Suburbia





Lá fora
Onde os anjos passam desapercebidos, entre reflexos escondidos
Onde o sabor das laranjas é acre e sonolento
Onde quietos ficam entre suspiros, agoirentos
Ladrões de fome e sentimentos
Inquietos, pedantes e firmemente indiferentes
No chão prostrados, entre correntes e gotas de mel
Fria, grisalha, entre penas e suaves desejos
Estamos longe de tudo e de tudo apartados
Desligados, em apneia mergulhados
Enquistados no asfalto quente das tardes de verão
Surdos, entre estranhos braços enleados
Por nada que somos agora
Quando estamos
Cá fora

Não mais nos esqueceremos do afã com que morríamos
Todas as noites entre esquissos indizíveis sobre virgem linho
As páginas insolúveis lavrámos com beijos e tormentos
Derradeiros pensamentos, despertos para depois desaparecer
Em volúpias, vórtices e vertigens memoráveis de areia fina
Deixei que te perdesses entre os dedos dos meus sonhos, escapasses
Desaparecer na esquina da madrugada, um espectro feito de nada
Que tudo de mim levou, libertou, um nada nu
Despido de carícias e aromas quentes

Soçobrei
Cai longe do centro da cidade do teu Eu
Pelas luzes trémulas apagado de sombra
Não mais aqui
Tristes, tristes
Estes dias sem ti

Comentários

  1. D.Ü., versos muitooo bem criados... imaginados... reais... "Lá fora" e "Cá fora".

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  2. Sempre te disse que te preferia em prosa mas acho que a poesia anda a crescer aí dentro e a gerar bons frutos. É natural... porque a tua escrita, poesia ou prosa, trasmite muitas vezes a sensação de que as palavras rasgam-te o peito para sair. Nasceste mesmo com um século de atraso....

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  3. Concordo plenamente com a Sandra, as usual...

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  4. Cá (LÁ) fora a musica cai em palavras intemporais. Assim os destinos dos poemas por inventar.
    L.I.N.D.O!

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