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Sem saber se seria suicídio sério, Simão sentava-se sozinho. Silenciosamente saboreava seis sorrisos singelos sem sofrer saudades. Simplesmente sentia sombras sedentes sob si, sentia sóis salgados, sentia sonhos salpicados sem siso, sentia sujidade solta, sentia sono sufocante, sempre sem saber se seria sério.
“Salta, Simão” segredava-lhe Satanás. “Salta, sofredor!”
Setecentos séculos sacrificados sem sentido. Sozinho, sempre sozinho, Simão sofria, sangrava… saqueava sementes sem ser, sem salvação, sem sanidade.
Semana sim, semana sim, Simão sentava-se. Semana sim, semana sim, Satanás seringava-lhe sílabas sombrias. Simão suportava, sempre suportou.
Sem saber se seria sério, Simão suplicou segundos seguidos “Serei salvo, sim, serei salvo, sentirei sonhos sorridentes, sentidos sem sombras sinistras”
Subitamente, sem sagração, sob sobrolho, soou sibilo selvagem. Satanás sorriu.
Sábado sempre saiu saimento. Setecentos séculos secos, senis, sedimentados, saqueados, sepultados…
Setecentos séculos serão sorteados… Sorte saiu sarcástica.

Sem saber se será suicídio sério, Sara senta-se sozinha. Silenciosamente saboreia sete sorrisos singelos sem sofrer saudades...

Comentários

  1. Suicídio sério? É sempre, sério! Tal como este texto é sério, escrito por alguém capaz de dizer imenso em poucas palavras, de contar uma história milenar num minuto, de mostrar numa espécie de metáfora uma face de uma realidade sempre por alcançar... Muitos parabéns!

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  2. Muito bom! O conteúdo, o ritmo, a forma. Nunca tinha visto uma aliteração tão comprida! E não se sente exagerada. Muito bom! Muitos parabéns! (Já tinha gostado bastante de outros textos seus aqui publicados, lembro-me de um que se chamava ap neia, era seu não era? verdadeiramente original)

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