domingo, 2 de novembro de 2014

Cal.de.irada





A cal ferve no poial caiado a panos quentes
Não se quer irritar os tornozelos zonzos
Quer-se que a mão de lixa abra o postigo 
que a voz mendigue sopa de letras em direcção à panela de barro
e acabe de vez com o fastio
(Talvez o maltês oiça sem assomar a cabeça)
Mas já passaram uma data de dias
em que os pés fundidos ao chão metálico
não abalam senão para o coração
de coronárias apertadas de aperto
de batimentos que são contos, cantos, contas
presos com pontos nas pontas de pranto
na bainha do poial
(cozido ou cosido a linha de alinhavar com cheiro a peixe)
debaixo da porta
que tem o postigo
que tem gente
que não abre.

1 comentário:

  1. Regressar a este espaço, é como voltar a sentir aromas dos lugares onde fui (e sou) feliz. E estes textos, TiiL, são postigos abertos à inocência das cores.
    Magnífico!

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