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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2011
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Porque trajas de tão negras vestes?
Porque jejuas a vida e te curvas na imensidão do vazio?
Porque te escondes atrás do abismo,
esperando a noite que nunca chega?

O que haverá, para além da tal besta sadia que já nem procria?

Porque te entregas como cordeiro às mãos do desconhecido?

5.1

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1.


Dorme, dorme, meu pequeno
Que a noite está a chegar
Fica perto da tua mamã
Para a escuridão não te levar


E se uma luz de madrugada vires
Do outro lado a piscar
Não a queiras seguir, meu querido
Que de onde vem a luz
Não há mamã para te amar

A criança dorme na paz dos anjos, embalada na cantilena de sua mãe, entre versos e murmúrios entra no submundo dos sonhos e perde-se na sua memória por formar. Vai explorando os recantos onde fotogramas do dia-a-dia se confundem com os sons flutuantes que escutava quando ainda submerso no ventre, seguro, longe muito longe do alto da montanha…

Todos os grandes carvalhos nascem de uma pequena bolota. Todos os grandes homens foram antes néscias crianças. Mas nem sempre a luz desses homens vem para nos guiar, inspirar, fazer crescer. Por vezes a luz, de tão forte que nos cega, afasta-nos do caminho e desesperamos por um lugar escuro, a salvo, salvos, esquecidos, sem que a luz nos detecte, nos projecte a sombra e nos assuste com vultos dançantes e que nos …

5.

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0.


Um, só um de nós viverá para contar
Dois homens que subiram à montanha
Três versões para cada história, a minha, a tua e a verdade
Quatro dias bastarão para tudo revelar
Cinco passos para a viagem terminar
…e o Mundo para sempre mudar

Briófita em sol maior

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No primeiro degrau de baixo
quando faltavam três colcheias para a hora
bebias chá de rizóide
e eu, de pensamentos pianíssimos
fazia soar o desequilíbrio
(mas o teu modo fixo não te deixava cambiar o olhar).
No primeiro degrau de cima
muitas pulsações antes da hora
ao paladar da brisa matinal
doei a minha fotossíntese à escada
mas, quando o sol aconteceu
sorveste chá de filóide
perfuraste as gotas de orvalho
e eu, olhando para cima
de pensamentos fortíssimos
soube que não podia acompanhar-te.
Esperei.
No degrau do meio
antes de ouvir o acorde da primeira gota
aqueci entre as mãos chá de caulóide
“Queres?”

Quando as escadas tinham musgo
e os pés eram de orvalho
a troca de olhares fazia parte da queda
a nódoa negra era entendida
e eu via-te através do acumular de sangue.
Doía o levantar
o fingir a ofensa
sacudir a clorofila e dizer indiferenças à desculpa.
Na verdade
o molde do degrau do meio fazia parte do beijinho
(aquele que corta os pulsos à mágoa aguda).

O preço do amor

(poema da autoria de Joaquina Vieira)


Minha vida entreguei
Numa feira, a mercadores
Com eles negociei
O custo dos meus amores

O preço era tão alto
Que hesitei, por momentos
Teria que deixar no asfalto
Desilusões, sofrimentos

Nada tinha a perder
Tudo era novidade
Queria com meus olhos ver
Se era amada, de verdade

Minhas armas depositei
Quando encontrei o amor
Tão desarmada, fiquei
Que esqueci até a dor

Apareceu perante mim
Outro anjo sofredor
Trazia um ramo de alecrim
Para a vida inteira, um amor

Cansados, abri meus braços
Entreguei-me com paixão
Numa noite de abraços
Ele encheu meu coração

E nada me prometeu
Mas persiste preso a mim
Ele está, no mundo meu
E nos meus lençóis de cetim

Grito mudo

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Quedam-se as mentes dormentes na esteira
Volve-se a quente a gente esterqueira.
Falta-nos alma
na calma a pesar
Sobra-nos mágoa
de água a gelar.
Povo sem veias, não creias que sim!
Povo em teias de um nome ruim.
Basta-te o pouco
de um louco rufião
Clamas por nada
sem voz ou razão.
Céus incolores com dores de mudez
Ouvem as vozes dos burros talvez…
Mas outras em grito
não rasgam o céu.
Abram gargantas!
Levantem o véu!
Cesse a vontade do homem tirano
E vença a justiça deitada pelo cano!
Vivam-se os dias
Em digna bonança
Ilumine-se a noite
Conquiste-se a esperança.

FÓRMULA

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Quis provar-te a mecânica dos seres
Quando em mim provaste a fórmula do entendimento
Confirmámos os dogmas da química improvável
De nós dois
Para depois
Testarmos a dinâmica inegável


Apostas na certeza do que somos
Apostas na memória do que fomos
E dizes-me
Ao ouvido
Meu querido
A soma de um mais um faz sentido


Simetria de dois corpos encontrados
União elevada ao quadrado
Não percebes? Eu explico.

E eu fico...

Pões-me doido

[Uma do fundo do baú.]

Espreito pelo buraco na lona
e vejo-te nua e lânguida,
parada e mexida.
Vou e mordo de raiva os teus lábios,
e perco-me a endireitar linhas
quando ergo as tuas mãos que são minhas.
Toco os teus lábios encerados,
e absorvo o perfume leitoso
enquanto olho o teu queixo charmoso.

Instantes seguintes

II

Ou não se foge, ou se esquece.

Esquecer?

(continuo a fuga)

de repente
os espelhos desabaram
apressados
intactos
e sem ruído

a musica desfolha as pétalas
o sol inunda o meu quarto
a claridade evidencia a dor

navego num lago
sem fundo

a montanha reclama-me
o sal no olhar
verde
azul
castanho-terra
as lágrimas
deslizam dentro do peito.

Uma árvore despida de medo
em dias cinzentos
as flores misturam-se
numa desordem
de aromas
pueris
os gestos
a(c)tos de uma
representação
ímpar
a apologia da loucura?

Ou o abandono
nos prados
percorrendo os sentidos
portas fechadas
tranco-me por dentro
até mim
a dor chega
insinua-se
no respirar

o orvalho
refresca
o tentar esquecer

quem fica comigo?

calor impuro
d
e
s
c
o
n
h
e
c
i
d
o
no Verão
as cerejas
são o fruto
proibido
o medo nas ondas
o mar
nas carícias
de areia e sal

segredos do vento

não fujas
permanece
esquece.

Murmúrios
estranho pe(n)sar.

The end.

Regressa o arco-íris o ruído da cidade as imagens poeirentas o desejo sem nome o momento sem data música esquecer

Xadrez

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Neste Jogo de Palavras Cruzadas...
Jogo o Xadrez das Incógnitas...

Neste Cruzamento de Palavras Soltas...
Faço Xeque Mate á Coerência...

Rasurar uma Frase com Ideias Anacrónicas...
Romper o Poema com Letrinhas Antagónicas...

Assassinar um Esteriótipo com Perfume e Glória...
Silenciar Vozes com Falsetes Embriagados de Vitória...

Sou o Poeta Naïf que se Esconde do Escuro na Escuridão...
O Escritor que Mente na Mente da Solidão...

O Redactor de Histórias que faz Historinhas por entre Linhas...
O Interlocutor Demente que Sorri Amiúde Felizmente...

Não tenho Credibilidade nos Resquícios dos meus Indícios...
Não tenho Atitude por Desconhecer a Senhora Virtude...

Neste Jogo de Palavras Cruzadas...
Jogo o Xadrez das Incógnitas...

Neste Cruzamento de Palavras Soltas...
Faço Xeque Mate á Coerência...

Faço Vénias quando Dobro o Estigma da Compreensão...
Assumo Mea Culpa quando a Memória me Projecta a Desilusão...

Não Sou meu Aliado...
Estou demasiado Cansado...

Sinto-me Circunspecto e Rarefeito...
Rarefeito e simp…

Magnificat

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Ainda deve ser um exímio dançarino apesar da idade e da doença, não bailarino como dantes era numa conhecida companhia, nota-se na leveza dos passos e nos suaves movimentos do corpo, naquele sentar-se como uma anémona nas rochas costeiras, nos braços fortes ondulando formas, nas mãos delicadas em gestos do quotidiano. Sei que foste um dos melhores, o corpo suado abraçando os aplausos, o nome nos cartazes, o homónimo da beleza, e olho as paredes vazias da tua sala, não, não há fotografias por aqui, nem troféus, nem louvores, minha amiga, fui um homem a gostar do que fazia, voando na música, tenho orgulho, aquele orgulho guardado cá dentro do prazer e da alegria que dei. Ele sorri, sabes que não gosto de exibir grandezas inexistentes, nem glórias efémeras, tudo é esquecido, a grandeza são os afectos, não é isto, ela anda por aí sentada nos bancos dos autocarros e nas ruas de gente comum, nos cafés onde ao teu lado está alguém a beber uma bica ou outra coisa qualquer, a grandeza está ali…

Instantes

(Re)começar...O tempo insinua-se no murmúrio da noitea musica envolve o sonhoruas perdidas de sono nuo mar o céu o sol nos desejosas florestas virgens desvaneceram-seas cores do mundoos cavalos selvagense as madrugadas tardiasnas manhãs calmasem dias de desesperoo pão na mesavazia a corridapara o lugarde imagens soltasassim o vento selvagemsangue estival morno de medouma papoila e um vestir denegronãolutoa vontade arrefecea dor ímpia reclamao suave e cálidoperfumede um morango esquecido.As maçãsespumam de vermelhoenquanto os corações ardem nas fogueiras que não fizemos.O gelo derrete-senos beijos pe(r)didosnos acordes de guitarra dotentar esquecerentãoum mar de laranjas geladasum chão sem tectono olhar de vidro transparente(e o nevoeiro esconde os barcos)(o) rioum riso sem nomeas gaivotas limitam o meu horizontenada se ligaonde está o querer?O sol põe-se quando eu tiver partido.O regressoe o desencontronum olharque não sei.

Nem sempre

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NOTA: Texto da autoria partilhada de Rui Barroso e Inês Isabel





A pequena folha presa ao ramo da árvore abanava com a brisa. Não era um vento forte, ela é que já fora mais jovem. Quando era verdinha e carnuda suportava desde brisas destas até ventos dos que viram os guarda-chuva ao contrário. Agora estava amarelecida. A seiva já não circulava nela com fluidez e os raios de sol tinham deixado de ter aquele efeito revitalizante que durante tantas manhãs lhe tinham provocado sensações deliciosas.
Nessa altura entendeu que a separação estaria prestes a acontecer. Soube que a quebra do atilho que a unia à mãe poderia dar-se a qualquer momento. Iria ter saudades daquela vida preguiçosa e confortável? Não tinha dúvidas que sim. Afinal de contas em grande parte dos seres vivos o rompimento dos laços com os progenitores é marcante. Ainda por cima não dependia de si mas sim da força do vento, aleatória como sempre. Ou do vento ou do homem que podava as árvores mas como era tão raro este aparecer..…

Ca.ri.cato

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Saia de Pinças sempre foi muito prendada, nasceu já com um bastidor a prender-lhe o pano coração onde borda desde então as iniciais “CV” rodeadas de flores e feitios bonitos. E porque assim tem de ser, no mês em que completou a idade, foi apresentada ao Calças Vincadas, um janota, por natureza e por impregnação hereditária.
Não foi aquilo à primeira vista mas, foi um faz de conta que é aquilo à vista última de um dia de Primavera.

Com a Xaile Pelas Costas e o Botas de Trabalho sentados no sofá, ao meio dos dois, foi dado o primeiro contacto labial mútuo, asséptico, mas mesmo assim merecedor de abrir oficialmente a época dos passarinhos verdes e dos sorrisos parvos e das borboletas na barriga e dos para sempre.
Numa manhã, Saia de Pinças com a idade e mais um mês depois da idade foi com a Saia Traçada Mais Velha ao que se chama “lugar onde vendem vestidos de dar o nó considerando que o nó é dado entre dois novelos, um cor-de-rosa de lã virgem e o outro cor-de-azul de lã corriqueira”.
E ass…

O abraço

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O suor escorria-lhe nos olhos em neblinas brancas de cegueira. As mãos molhadas da cascata tactearam o corpo encontrando o vazio, não havia nada do seu corpo, sabia onde ficava o tronco, os braços, as pernas, mas nada estava lá, não tinha corpo, nada, só a sua mente desperta, e aquela torrente de suor, tentou andar e andou e tentou correr e correu, e tocava-se e era tudo vazio, nem pernas com que andar e correr é o suor nos olhos a razão deste não ser, pensou, não, não deve ser suor, é outra coisa qualquer que escorre, que escorre, o suor não é assim, e ainda por cima só nos olhos,não é normal, deve ser uma anomalia estranha, um vírus desses que andam sempre na sombra e nem os médicos sabem deles, ou um problema psicossomático como já ouvi dizer, como é possível isto, estarem assim os meus olhos, como é possível ter perdido o corpo, e esta coisa que não descola dos olhos, sinto ruídos e por isso tenho ouvidos mas apalpei e não senti orelhas.
Posso até ser atropelado e por isso é melhor…

Penso em ti

Os homens acolhem as ilusões nos seus corações e depois choram com as consequências desastrosas das acções fantasiosas.
Suas acções são tão equivocadas que mais parecem simulacros de acção.
São fantasmas de si mesmas.
São vestidos o tempo inteiro pelo próprio ego, que as aprisiona às ilusões sensoriais e as esmaga de encontro a vida
Os homens transitam pela existência cheios de sonhos e quimeras distantes, deixando, com isso, de perceber a clara realidade da vida, que os chama a todo instante...
Passam várias vidas assim, permeados pela ilusão do sentir com o falso amor açoitando-lhes os caminhos.
Buscam a fantasia, mas acabam encontrando a dor.
Consomem o tempo com futilidades e acabam perdendo o tempo certo de viver e aprender, escravos das sensações.

E disse:

Quero

Uma terra de flores sem espinhos
Que não sejam permitidas as florestas do medo
Nem se semeia jamais a Dor.

Nos rios corra amor sem cessar,
E visões celestiais consolem a terra
Enquanto torrentes imemoriais alegram os olhos.

Ninguém rega…

Mãe d'água

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É o frio do vento salgado
e a espuma das maçãs
que reencontra lentamente
a minha voz.
São
os morangos silvestres
e
a música italiana
que me põem o vermelho na boca.
É a terra de cor quente
que pertence às árvores,
à água
e às pedras cor de vidro.
São os silêncios
dos meus cabelos esvoaçantes
porque
o leite dos figos
faz feridas
no coração
e
subir às árvores
é
tentar ver-te
por entre os telhados de música viva. 1982; Julho; Diário Prateado

Ornatos Violeta

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Quero Transformar este Coração de Pedra...
Numa selva de Ornatos Violeta...

Quero Sucumbir nas Lágrimas que Derramas...
E Decapitar o Monstro que Petrifica o Meu Olhar...

Lutar contra o Inimigo que Levita no Meu Peito...
Ser uma Criatura Híbrida que Voa nas Asas do Clímax...

Quero ser o Oráculo Trágico da Imortalidade Bíblica...
Um Espigão de Ferro Cravado nos Vícios da Tua Visão...

Quero Transformar este Coração de Pedra...
Numa selva de Ornatos Violeta...

Votar-me a um Exílio Cego de Identidade e Cometimento...
Devorar Viajantes do Tempo Iluminando Resquícios da Ilusão...

Ser a Profecia do Desespero que Hipnotizas ao Acordar...
Ser Ornado e Moldado pelos Contornos da Lua Cheia...

Quero Morrer ao Nascer nos Braços com que Me Abraças...

Escolher Assim Ser para te Ter Violentada em Jasmim...

Quero transformar este Coração de Pedra...
Numa selva de Ornatos Violeta...

Parco Consolo Ambíguo...
Que me Levas na Ganância da Soberba...

Longa se Torna a Espera neste Banquete Templário de Sedução...

Atira-me Pedras…

Não, não é um sonho!

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(A música é para ouvir APENAS no fim. Obrigado!)

Ele estava a lavar a loiça. Como sempre, uma pilha dela. Tinha por hábito deixar juntar muita loiça.
A certa altura levou com um pingo na cabeça. Pensou tratar-se dum salpico motivado pela impaciência que começava a invadi-lo. Era já demasiado tempo a lavar, a lavar…
Passados instantes, outro pingo sensivelmente no mesmo sítio. Teria de ter mais cuidado caso contrário, a seguir seria ele quem precisaria de um duche.
Alguns momentos se passaram e um terceiro pingo, fotocopia dos anteriores. Mau, agora já era demais. Demasiadas coincidências. Secou a mão direita e esfregou a cabeça no local pingado. Quando viu a mão, nela havia vestígios duma cor próxima do vermelho. Que diabo é isto, pensou? A primeira coisa que lhe veio ao espírito: sangue? Não se lembrava de ter batido em lado algum embora tivesse um sono muito agitado. Aquilo não era dele.
Olhou para o tecto e no preciso momento que o fez, plim!, novo pingo, desta vez em cheio na testa. P…

Lamentos

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Lamentos
que ocorrem do fundo de mim
Lamentos
que imploram por mim
Lamentos
que recordam tempos de paragem
Lamentos
que velam tempos de passagem
Lamentos
que evocam tempos passados
Lamentos
que levam a tempos futuros
Lamentos
que irrompem da dor reprimida
Lamentos
que rasgam a sombra da minha existência
Lamentos
que cobrem a luz da minha inocência
Lamentos
que se transformam em apelos
Apelos
que ecoam uma nostalgia incontida
Lamentos
que se volvem alegria
no ponto visto como imóvel,
no instante de incessante movimento,
de caos e ordem,
de silêncio e clamor,
de tremendo esplendor,
de abandono e entrega,
em que a morte abraça a vida
e a Vida anuncia a Eternidade.
Lamentos
deixem-me comigo!
Gáudios
levem-Me comigo!

Medo do Escuro

(Esta tem sub-história :) foi escrita para a minha prima pequena perder o medo do escuro há 5 anos - uma história de embalar feita só para ela)


- Avó! Fica comigo! - gritava aflita Mariana, ao ver a Avó a afastar-se depois de a ter deitado
- Mas porquê, querida? - responde a Avó
- Tenho muito medo do escuro. Fica comigo Avó! Não me deixes sozinha por favor - suplicava Mariana
- Mas não é preciso teres medo! Sabes, antigamente, o escuro também tinha medo de nós. Sossega querida, não há nada que te faça mal no escuro.
- Como? O escuro tinha medo de nós?
- Sim, Mas isso era quando eu tinha a tua idade. Foi há muito tempo.
- Conta Avó, conta! - disse Mariana, curiosa
- Mas não sei se me lembro bem da história.
- Vá lá.
- Está bem.A Avó sentou-se á beira da cama de Mariana. Lentamente, recostou-se ás fofas almofadas e começou
......................................................................
Tinha eu alguns 7 anos como tu, Mariana. E como tu, todas as noites implorava para que alguém ficasse comig…

Suburbia

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Lá fora
Onde os anjos passam desapercebidos, entre reflexos escondidos
Onde o sabor das laranjas é acre e sonolento
Onde quietos ficam entre suspiros, agoirentos
Ladrões de fome e sentimentos
Inquietos, pedantes e firmemente indiferentes
No chão prostrados, entre correntes e gotas de mel
Fria, grisalha, entre penas e suaves desejos
Estamos longe de tudo e de tudo apartados
Desligados, em apneia mergulhados
Enquistados no asfalto quente das tardes de verão
Surdos, entre estranhos braços enleados
Por nada que somos agora
Quando estamos
Cá fora

Não mais nos esqueceremos do afã com que morríamos
Todas as noites entre esquissos indizíveis sobre virgem linho
As páginas insolúveis lavrámos com beijos e tormentos
Derradeiros pensamentos, despertos para depois desaparecer
Em volúpias, vórtices e vertigens memoráveis de areia fina
Deixei que te perdesses entre os dedos dos meus sonhos, escapasses
Desaparecer na esquina da madrugada, um espectro feito de nada
Que tudo de mim levou, libertou, u…