A Filha do Meio (Parte I de II)



Nem protegida, nem mimada, apenas ignorada
Nem como a irmã mais velha, que será doutora
Ou como a bebé, uma bailarina idolatrada
Ou como sua mãe, uma falhada sedutora
Será ela própria, em si mesmo abandonada

Meio triste, meio ausente
Nem fria, nem quente
Simplesmente, indiferente
Senta-se na mesa, para jantar
Mas nada lhe apetece mastigar
Queria simpesmente divagar

Fugir dali, para que ninguem a descubra
Das suas irmãs, tão perfeitas e adoradas
Do olhar de seu pai, que tanto a perturba
E das mentiras de sua mãe, enfeitadas

Metade peixe, metade lua
Sereia imperfeita encalhada na maré
Sem brilho ou cor, de alma nua
Não sabe o que quer, nem sabe que é
Nada a move ou seduz
Nem trevas, nem luz
Apenas uma indiferença que se afunda
Num torpor que tudo inunda
Perdida num sentimento de pesar
A filha do meio ira decidir
Terminar com sua vida, apagar
Tudo o que ainda estará por vir

(continua)


(texto publicado originalmente na revista "Máquina de Escrever" #2)

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