página em Página…
Quando Acordo a Criança que Dormita no Silencio do Meu Âmago…
Quando Sopro por Entre Dedos as Labaredas da Recordação…

Tenho Arquivado essa mesma Partitura de Afectos…
Pois sou o Sumo Pontífice das Histórias que Inventei…
Ao Saltitar Impunemente nas Margens Flácidas do Tempo…
Ao Usurpar Revigorando o Frenesim Shakesperiano das Palavras…

Viajei numa Odisseia de Homero até ás Cinzas de Ângela…
Evadi-me Epicamente pela Sagaz Loucura de Pessoa…
Libertei a Nostalgia Circense do Universo da Fantasia…

Tenho Arquivado na minha Memória Digital…
O Pó dos Livros Amadurecido em Casta de Papel Timbrado…

Consegui Recitar As Pal…

The tunnel at the end of the Light

Shine shine little star
Never such creature shone so bright
Never disappear although you might
Just fade away out of sight

If someone calls thy shall not reply
Let them gaze onto the sky
Track the blaze in awe and sigh
And feel great joy and can’t say why

For us mortals salute thee oh star
We hope to be right where you are
Live this life in pain and grieve
With the wish to live wherever you live

That here on Earth life goes by
And all that’s certain is to die
With dreams of mercy and God’s good grace
We pray for thee oh star so might

To leave this Earth in you embrace
Forget this dark eternal night
The world is burning and out of pace
Oh take us star from this dreadful place
That is this tunnel at the end of the Light

Loucos de Lisboa

(ok, isto é mais que acompanhamento musical, é a inspiração do conto :P)

Deu-me na cabeça começar a pensar no mundo dos pequenos. Como é bom viver na ignorância. Sem preocupações, sem medo do futuro.Ouvia neste momento a minha amiga Sara que acabava de ser mãe há um mês. Falava-me dos problemas da pequena Carolina (cólicas e outros assim) e eu só me afundava na visão que tinha em miúda da minha Lisboa. Ela não foi minha desde sempre, vivi em Mafra até aos 12 anos mas os meus pais, em busca de melhor trabalho, trouxeram-me com eles. Agora, quinze anos depois, Lisboa é minha e eu sou de Lisboa.Caminho agora com a Sara pelo Chiado. Ela fala-me de problemas e preocupações e eu, fingindo ouvir (com o tempo tornei-me mestra na arte de bem saber fingir ouvir), deixo-me absorver pela inebriante magia que o Chiado emana.Sentamo-nos numa mesa da “Brasileira”, um dos cafés mais emblemáticos de Lisboa. A Sara parou por momentos de falar na pequena Carolina e prendeu a minha atenção.

- Joana, já vi…

Vermelhoescurobrilhante

Geralmente, acontecia-lhe naquelas alturas em que começava a empurrar o carrinho de compras aos ésses lentos pelos corredores do supermercado, de olhos postos num tempo longe. Aparecia-lhe a imagem antiga de dois pares de peúgas às cores, apoiados na mesa de centro da sala de estar, que a mãe dela lhes dizia para "tiraremdaímediatamente".

Quando ele chegava aos sábados de manhã, por volta das dez, ela já lá estava sentada em frente ao televisor sintonizado num programa qualquer de vida selvagem, olhos ensonados, a mesma lentidão e mau humor matinais que lhe haviam de ser comuns para o resto da vida. Ele sentava-se em silêncio ao lado dela com uma enorme tigela de cereais a que acrescentava quatro insuportáveis colheres de açúcar e mastigava ruidosamente. Ficavam ali, a pastelar ao sol puro das manhãs perfeitas, até a mãe dele vir tocar à porta a chamá-lo para o almoço.

Nesse tempo ele não acreditava em portas ou obstáculos arquitectónicos de qualquer espécie e entrava-lhe em …

JAZZ

Vou Obsequiar de Branco...
O Branco Silvestre...
Que de Incolor Te Veste...

Ser Transversal no Arco-Íris Celeste...
Que de Azevinho Te Despe...

Retratar de Jazz...
O Crepúsculo da Dormência...
Que os Teus Lábios Rastreiam...

Ser a Equidade e o Pêndulo...
Os Versos que Estas Simples Palavras Semeiam...

Vou Obsequiar de Branco...
O Branco Silvestre...
Que de Incolor Te Veste...

Colonoscopiar de Esbranquiçado...
Este Fado Dissimulado em Tons Magia...

Cantar Vagas Canções de Rebeldia...
Por Entre Lágrimas Púrpuras neste Dia...

Agarrar os Veios Rochosos...
Que Cruzam o Guião desta Prisão...

Beijar os Teus Seios Voluptuosos...
Com a Volúpia Carnal da Solidão...

Retratar de Jazz...
O Crepúsculo da Dormência...
Que os Teus Lábios Rastreiam...

Ser Redundante...Ser Sensorial...
Quando Grito Causa e Efeito por Defeito...

Ser Transversal no Arco-Íris Celeste...
Que de Azevinho Te Despe...

Palavrosa Lucidez Eterna...
Conceptuosa Timidez Materna...

Colonoscopiar de Esbranquiçado...
Este Fado Dissimulado em Tons Magia...

Dá-me...J…

O Menino da Lua e o Pastor de Estrelas

- Mãe, olha a lua tão bonita! Posso ir lá ter? - Não, meu querido. Só quem tem muito dinheiro. - respondia logo minha mãe - Oh Mãe! Olha que lindo poema eu fiz para a lua! - Estuda. Não faças essas parvoíces! - já era a resposta de minha mãe nos meus tempos de primária. - Mãe! Vê a nota que a "stôra" de português me deu pela composição sobre a lua! - Devias estar a estudar matemática. Não sejas cabeça-na-lua, cai na realidade. Estuda! - desesperava já minha mãe, vendo-me a escrever poemas e contos em vez de equações e gráficos, já no secundário.
Mas não conseguia evitar. Letras, palavras, frases, parágrafos, textos...uma pequena ribeira, depois um rio, a seguir um mar e por fim um oceano. Um oceano de mundos , cores, lugares, pessoas...um oceano de sonhos. Gostava de imaginar, de sonhar...E assim fui crescendo. Nos meus quinze anos encontrei, uma noite, um velho sentado num banco de jardim. Silencioso, olhava as estrelas e mexia os lábios como se lhes falasse. Curioso, ap…

Arrepio

Pára! Não leias nada e desliza rapidamente para outro lugar. O perigo espreita-te. Não permaneças aqui. Foge, corre depressa e esquece o arrepio percorrido no teu corpo. Esconde-te, senão ficarás como eu, sem retorno. Não acreditas? Não? NÃO? Ah…sorris? Por acaso julgas que enlouqueci ou sou uma mentecapta bipolar? Não creias nisso, aviso-te.
PÁRA! Ainda tens tempo, mas o tempo esgota-se na ampulheta do destino e o teu cérebro será uma bola de ping pong a empilhar-se na minha colecção de cérebros vazios e de mentes transmutadas.
Ahhhh…continuaste a ler, desprezaste avisos, achas-te um ser superior, não é?
Então toma atenção aos sinais, ao rictus sinistro surgindo aos poucos na tua boca, às mãos enclavinhadas como garras, aos olhos olhando noutra dimensão, à transformação do teu corpo noutro corpo que eternamente será o teu.
Continuas aqui? Ah Ah Ah !!
Eu dantes tinha flores no cabelo e estrelas nos olhos e partilhava o amor e a vida lançando-os às carradas como confetis coloridos.
Eu dantes…

Beleza

Época de Natal, os locais públicos enfeitados, luzes que brilham e sonhos que despertam nossa imaginação. Sim! Com certeza é uma época mágica e deliciosa, uma época de fantasia e beleza. Beleza que encontramos em cada enfeite colocado, beleza que encontramos no brilho do olhar de uma criança que faz o seu pedido ao Pai Natal... mas o que vem de facto a ser beleza?

Ontem estive com uma amiga que considero muito,este ano resolvemos que não havia troca de prendas mas sim cada uma secretamente escreveria uma palavra que definiria a outra.

Quando abri o meu postal li: "beleza" fiquei a pensar que...


A beleza que se encontra em cada detalhe da natureza, no pulsar do ritmo da vida dos animais, que nada acumulam por ganância e têm sempre a certeza que o amanhã lhes será provido.

A beleza que se encontra nos pássaros que vivem em bando e que, quando um tem algum problema, alguns deles se deslocam e dão apoio, na busca solidária da cura.

A beleza que se encontra na função de cada ser vivo …

O Anjo Destruidor (em III actos)

Parte III



Cena I – Este

Quando eu olho em direcção a nascente pela manhã e vejo o Sol erguer-se lentamente em todo o seu esplendor sei que o novo dia existe, que não é um mito nem um conto de fadas. Sinto-o na luz ténue da aurora de Inverno que me retrai as pupilas, assustadas com o negro da noite que parece nunca acabar, ansiosas por saber o que se esconde entre sobras e murmúrios. Oiço-o no chilrear das aves e no restolhar das folhas, animadas pela expectativa de um novo dia. E nada é mais valioso que um novo dia.

A não ser que nos encontremos num canto escondido, esquecido e perdido entre as horas e os dias que não passam. Ai, não existe um novo dia e o Sol… o Sol é apenas uma ilusão.



Cena II – Sul

Ela chegou hoje e a primeira impressão que teve foi de medo. Medo por falhar, medo por não saber e ser apanhada. Medo que lhe façam mal e medo de lhes fazer mal. Mas quando passa pela porta não mostra medo, oh não… Mas também não mostra segurança, hesita. Pensa e repensa cada passo, cada …