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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2014

[V] (desafio 'inocência)

Canção de amor sem impurezas e asteriscos

Por favor  Não me louves em endechas Nem me componhas sonatas. Já conheço as palavras mais frequentadas E os teus sons e silêncios trabalhados Escorreriam pelas minhas costas.
Não quero que lutes por mim E que me tragas colinas e árvores azuis, Arcas de sândalo Debruadas com fitas de cetim. Eu sei a que cheira  a terra queimada.
Não quero que me ofereças as tuas veias Para cortar ou beber. Não creio que haja líquido dentro delas E não penso que possas  viver dentro de mim, Numa ópera negra.
Não preciso de ver o teu caderno de rascunhos, O delicado lado avesso onde realmente moras, Com os pontos mal dados e as linhas atadas. E sobretudo Não preciso da tua cabeça cansada nas minhas mãos Se vais amputá-las  dessa leveza inesperada.
Não precisamos deixar-nos à espera Enquanto tecemos teias Com beijos de falsário  e abraços metálicos.
Não precisamos de sentir crescer o limbo, O sabor do escurecer do sol, O olhar para o relógio à espera do intervalo.
Também não queremos o coração parado, A martelar marchas fúnebres E …