Resposta ao desafio " Brinca comigo" 1ª parte





Sempre fui uma criança solitária, o meu único companheiro de brincadeira um cachorro peludo!!

Quando eu tinha 22 para 23 anos fui ver um filme,que contava a história de um monge. Durante o filme, a personagem, olha literalmente pra audiência e fala assim: se a vida em que vocês vivem é cheia de desamor, onde cada pessoa junto à vida do outro é praticamente um fantasma e ninguém percebe ninguém, nesse universo absoluto de descaso de um para com o outro, pra mim essa vida não interessa.
O que interessa é tentar voltar a ver o mundo como os animais o vêem, como os seres sem posses o vêm.

Naquele momento, a sensação de um pré-adulto em relação àquela reflexão foi algo que produziu uma profunda angústia e um intenso sentimento de que a vida e todas as pessoas que estão vivendo à nossa volta são um sonho. Um sonho... não vou dizer que se trate de um pesadelo, porque as pessoas ainda têm momentos de felicidade, mas é um sonho sem significado, sem sentido.

João, voltou duas vezes seguidas ao cinema pra tentar entender o que estava acontecendo... O tempo parou e ele voltou pelo terceiro dia ao cinema e sentou se para finalmente entender o que estava acontecendo com ele, além do que se passava no filme. Na terceira vez, já não havia reflexão nenhuma para ser feita.

Foi quando aconteceu um impacto, um choro compulsivo.

Aquele dia, ao sair do cinema, percebeu que a volta de todas as pessoas uma espécie de fumaça azul luminosa, líquida. Esse fumo envolvia também todos os animais, da menor formiga até o cachorrinho da esquina. E sob o impacto daquele transe espontâneo, daquela situação desconhecida, ele sentou se na rua e ficou observando... ao longe, percebeu uma luminosidade daquelas de filme de ficção.
Viu aproximando se um homem, um carroceiro muito sujo, com uma pobre carroça e dois cachorrinhos um deles era o seu companheiro de brincadeiras em cima dela, amarrados com fio de electricidade...

Continua

Comentários

  1. Escreves sempre com muita luminosidade; aqui ela adivinha-se em poucas palavras pelas auras das tuas personagens e pelo poder da mensagem que elas carregam desde início. Gostei muito, Nani; venha a segunda parte.

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