Olhos de água



dispo-me para ti ao som dessa musica com que me tocas. dispo-me de preconceitos, trejeitos, dogmas. dispo-me numa sinfonia de roçar de tecido. algodão. seda. cetim. o pescoço inclinado ao teu beijo. as mãos prenhes de abraços. dispo-me de mim. a alma desnuda em carne viva. tocas-me a medo, no receio de me quebrares. ou ao encanto com que me entrego. nua. despida com ternura__________ de olhos rasos de água. quando as tuas mãos cheias de mais vintes anos que as minhas, me acautelam a queda. me seguram as vestes com que me despes. com o olhar e os meus gestos. lentos. depois lestos. dispo-me de mim, nesse quarto onde me abro à noite que te fecha sobre mim. no beijo que guardo nos lábios que foram só teus. dispo-me. e nua, atravesso o teu corpo num voo rasante à tua alma de poeta maldito, com que me fazes poema



Comentários

  1. AnaMar despi todas as palavras, todas as frases deste teu terreno interpessoal…elas abusam do poder da dança…beijo

    ResponderEliminar
  2. olhos que lêem, sentem, vêem um texto belíssimo, que num voo plano se aproximam do eu que todos possuímos

    ResponderEliminar
  3. Belo e sensual. O amor é um lugar secreto.

    ResponderEliminar
  4. A contribuir fortemente para o aquecimento global!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário