Pobre Edward O. (Parte I de III)



Parte I: Edward O.

Edward O. 39 anos.
Vive sozinho num apartamento exíguo alugado na parte mais sombria da cidade. Conhece a senhoria, uma velha senhora que mimetiza a simpática avozinha que nos presenteia com histórias de tamanho infindável acerca de pessoas que ela conhecera e que já à muito são pasto para vermes, algures por entre mármore e ciprestes, haja paciência para a aturar…

Da sua janela vê um muro de alvenaria, antigo e decadente, como a sua alma. Edward O. tem uma vida discreta, da sua habitação para o escritório de contabilidade onde assenta meticulosamente as entradas e saídas de materiais e dinheiros da mais afamada sapataria da cidade. Edward O. regista tudo, meticulosamente, grava a azul metileno o papel amarelecido pelo tempo, velho e gasto, como a sua alma. Bem, quase tudo. Edward O. recusa-se a registar a entrada e saída de acompanhantes que satisfazem o vício do patrão. Não, estas despesas não são declaráveis para fins fiscais, oh não. Alem de que a mulher do patrão o matava, sim a ele. Ela acredita que o seu homem é um santo e vê Edward O. como um verme, pequeno e mesquinho, que se alimenta dos detritos rejeitados pelo seu excelso marido.

Edward O. nada tem para contar, a vida escapou-lhe por entre os dedos, secos e ásperos, como a sua alma. Mas Edward O. hoje teve um sonho…

(continua…)

Comentários

  1. Então? Só isto? Avizinha-se um grande texto mas queremos mais. Posta lá isso... :D

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  2. Podia dizer maravilhas do estilo ....mas neste momento acho que só quero saber qual foi o sonho
    Vá lá.... Conta

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