sábado, 5 de novembro de 2011

Rosa Crucificada

O sacerdote que fornica a rosa não foi tentado,

Essa foi a sua intenção.

Ele, pervertido mor,Come a carne com gula,

Demanda o que lhe é negado.

Trapaças e teias de fantasia,

a catarse prometida, mentira rosada


Quando o sino toca, e o silêncio volta,

Caminhas com cautela, pões a batina no armário,

sedento de boémia, entras no quarto dela,

Começa o bordel no santuário


O véu cai, tocado pelos teus dedos

Mordes-lhe os seios,

sem receios, sem medos.

Ajoelhas-te, sereno, devoto à reza habitual,

olhas a rosa enfeitiçada,

e a tua língua desliza, ao encontro do prazer carnal


A contorção do seu corpo, a tua volúpia.

Procuras desafogo, desejo desmedido

Sacrifício de uma rosa sem espinhos,

Obediência cega, um orgasmo concebido.


Carne contra carne, veneno que escorre,

Suor febril, delírio algo vazio.

Um arrepio arrojado,

depois do acto consumado.

Repara... só tu é que acabaste molhado!


Frederico Vanesgard

3 comentários:

  1. Excelente entrada!
    Adorei!
    Bem vindo à Alone.txt, só temos a ganhar com a tua poesia, que já tive o prazer de ler!
    Obrigado por teres aceite :)
    Podes incluir musica!

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  2. O podres do convento, ao estilo de um libertino do século XVIII. Uma entrada ousada. Bem-vindo.

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  3. Espanto.
    Um poema soberbo de sarcasmo admirável.

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